Edições Anteriores | Sala de Imprensa | Versão em PDF | Portal Unicamp | Assine o JU | Edição 281 - 30 de março a 3 de abril de 2005
Leia nesta edição
Capa
Unicamp, reitor à vista
Cesar Lattes, um cientista
   brasileiro
Cabeça no cosmo
Ciência e política
Razões da coincidência
Siarq: memória científica
Ônus da fama
Volta à USP em 1960
O adeus de um parceiro
Fotografias revelam as paixões
Edison Shibuya
Mundo das interações
Damy detectou talento precoce
Lattes: um sonho
Um ciclo se fecha. Fica a lição
O Lattes que não está
   na plataforma
O porão e as alturas
Histórias reais
Martha, o esteio.
  Às filhas, o saber
 

18

No universo
das histórias reais

Lattes em 1948, dias depois do anúncio da produção artificial de mésons: brincadeira com  Vinícius de Moraes e Millôr Fernandes

Genial e excêntrico talvez sejam os adjetivos mais empregados para definir o cientista Cesar Lattes, falecido no último dia 8 de março, em decorrência de parada cardíaca. Conversando com pessoas que privaram da sua intimidade, é possível constatar que essas qualificações são apropriadas, mas insuficientes para revelar o homem que estava por trás do título de "físico brasileiro de maior reconhecimento no exterior". Sim, Lattes tornou-se um renomado pesquisador muito jovem e costumava levar um de seus cachorros para acompanhar defesas de teses. Mas ele também gostava de cultivar orquídeas, apreciava música brasileira de raiz, envolvia-se com os problemas dos amigos, era capaz de atos românticos e, nos últimos anos, até demonstrava certa abertura em relação às questões religiosas, embora ninguém possa dizer que fosse religioso. Durante uma semana, o Jornal da Unicamp ouviu amigos, familiares e admiradores de Lattes, com o objetivo de traçar um perfil mais amplo do pesquisador. O que emergiu das entrevistas foi um personagem complexo e instigante, cujas histórias são quase sempre muito saborosas, no sentido mais amplo do termo.

Pela primeira vez desde a morte do pai, as filhas de Lattes concordaram em falar sobre ele. No último 16 de março, três delas, Maria Lúcia Lattes Romeiro, Maria Teresa Lattes Borsato e Maria Carolina Lattes, rememoraram inúmeros episódios envolvendo o cientista. A quarta filha, Maria Cristina Lattes Vezzani, que reside em São Paulo, não estava presente. Uma das passagens relatadas por elas revela o Lattes romântico. Ainda estudante da USP, ele foi contratado como professor particular pelo pai da jovem Martha Siqueira Netto, com a finalidade de prepará-la para o vestibular da mesma universidade. Mais tarde, a moça ingressaria no curso de Matemática. Inteligente, Martha logo demonstrou que estava apta a participar do exame de seleção. Lattes comunicou o fato ao pai da pupila e deu sua missão por encerrada.

Mas o estudante de física Lattes em 2001: leituras freqüentes da Bíblia e curiosidade sobre o "outro  lado"continuou a corresponder-se com a ex-aluna. Nas cartas que enviava a ela, Lattes tratava de variados assuntos, todos aparentemente corriqueiros. Martha, porém, começou a notar que ao longo do texto algumas letras tinham marcas que as diferenciavam das demais. Curiosa, a moça perguntava-se o que aquilo queria dizer. Certo dia, ela decidiu reunir todos os caracteres destacados pelo missivista e acabou descobrindo que se tratava de uma mensagem cifrada, na qual o autor declarava seu amor. Alguns anos depois, em 1948, ambos casaram-se. "Papai sempre foi assim: surpreendente", afirma Maria Carolina. Surpreendentes também foram algumas manifestações de discípulos e amigos de Lattes durante o seu velório, como conta Maria Tereza.

De acordo com ela, várias pessoas declararam gratidão ao ex-docente da Unicamp, que as acolheu em algum momento ou com as quais dividiu suas aulas, com o intuito de ajudá-las. "O mais interessante é que eu sequer sabia do que se tratava", diz. Senso de humor? Lattes tinha, sim senhor. Mas destaque-se que esse humor, não raro, era mordaz. Como o físico não tinha um comportamento que pudesse ser classificado como linear, era impossível prever como se comportaria em relação a um determinado assunto ou pessoa. Essa característica, admitem as filhas de Lattes, sempre era motivo de insegurança. Uma dessas saias-justas ocorreu quando o compositor Gilberto Gil, atual ministro da Cultura, visitou o cientista em sua casa, em 1995, pouco antes do lançamento do álbum "Quanta".

Admirador de Lattes, o músico queria pedir para que o físico escrevesse a apresentação que constaria no encarte do disco. "Ficamos bastante apreensivas, pois não tínhamos idéia de como o papai se comportaria. Durante o tempo todo, mantivemos a respiração parcialmente presa", lembra Maria Lúcia. O encontro, no entanto, não poderia ter sido mais agradável. Lattes e Gil conversaram sobre vários assuntos, notadamente música e literatura. Foi quando o atual ministro ficou sabendo que o cientista gostava muito de música brasileira de raiz, algumas coisas da MPB e de peças eruditas. Ao final do encontro, o artista baiano pediu autorização para colocar uma fotografia do físico no disco, mas cometeu o erro de contar-lhe que fizera o mesmo com uma outra personalidade, em álbum anterior, e que esta morrera três dias depois.

Naquele instante, fez-se um silêncio atordoante na residência de Lattes. A respiração das filhas, que estava parcialmente presa, interrompeu-se de vez. "Nós tínhamos certeza que papai reagiria negativamente àquela solicitação, mas não sabíamos como seria", explica Maria Lúcia. Felizmente, Lattes disse apenas que não queria aparecer no disco, pois não tencionava ter o mesmo fim do outro homenageado. Todos caíram na risada. Lattes escreveu um texto para o encarte, mas não se deixou fotografar. Na música que empresta nome ao álbum de Gilberto Gil, o compositor concebeu os seguintes versos: "Sei que a arte é irmã da ciência/ Ambas filhas de um deus fugaz/ Que faz num momento e no mesmo momento desfaz/ Esse vago deus por trás do mundo/ Por detrás do detrás". Gil regravou também, no mesmo CD, o samba "Ciência e Arte", feito por Cartola e Carlos Cachaça em homenagem a Lattes. A música foi o samba-enredo da Mangueira, escola vice-campeã do carnaval de 1947.

Carta psicografada que teria sido transmitida pelo espírito de Santos Dumont: na molduraE já que o misticismo foi mencionado, o que dizer sobre a relação de Lattes com a religião? A princípio, segundo suas filhas, nada autoriza dizer que ele tenha sido um homem religioso. No entanto, mantinha, por assim dizer, uma relação diplomática com a Igreja Católica. "Papai sempre fez questão que as filhas se casassem na igreja. Além disso, ele presenteava os netos com medalhinhas no dia do batismo", revela Maria Lúcia. Nos últimos anos de vida, prossegue a filha, o físico lia com certa freqüência a Bíblia e demonstrava muita curiosidade sobre o que lhe seria reservado após a morte. "Sempre com boa dose de humor, ele me perguntava como seriam as coisas do "outro lado". Questionava, inclusive, se as pessoas usariam roupas num outro plano e se seriam representadas por um corpo que contemplasse apenas as partes acima da cintura".

Um dado surpreendente, mas que pode não ir além da simples curiosidade que Lattes tinha em relação à existência de vida após a morte, é que ele mantinha no escritório de trabalho, em sua residência, uma carta que teria sido psicografada por um médium. A missiva, que está protegida por uma moldura, teria sido transmitida pelo espírito de Santos Dumont. O texto atribuído ao inventor do avião fala diretamente ao físico e o incentiva a continuar usando a ciência para o bem do país e a não se deixar abater pelos críticos e desafetos. O Jornal da Unicamp apurou, ainda, que dentro do grau de abertura que mantinha para as questões místicas, Lattes visitou pelo menos duas vezes um centro espírita. Numa dessas ocasiões, ele foi acompanhado pela também cientista Nina Roinishivili, natural da Geórgia, na época uma das repúblicas da União Soviética. Viúva, Nina teria ficado extremamente impressionada ao receber uma mensagem atribuída ao espírito do marido. A pesquisadora teria dito a Lattes que vários assuntos abordados na fala do médium só eram do conhecimento dela e do falecido.

Lattes com "Gaúcho": presença assídua nas salas de aula do Instituto de FísicaCães famosos - Lattes adorava cachorros, principalmente os da raça perdigueiro. Os animais, que o acompanhavam a praticamente todos os lugares e ocasiões, inclusive salas de aula, laboratórios e sessões de defesa de teses, eram batizados com nomes de personalidades. Mas não se tratava propriamente de uma homenagem a essas pessoas. Um dos cães, chamado inicialmente de "Gaúcho", passou a ser tratado logo em seguida por "Arthur", numa referência ao marechal Arthur da Costa e Silva, que presidiu o Brasil entre março de 1967 e agosto de 1969. Costa e Silva, obviamente, era natural do Rio Grande do Sul.

O diretor-associado do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp, professor Julio Hadler, conta que o companheiro inseparável de Lattes "assistiu" às defesas da sua dissertação de mestrado e tese de doutorado. "Lembro que em uma dessas oportunidades, o cachorro estava inquieto e por várias vezes manifestou o desejo de sair da sala. Lattes, com toda calma, levantava-se e abria a porta para que ele saísse". As pessoas, segundo Hadler, estavam acostumadas com o comportamento do físico e encaravam com naturalidade as suas excentricidades.

Além de Arthur, o descobridor do méson pi teve outros cães. Dois deles tinham como nomes Gorbatchev e Raíssa, numa referência ao último líder da extinta União Soviética, Mikhail Gobatchev, e à sua mulher. Numa visita à casa de Lattes, em Campinas, a historiadora Ana Maria Ribeiro de Andrade foi apresentada aos animais. "Ele disse o seguinte: esses são o Gorbatchev e a Raíssa, aqueles dois que estão fazendo aquela merda lá na União Soviética", recorda a pesquisadora. A crítica do físico recaía sobre o processo de transformação desencadeado pelo então presidente do país, que acabou sendo identificado por duas palavras: glasnost e perestroika - transparência e reestruturação, respectivamente.

Como já foi mencionado, Lattes vivia a física 24 horas do por dia. Ou quase, como faz questão de ressaltar Armando Turtelli, docente do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp e um dos integrantes da equipe inicial do descobridor do méson pi. Ele conta que nos primórdios da Universidade, quando ainda era aluno de pós-graduação, o laboratório da Física funcionava num porão do prédio onde está instalado atualmente o Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), na rua Culto à Ciência, bairro Botafogo. Lá, após o expediente dito normal, os pesquisadores faziam pequenas pausas no trabalho para trocar impressões sobre os mais diversos assuntos, como música, literatura e cinema. "Só não era um sarau completo porque na época não havia serviço de entrega de pizza", diz Turtelli.

A época a que se refere o docente do IFGW coincide com um dos períodos mais truculentos da ditadura militar. Era 1969, meses depois de o presidente Costa e Silva, o mesmo que emprestou nome ao cão de Lattes, baixar o Ato Institucional nº 5, medida que estabeleceu o estado de exceção no país. Como vários de seus amigos e conhecidos estavam sendo presos, Lattes costumava ligar o rádio para ouvir o programa "A Voz do Brasil". Queria saber se ele também teria o nome incluído entre os alegados "inimigos da nação". Por sorte, a mão pesada da ditadura não o alcançou.

Cigarro com o filtro cortado à mão: hábito adquirido em BristolTabaco - Um vício acompanhava Cesar Lattes desde a juventude: o cigarro. Costumava dizer que a vida não tinha sentido sem o fumo e a bebida. Quando mais forte a marca, melhor. O físico driblava a tecnologia criada para reduzir os níveis de inalação de nicotina e alcatrão cortando o filtro dos cigarros com as mãos. Mas o que quase ninguém sabe é que o hábito de fumar surgiu por causa da ciência. Isso mesmo. Aos 24 anos, quando foi para Bristol, o cientista contou com o financiamento de uma multinacional do tabaco. "Foi assim que papai começou a fumar, em virtude do marketing da época", revela a filha Maria Carolina.

Um episódio hilário marcou o período em que Lattes permaneceu em Berkeley. Após detectar mésons pi produzidos artificialmente, ele passou a ser procurado pela imprensa internacional. O governo brasileiro, preocupado em capitalizar o feito, acionou o seu adido cultural nos Estados Unidos e o incumbiu de fazer uma entrevista, via rádio, com o grande pesquisador tupiniquim. O diplomata era nada menos do que Vinícius de Moraes, que acabou se consagrando na música e na poesia. O Poetinha, como Vinícius também era conhecido, foi para a entrevista acompanhado de um amigo, o escritor Millôr Fernandes.

Sonoplastia - O encontro entre os três, como não poderia deixar de ser, foi divertidíssimo. Conversaram sobre o Brasil, música, literatura e, como sobrou algum tempo, sobre ciência. Mas o momento mais engraçado ficou reservado para o instante da transmissão da entrevista, que teria acontecido a partir de um local longe do laboratório da universidade. Em dada hora, Vinícius avisou: "Agora o cientista Cesar Lattes vai ligar o acelerador de partículas". Como não havia equipamento algum para ser acionado, Millôr teria assumido a função de sonoplasta e reproduzido, com a própria voz, o som do que ele imaginava ser o tal dispositivo tecnológico.

O professor Edson Moschim exibe os cheques entregues por Lattes ao barbeiro: erros no preenchimentoConhecido em todo o mundo, Lattes tornou-se naturalmente o ídolo de várias gerações de cientistas, embora fosse avesso a badalações. Um desses admiradores é o professor Edson Moschim, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp. Apesar de ter tido pouco contato pessoal com o físico, ele é uma espécie de credor do descobridor do méson pi. Explica-se. Ainda estudante, Moschim se mudou para o distrito de Barão Geraldo, onde a Universidade está instalada. Casualmente, descobriu que ele e Lattes freqüentavam o mesmo salão de barbeiro. "Quando soube que eu era estudante da Unicamp, o barbeiro comentou que um de seus fregueses era um professor muito famoso da Universidade. Disse, ainda, que o tal docente era um tanto atrapalhado, pois pagava os cortes de cabelo com cheques que sempre eram preenchidos errados. O valor representado pelos numerais nunca coincidia com o descrito por extenso, o que o impedia de sacar o dinheiro", esclarece Moschim.

Ao perguntar quem era o tal cliente "trapalhão", o docente da FEEC ficou sabendo que se tratava de Cesar Lattes, um dos maiores cientistas brasileiros. "A partir daquele dia, eu pedi para que o barbeiro guardasse todos os cheques do professor Lattes, que eu os compraria. Cada vez que eu ia cortar o cabelo, ele me vendia uma folha. Tenho várias delas, embora só tenha encontrado três numa procura rápida", afirma Moschim. Agora, ele pretende encaminhar os cheques ao Arquivo Central do Sistema de Arquivos (Siarq) da Unicamp, para que sejam incluídos entre os documentos que contam a história do físico.

O jeito desligado e despachado de Lattes é destacado pelo cineasta José Mariani, roteirista e diretor do documentário "Cientistas Brasileiros", que conta as trajetórias do físico da Unicamp e do seu colega José Leite Lopes, que o ajudou a fundar o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Conforme Mariani, foi muito difícil entrevistar Lattes. "Ele falava apenas o que queria e sempre respondia uma pergunta com outra pergunta. Mas foi muito carinhoso, sem demonstrar qualquer afetação. Ao final das filmagens, quando fui me despedir, ele simplesmente me disse: já vai tarde. Depois que viu o filme, ele afirmou numa entrevista que faltava mulher..." .

O erro - Mesmo os considerados gênios estão sujeitos a erros. E com Cesar Lattes não foi diferente. Na década de 1980, ele estava envolvido com experiências que tentavam contestar a teoria da relatividade, enunciada por Albert Einstein em 1905. Depois de inúmeros cálculos e ensaios, Lattes finalmente pensou ter chegado ao resultado que comprovava a sua hipótese. Trocando em miúdos, Einstein dizia que a velocidade da luz no vácuo é a mesma para todos os observadores em referenciais inerciais e não depende da velocidade da fonte que está emitindo a luz. Para Lattes, a velocidade da luz dependeria, sim, da velocidade de referência.

Os resultados das experiências foram, então, tornados públicos. A repercussão não teria sido tão grande, caso o autor não fosse Lattes, cientista de renome mundial. Ocorre que pouco tempo depois, o próprio físico identificou um erro nas experiências que sustentaram as suas conclusões. Até hoje, contam os membros da equipe inicial de Lattes, não se sabe ao certo qual foi o equívoco. O professor Edison Shibuya, do IFGW da Unicamp, amigo e ex-orientado de Lattes, formula uma hipótese para explicar o que teria acontecido. Segundo ele, Cesar, como costuma chamar o descobridor do méson pi, era uma pessoa extremamente simples e que levava essa simplicidade para os laboratórios.

Por isso, alguns equipamentos utilizados por Lattes estavam longe de ser top de linha. "Penso que a aparelhagem usada por Cesar não tinha a excelência e a precisão necessárias para a execução daqueles experimentos. Naquelas circunstâncias, até mesmo um gerador poderia ter interferido no funcionamento dos equipamentos, provocando uma distorção nos resultados dos ensaios", imagina Shibuya. Ele não se recorda se Lattes chegou a admitir publicamente o erro, mas o fez para os amigos em mais de uma oportunidade. O fato é que esse episódio interferiu negativamente no estado emocional de Lattes, que entrou em depressão, conforme conta o professor Turtelli. "Foi um grande baque para ele", diz.

O escritório: despojamento e dezenas de fotografias nas paredesEscritório - O Jornal da Unicamp teve acesso à casa de Cesar Lattes, mais especificamente ao seu escritório de trabalho. O local, cujas paredes estão cobertas por fotografias de familiares e grandes cientistas, é de uma simplicidade franciscana, característica de Lattes já destacada neste texto. O cômodo, suficiente para receber no máximo dois visitantes, tem um jeitão de casa de avó, que em nada lembra a celebridade do seu ex-ocupante. O espaço pouco chama a atenção, a não ser por dois detalhes. O primeiro deles é um cigarro inacabado da marca Derby, que ainda repousa no interior de um cinzeiro. O filtro, como de costume, foi cortado à mão.

O outro aspecto que salta à visão é uma carta, possivelmente a última recebida por Lattes, que permanece sobre sua mesa. Nela, um cientista pede ao físico que interceda junto aos organismos de fomento à pesquisa, para que um deles libere recursos para a execução de um estudo. Objetivo: promover experiências que comprovem uma tese que contraria a teoria da relatividade. Se fosse possível alterar o cenário contido no escritório de Lattes, talvez fosse recomendada a inclusão de um pequeno cartaz com uma frase de Salomão, presente no Velho Testamento, que o físico gostava de repetir. "A sabedoria não entra de jeito algum na alma malvada". Ou, como lembra a filha Maria Teresa, a máxima cuja autoria atribui ao pai: "A verdade objetiva é a média ponderada da vontade de todos os seres animais vegetais e minerais".

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