A cooperação entre Brasil e Angola na área da saúde ganhou um novo capítulo na última semana, com a realização da aula inaugural do ciclo 2026 do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde. A iniciativa reúne governos, universidades e instituições de saúde dos dois países, marcando a continuidade e ampliação de uma parceria estratégica voltada ao fortalecimento do sistema público de saúde angolano.
O encontro foi realizado, no dia 10/3, no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e contou com a presença de autoridades como os ministros da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, e de Angola, Sílvia Lutucuta, além de representantes da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério da Educação e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A Unicamp esteve representada pelo professor Rubens Bedrikow, assessor da Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (Proeec), e pelo jornalista Irani Dias Neto, do Departamento de Comunicação da Proeec.

Para Bedrikow, o principal significado do encontro está na reafirmação da parceria institucional pelos dois países. “O que ficou muito evidente foi o envolvimento do Governo Federal brasileiro com essa cooperação. Não se trata apenas de iniciativas isoladas de universidades, mas de um projeto de interesse nacional, construído em diálogo com Angola”, afirmou. Segundo ele, a presença de ministros e representantes de diferentes órgãos reforça a dimensão estratégica do programa e sua consolidação como política pública.
A nova etapa do programa também evidencia um momento de maturidade da cooperação, que permite analisar seus desdobramentos ao longo do tempo. “Estamos falando de uma iniciativa que já tem uma trajetória. Temos elementos do passado, experiências em andamento no presente e perspectivas concretas para o futuro. Isso possibilita qualificar ainda mais as ações e pensar em novos caminhos”, destacou.
A Unicamp alimenta uma relação histórica com Angola construída ao longo de mais de duas décadas. Nos últimos anos, essa parceria foi ampliada com a realização de ciclos formativos voltados à medicina de família e comunidade. Em 2025, a Universidade recebeu 50 médicos angolanos para uma formação intensiva que combinou atividades teóricas e imersão prática em unidades básicas de saúde de Campinas, proporcionando uma vivência direta do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. A iniciativa integra o projeto Brasil-Angola: Formação de Recursos Humanos para Cobertura Universal de Saúde em Angola, que já capacitou mais de 200 profissionais.

De acordo com Bedrikow, a inserção da Unicamp no programa também se dá como parte de uma rede mais ampla de instituições brasileiras envolvidas na cooperação. “A universidade é um dos elos dessa corrente. Estar presente nesse espaço é importante porque nos conecta a um conjunto de atores que estão construindo essa política de cooperação entre os dois países”, afirmou.
Outro ponto destacado pelo professor foi a ampliação das possibilidades de atuação a partir do diálogo com representantes do Ministério da Saúde e de organismos internacionais. Segundo Bedrikow, essa conversa abriu caminhos para a elaboração de novas propostas, incluindo ações de extensão, pesquisa e formação. “Identificamos oportunidades que ainda não estavam sendo plenamente exploradas, especialmente no campo da extensão universitária. Há recursos e interesse para o desenvolvimento de projetos que envolvam diferentes áreas do conhecimento.”
A retomada e expansão do programa também dialoga com a diretriz institucional da Unicamp de valorizar a cooperação Sul-Sul, fomentando parcerias entre países que compartilham desafios semelhantes, especialmente no campo das políticas públicas. Para Bedrikow, essa perspectiva é fundamental para construir relações mais horizontais e transformadoras. “Essa é uma troca em que todos aprendem. A extensão universitária se realiza plenamente quando há esse movimento de compartilhamento de experiências e construção conjunta de conhecimento”, concluiu.
Matéria publicada originalmente no site da Proeec.
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