Professores e pesquisadores da Unicamp realizaram, nesta quinta-feira (13), a segunda reunião do projeto AgroBioValor, iniciativa voltada à identificação e ao desenvolvimento de projetos de pesquisa que possam contribuir para a inovação, a sustentabilidade e a agregação de valor no agronegócio brasileiro. O encontro contou também com a participação de representantes de outras instituições.
André Cabral, assessor de Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho, diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), fez uma participação por vídeo. Ele atua no órgão federal com subvenção de projetos.
Na reunião, também foi apresentado o vice-coordenador do projeto, o professor José Nelio Sales, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Para Gláucia Pastore, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp e coordenadora do movimento AgroBioValor, o encontro teve como objetivo avançar na definição das unidades e dos projetos que poderão ser incluídos na iniciativa. O grupo também iniciou conversas com empresários de diferentes setores, entre eles produtores ligados ao café e a carnes. O objetivo é aproximar as pesquisas das demandas do setor produtivo.
“Essa iniciativa está alinhada à proposta da Universidade de ampliar a contribuição da ciência e da tecnologia para o país. Não queremos nos limitar à Universidade e nem ficar apenas no âmbito do estado de São Paulo. É preciso se abrir para o país”, afirmou Pastore.


Dependência
O representante da Finep ressaltou a necessidade de aumentar a participação do setor privado em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Segundo Cabral, o Brasil precisa avançar na agregação de valor aos alimentos e reduzir a dependência da exportação de commodities.
Cabral também destacou os riscos e o tempo necessário para transformar pesquisas em produtos e negócios. Nesse contexto, defendeu a aproximação entre empresas, universidades e instituições de ciência e tecnologia, com instrumentos como a subvenção econômica para estimular investimentos privados em inovação.
Pontos
A biodiversidade brasileira e os desafios relacionados à produção de alimentos também foram discutidos. Entre os pontos citados pelo representante da Finep, estão a necessidade de produzir mais em áreas menores, reduzir perdas durante o processamento e o transporte, além de diminuir impactos ambientais e a dependência brasileira de fertilizantes importados.
Ainda durante sua participação remota, Cabral tratou da exploração da biodiversidade brasileira por grupos estrangeiros. “O Brasil é atrasado tecnologicamente uns 30 anos. O fortalecimento da capacidade nacional de pesquisa e inovação é necessário para evitar que o país fique dependente de empresas internacionais. Isso também serviria para ampliar a fixação de profissionais em regiões como a Amazônia, por exemplo”, disse.
Agregado
O BioAgroValor é uma iniciativa que pretende reunir diferentes unidades da Unicamp – e de outras instituições acadêmicas e empresariais – para transformar produtos, resíduos e subprodutos do agronegócio em materiais de alto valor agregado, com aplicações nas áreas de alimentos, saúde, fármacos, embalagens e indústria. Com novas reuniões em breve – a ideia é realizar pelo menos um encontro por mês –, a professora Pastore reforça que a proposta do BioAgroValor ainda busca ampliar o papel da ciência brasileira na geração de inovação e riqueza a partir da biodiversidade e da produção agroindustrial do Brasil.
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