A Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, em Limeira, oficializou o lançamento de sua nova graduação em Relações Internacionais (RI) durante o evento “Internacionalização via Plataformas Digitais”, realizado nesta terça-feira (4). O encontro, organizado pelo Professor Cristiano Morini, reuniu pesquisadores, estudantes e funcionários da Faculdade e especialistas do Sebrae e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para discutir como a nova formação poderá democratizar o acesso ao comércio exterior para as empresas brasileiras e fortalecer a economia regional.
Segundo a atual Diretora da FCA, professora Milena Pavan Serafim, o lançamento da nova graduação marca um momento histórico para a unidade: “Hoje se inaugura um segundo ciclo de expansão da FCA”, afirmou, lembrando que a faculdade iniciou sua trajetória em 2009 e agora amplia sua atuação com cursos nascidos de demandas diretas da sociedade.
Serafim destacou que, ao contrário das graduações iniciais propostas pelo Conselho Universitário, os cursos de RI e de Inteligência Artificial surgiram porque a comunidade enxergou essa necessidade diante da atual situação geopolítica. A diretora enfatizou o papel social da Unicamp em abrir portas para carreiras tradicionalmente elitizadas. “Nosso desejo é formar quadros qualificados em temáticas que geralmente são excludentes do ponto de vista social”, explicou. De acordo com Serafim, barreiras como a exigência de múltiplos idiomas costumam afastar candidatos, mas o vestibular aberto da Unicamp permite trazer para as Relações Internacionais pessoas que “historicamente não atuariam” nessa área. A docente reforçou ainda o compromisso com a descentralização acadêmica: “Se queremos ser uma universidade multicampi, precisamos fortalecer os campi externos a Barão Geraldo.”

O Diretor Executivo de Relações Internacionais da Unicamp, professor Rafael Dias, detalhou que a graduação terá uma base interdisciplinar e sinergia com a Inteligência Artificial para criar modelos prospectivos e identificar tendências globais. Dias defendeu que o profissional de RI deve ser capaz de construir estratégias de resiliência para proteger a economia e a cultura local de transformações rápidas, como o uso político de mídias sociais ou tarifas alfandegárias internacionais. “Precisamos compreender como mudanças que não conseguimos impedir impactam o dia a dia de uma empresa no interior paulista para que elas nos afetem menos negativamente”, pontuou.
Já Cristiano Morini, docente da graduação e da pós-graduação em Administração da Unicamp e coordenador do Laboratório de Empreendedorismo, Inovação e Comércio Internacional, apresentou as plataformas digitais como motor das “micro multinacionais”. Segundo Morini, pequenos negócios, como uma fábrica paulista de apenas 15 funcionários, conseguiram exportar para 15 países em dois anos utilizando marketplaces globais. Ele explicou que essas plataformas oferecem infraestrutura de logística e pagamentos, permitindo que empresas explorem mercados de nicho e fiquem menos dependentes de parceiros tradicionais. “Quando há dificuldades no cenário externo, isso pode gerar facilidades e oportunidades que ainda não tínhamos visto antes.”
Para Morini, o curso de Relações Internacionais da Unicamp ajudará a formar profissionais qualificados para entender a evolução da globalização e identificar oportunidades de nicho em mercados específicos. “Mesmo diante de movimentos de tarifaços ou tendências antiglobalização, surgem novas janelas para explorar mercados que antes eram ignorados, diminuindo a dependência de parceiros tradicionais como os Estados Unidos. O objetivo é transformar dificuldades externas em oportunidades, gerando emprego e renda para o país.”
O evento também contou com a participação de Olavo Henrique Furtado, do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), iniciativa realizada por meio de um convênio entre a ApexBrasil e o SEBRAE. Durante sua apresentação, Furtado destacou que o Brasil responde por menos de 2% do comércio mundial, ressaltando que a América Latina representa um mercado estratégico para que pequenas empresas realizem seus primeiros testes de exportação. Ele também apresentou o papel do PEIEX, cuja principal missão é qualificar tecnicamente as empresas, oferecendo suporte para que iniciem ou ampliem suas operações de exportação com mais segurança e competitividade.
O impacto do novo curso e dos temas discutidos no evento para o município de Limeira foi destacado pelo Secretário de Desenvolvimento Econômico, Daniel Bonatti. Ele vê na interação entre as empresas da cidade e os especialistas e estudantes da Unicamp uma ferramenta para a retenção de talentos e o desenvolvimento regional. Bonatti afirmou, ainda, que o fortalecimento desse ecossistema de formação evita a perda de profissionais qualificados para o trabalho remoto internacional e deve criar servidores públicos aptos a tomar decisões estratégicas para o país.
O evento, realizado em parceria com a Prefeitura, encerrou-se com atividades de grupo focal com empresários da região, lideradas por Morini e pelo pós-doutorando Eduardo Avancci, como parte de uma pesquisa apoiada pela Fapesp. O objetivo foi ouvir empresas que já exportam, bem como aquelas que pretendem iniciar sua atuação no mercado internacional, para identificar desafios, oportunidades e demandas relacionadas ao processo de internacionalização.
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