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Unicamp é escolhida para abrigar novo centro avançado de matemática

Anúncio foi feito nesta segunda-feira (24) durante evento da União Matemática da América Latina e do Caribe

Um anúncio feito nesta segunda-feira (24) marcou o primeiro evento conjunto entre o Centro de Matemática China–América Latina (Clamc, na sigla em inglês) e a União Matemática da América Latina e do Caribe (Umalca), realizado no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Unicamp.

A presidente da Umalca, Jaqueline Mesquita, revelou que a Unicamp deverá abrigar o Centro Brasil-América Latina de Matemática Avançada, um espaço planejado para funcionar na área do Hub Internacional de Desenvolvimento Sustentável (HIDS) da Universidade.

Três pessoas em um ambiente de sala de reunião com fundo verde e dourado: à esquerda, pessoa com cabelo comprido castanho, óculos de armação escura, blusa azul escuro e microfone à frente; no centro, pessoa com cabelo branco, óculos, camisa azul claro com crachá, microfone à frente e garrafa de água azul; à direita, pessoa com cabelo comprido castanho, blusa preta, segurando microfone com a mão direita e brincos de corrente prateada.
Da esquerda para a direita, a diretora associada do Imecc Anne Bronze; o representante do Clamc no evento, Konstantin Khanin e a presidente da Umalca, Jaqueline Mesquita

“Já temos a contrapartida financeira da China para a construção do espaço. Agora, estamos trabalhando para alocar fundos federais e estaduais e darmos início às obras”, afirmou Jaqueline.

Voltado à pesquisa de ponta, pós-graduação de alto nível e colaboração global, o centro terá como foco expandir as fronteiras do conhecimento matemático e suas aplicações científicas e tecnológicas.

Para o representante do Clamc no evento, Konstantin Khanin, a liderança conjunta de Brasil e China na iniciativa evidencia o protagonismo brasileiro na área: “O Brasil se tornou um dos maiores atores da matemática mundial”, avalia.

Khanin também destacou o momento estratégico da criação do espaço. “Estamos entrando em ‘águas não mapeadas’. Sempre que os matemáticos se reúnem, hoje, o tema é a inteligência artificial, e a matemática está na linha de frente dessa nova era. A velocidade com que a IA avança é incrível e, às vezes, assustadora”, ponderou.

Para o pesquisador, a interação entre humanos e IA deve se tornar uma nova diretriz científica. “Existem vários centros matemáticos consagrados no mundo, mas este é provavelmente o primeiro concebido inteiramente na era da IA. Ele nos dará a oportunidade de criar novos meios de integração entre a comunidade matemática e a inteligência artificial, permitindo extrair o melhor dessas novas ferramentas sem perder nossa autoconfiança”, concluiu.

Matemática e Arte

Quatro fotografias de uma pessoa usando blazer preto, crachá com cordão azul, posicionada em frente a uma vitrine de vidro contendo esculturas tridimensionais de malha metálica em cores dourada, prateada e vermelha, com a pessoa gesticulando e interagindo com as obras expostas em diferentes ângulos e posições.
A pesquisadora argentina Moira Chas: um dos destaques da programação do encontro

Pioneira na ponte entre a matemática pura, a divulgação científica e as artes plásticas, a pesquisadora argentina Moira Chas é um dos destaques da programação do encontro no Imecc. Professora associada na Stony Brook University (EUA), Chas é reconhecida por suas contribuições para a topologia – o ramo da matemática que estuda as propriedades dos espaços que se preservam sob deformações, como esticar, dobrar ou torcer, sem rasgá-los ou colá-los– – mas é conhecida também pelo uso inovador de modelos físicos, artísticos e computacionais para visualizar e ensinar conceitos geométricos complexos.

Ela utiliza crochê e tecelagem em arame para moldar estruturas espaciais, superfícies não orientáveis e objetos abstratos que seriam difíceis de visualizar mentalmente. “Para mim, é uma forma de compreender e de explicar. Além disso, acho as peças muito bonitas”, contou a pesquisadora. “Fiz muito crochê, mas percebi que o arame me permitia expressar certas formas com mais precisão.”

As esculturas matemáticas de Moira Chas foram expostas no hall do auditório do IMECC durante a abertura e devem ganhar um espaço permanente de exibição no instituto, segundo a presidente da Umalca, Jaqueline Mesquita.

Cinco pessoas sentadas atrás de uma mesa comprida de madeira clara em uma sala de aula, com garrafas de água, microfones e bandeiras de diferentes países dispostos à frente, painel de apresentação verde à direita exibindo "CLAMC·UMALCA" com datas "August 24-28, 2026", quadro-negro ao fundo, relógio na parede superior esquerda, duto de ar condicionado branco no teto, e pessoas observando de costas em primeiro plano.
Evento prossegue até dia 27 de setembro (quinta-feira)

Chineses e latino-americanos

Presente na cerimônia de abertura, o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, lembrou que ciência se constrói por meio de “relações humanas e pontes institucionais”. Para ele, o verdadeiro impacto do encontro será sentido no longo prazo. “O sucesso deste evento não deve ser medido apenas pelo que acontece em Campinas nestes dias, mas pelo que continuará nas universidades, com novas pesquisas, projetos conjuntos e redes de colaboração”, disse o reitor.

O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, reforçou o papel integrador da disciplina. “A matemática é uma linguagem universal que conecta pessoas através de fronteiras e culturas. A cooperação entre a China, a América Latina e o Caribe oferece uma oportunidade tremenda para promover intercâmbios e apoiar quem está começando”, pontuou.

A diretora associada do Imecc, Anne Bronzi, celebrou a realização da conferência na universidade. Para ela, é uma oportunidade para aproximar a comunidade local dos pesquisadores chineses e latino-americanos.

O seminário prossegue até quinta-feira (27/9) e terá entre os participantes o matemático norte-americano Dennis Sullivan, vencedor do Prêmio Abel de 2022 — uma das distinções mais prestigiadas da matemática mundial.

Foto de capa:

Duas pessoas sentadas à mesa em sala de aula com lousa verde ao fundo, usando óculos e roupas formais em tons de azul, com microfones, garrafas de água e pequenas bandeiras de diferentes países à frente, incluindo bandeiras da Rússia, China, México e Brasil.
Anúncio da escolha da Unicamp para abrigar centro avançado foi feito nesta segunda-feira (24) durante o encontro da União Matemática da América Latina e do Caribe
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