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Manchete Notas e comunicados

Carta aberta à comunidade universitária

Reitoria divulga comunicado e elabora documento com propostas ao movimento estudantil

A Universidade Estadual de Campinas construiu, ao longo de sua história, uma posição de destaque entre as instituições de ensino superior da América Latina, combinando excelência acadêmica, produção científica de impacto e compromisso público. Nas últimas décadas, essa trajetória foi acompanhada por uma profunda ampliação do acesso e da inclusão social. Atualmente, quase 46% dos estudantes ingressantes são oriundos da rede pública de ensino, mais de 30% são estudantes pretos, pardos ou indígenas e a Universidade avança na consolidação de políticas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência e pessoas trans.

A permanência estudantil constitui um dos pilares desse processo. Em 2026, a Unicamp destinará mais de R$ 211 milhões às políticas de permanência, atendendo 5.611 estudantes por meio de bolsas, moradia, alimentação, transporte, apoio pedagógico, assistência social e atenção à saúde. Com estes recursos, 78% dos estudantes contemplados acumulam diferentes modalidades de apoio, fazendo com que uma parcela expressiva dos beneficiários receba recursos mensais superiores ao salário-mínimo, além do acesso à alimentação subsidiada e a outros serviços universitários. Esses resultados são fruto de décadas de aperfeiçoamento institucional e diálogo permanente com a comunidade universitária.

Mesmo diante dos avanços alcançados nas políticas de inclusão e permanência estudantil, a Reitoria reconheceu a legitimidade das reivindicações apresentadas pelo movimento estudantil e a necessidade de aperfeiçoamento contínuo das políticas universitárias. Com esse objetivo, foi conduzido um amplo processo de negociação entre a comissão de negociação e a representação estudantil, resultando na construção de uma proposta que consolidou compromissos, encaminhamentos e instrumentos institucionais destinados ao fortalecimento das condições de permanência, inclusão e formação acadêmica na Universidade.

A Proposta da Reitoria encaminhada em 03 de junho contemplou um conjunto expressivo de medidas, entre as quais se destacam:

Permanência estudantil: criação de GT paritário para discussão das bolsas de permanência, manutenção da Bolsa Auxílio Moradia para estudantes em estágio, ampliação dos espaços físicos da DEAPE e fortalecimento das políticas de apoio estudantil;

Saúde mental e acolhimento: contratação de sete novos psicólogos para DEAPE e SAPPE, ampliação da equipe de Limeira e contratação de psicólogos e assistentes sociais para SAVS e SAER;

Moradia e condições de permanência em Limeira: criação de GT paritário para viabilização da moradia estudantil, com perspectiva de investimento de até R$ 20 milhões, além de medidas voltadas ao transporte estudantil, acessibilidade, convivência e ampliação dos serviços de apoio;

Acessibilidade, inclusão e diversidade: criação de comissões de acompanhamento, encaminhamentos relativos à acessibilidade no vestibular, políticas de permanência trans, melhorias na moradia estudantil e formação continuada de servidores;

Participação e acompanhamento institucional: criação de grupos de trabalho e comissões paritárias voltadas ao acompanhamento das políticas de permanência, acessibilidade, segurança universitária, extensão, transparência das obras e demais temas debatidos durante as negociações;

Garantias acadêmicas para o pós-greve: compromisso de não perseguição institucional aos participantes do movimento, reorganização acadêmica pelas instâncias competentes, preservação das condições de aprendizagem e adoção de medidas destinadas à adequada reposição das atividades.

Além dessas medidas, foram incorporados compromissos específicos relacionados aos programas ProFIS e ProFIIVI, ao vestibular indígena, à política de acessibilidade, à ampliação da participação comunitária na extensão universitária, às condições de permanência na moradia estudantil e a diversas outras demandas apresentadas ao longo das negociações. A Reitoria reafirma seu compromisso com a implementação dos encaminhamentos previstos e com a continuidade dos espaços de acompanhamento e diálogo estabelecidos durante as negociações. 

A decisão da assembleia estudantil pela continuidade da greve e, posteriormente, pela ocupação da Diretoria Geral da Administração ocorreu após a apresentação da proposta resultante das negociações. Trata-se de uma decisão cujo significado merece reflexão por parte de toda a comunidade universitária, especialmente diante dos avanços produzidos pelo diálogo e formalizados na proposta apresentada. É por essa razão que a Reitoria torna públicos os termos da proposta, permitindo que estudantes, docentes, servidores e sociedade conheçam os resultados efetivamente alcançados no processo de negociação e formem seu próprio entendimento sobre os acontecimentos recentes e sobre os caminhos mais adequados para o fortalecimento da Universidade.

A Reitoria continuará aberta ao debate e ao aperfeiçoamento de suas políticas. Ao mesmo tempo, conclama a comunidade universitária a reconhecer os avanços concretamente alcançados, preservar os espaços institucionais de diálogo e contribuir para que a defesa de direitos continue fortalecendo — e não enfraquecendo — a instituição que construímos coletivamente ao longo de gerações. Os desafios que permanecem exigem persistência, participação e compromisso. Exigem também ponderação, responsabilidade coletiva e disposição para transformar conquistas alcançadas em novos avanços para toda a comunidade universitária.

Reitoria da Universidade Estadual de Campinas


Abaixo, a íntegra do documento com as propostas

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