Como enfrentar os desafios de um mundo marcado pela crise climática, pelas desigualdades sociais, pelas transformações econômicas e pelas mudanças profundas nos modos de viver e ocupar os territórios? : no dia 10 de setembro, professores eméritos e doutores honoris causa de diferentes instituições brasileiras se reúnem no fórum especial “Diálogos para o Futuro: professores eméritos e honoris causa frente aos desafios socioambientais”.
O Fórum é uma correalização da Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (Proeec) e da Diretoria Executiva de Sustentabilidade (DExS), com apoio do Gabinete do Reitor.

A proposta reconhece que a sustentabilidade não é apenas uma questão ambiental. Ela envolve também as formas de organização das cidades, a produção e a distribuição de alimentos, as desigualdades sociais, a cultura, a justiça, a economia, as relações internacionais e os modelos de desenvolvimento. Por isso, o encontro foi estruturado a partir de diferentes perspectivas e áreas do conhecimento, promovendo um diálogo interdisciplinar sobre as transformações ambientais, sociais, econômicas e culturais associadas à crise climática.
Reunir professores eméritos e personalidades reconhecidas por suas contribuições à ciência, à cultura e à sociedade significa também reafirmar o papel da universidade como espaço de reflexão crítica sobre os grandes problemas do país e do mundo. São trajetórias que ultrapassam os limites da produção acadêmica.
Entre os participantes, estão pesquisadores que atuaram na formulação de políticas públicas, na gestão de instituições científicas e universitárias e em processos de transformação social. “São experiências que permitem aproximar conhecimento científico, memória institucional, formulação de políticas e leitura crítica da realidade”, afirma Roberto Donato, diretor executivo de sustentabilidade da Unicamp. É o caso, por exemplo, de Paulo Artaxo, emérito pela Universidade de São Paulo (USP), referência internacional nos estudos sobre mudanças climáticas, meio ambiente, Amazônia, aerossóis atmosféricos e poluição do ar urbano.
No campo da biodiversidade, Thomas Lewinsohn, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, reúne décadas de pesquisa em ecologia e conservação, além de participação na construção de políticas científicas e ambientais. Especialista em Zootecnia e emérita da UnB, Concepta McManus, por sua vez, traz ao debate sua experiência em conservação de recursos genéticos, genética de paisagem e políticas públicas de ciência e educação.

Essa diversidade se estende ao debate sobre o urbano. Vahan Agopyan, engenheiro e ex-reitor da USP, possui trajetória ligada à sustentabilidade da construção e à gestão acadêmica e científica. Maria Stella Bresciani, historiadora da Unicamp e pioneira nos estudos de história urbana, cidadania e movimentos sociais, contribui para compreender como as cidades e as sociedades se transformaram ao longo do tempo. Já Ermínia Maricato, arquiteta e urbanista, traz uma experiência singular na formulação de políticas públicas de reforma urbana, habitação e planejamento, além de sua atuação na defesa do direito à cidade e da gestão democrática do solo urbano.
Os três eméritos compõem o painel “O futuro do urbano: espaço, clima e cidadania”, que tem como objetivo discutir a intersecção entre território, mudanças climáticas e vida social. “A escolha desse tema evidencia uma das características centrais do fórum: compreender que pensar sustentabilidade significa também discutir como as pessoas vivem, onde vivem e quais condições de acesso têm à cidade, aos recursos e às oportunidades”, apontou Thalita Dalbelo, arquiteta e assessora da DExS.
Essa perspectiva aparece igualmente no eixo dedicado a “Imaginar o amanhã: cultura, justiça e a construção do Brasil”, que reunirá Nilma Bentes, da Universidade Federal do Pará (UFPA), Élide Rugai Bastos do Instituto de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, e Carlos Vogt, ex-reitor da Unicamp e professor do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). A presença de diferentes campos — do pensamento social brasileiro à literatura, à comunicação, à cultura, às questões raciais e à justiça — amplia a compreensão sobre os caminhos necessários para a construção de sociedades mais justas.
O quarto eixo, “A nova (des)ordem mundial: economia, diplomacia e governança na era global”, coloca em discussão as dimensões internacionais dos desafios contemporâneos, com Edna Castro (UFPA), Gustavo Lins Ribeiro (UnB) e Luiz Gonzaga Belluzzo (Unicamp).

Um diálogo entre gerações e áreas do conhecimento
Mais do que uma sequência de palestras, o fórum propõe um encontro entre diferentes experiências e perspectivas. Ao colocar lado a lado pesquisadores das ciências naturais, engenharias, humanidades, economia, relações internacionais, urbanismo, cultura e comunicação, a iniciativa aposta na interdisciplinaridade como condição para compreender problemas que são, por natureza, interdependentes. O próprio desenho do encontro traduz essa intenção. Os quatro grandes eixos abordam alimentação e clima; espaço urbano, clima e cidadania; cultura, justiça e construção do Brasil; e economia, diplomacia e governança global.
Nesse contexto, valorizar professores significa reconhecer que a experiência acumulada ao longo de décadas de pesquisa, ensino, gestão e atuação pública continua sendo uma fonte de conhecimento relevante para interpretar os desafios do presente.
O fórum será realizado no Centro de Convenções da Unicamp, no dia 10 de setembro, com abertura às 9h e programação ao longo de todo o dia.
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