

Cientistas e representantes de órgãos de fomento reuniram-se na Unicamp na manhã desta quarta-feira (19) para avaliar os avanços do projeto LBNF/Dune (Long-Baseline Neutrino Facility / Deep Underground Neutrino Experiment). Considerado um dos mais complexos da física contemporânea, o experimento é sediado no Fermilab, laboratório de física de partículas do Departamento de Energia dos Estados Unidos.
O Dune é a iniciativa mais ambiciosa da história no estudo dos neutrinos, partículas subatômicas fundamentais para compreender a origem, composição e evolução do universo. O projeto vai exigir investimentos de US$ 3,7 bilhões e reúne cerca de 1,4 mil pesquisadores de 200 instituições espalhadas por 37 países. A Unicamp é a principal representante brasileira no consórcio e desempenha papel crucial no desenvolvimento de duas tecnologias vitais para a operação: os sistemas de fotodetecção e a purificação de argônio líquido.

Durante o encontro, o vice-diretor de Projetos do LBNF-DUNE, Ron Ray, apresentou o panorama global das instalações norte-americanas, enquanto o professor Thiago Alegre, da Unicamp, detalhou a engenharia e o cronograma do sistema de purificação em produção no Brasil.
O físico Pascoal Pagliuso, coordenador do Projeto de Criogenia do LBNF-Dune pela Unicamp, destacou a relevância do alinhamento técnico. “Discutimos todas as etapas, desde os projetos já concluídos até os passos necessários para a entrega final dos equipamentos em Dakota do Sul antes do início das operações.”
Segundo ele, o financiamento “está seguro e organizado”. O aporte brasileiro é de R$ 180 milhões, custeado em partes iguais pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), agência ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Pagliuso anunciou que em setembro a Unicamp sediará o Dune Collaboration Meeting, encontro global que reunirá a comunidade científica do experimento. “Cientistas envolvidos no projeto virão aqui para a Unicamp para discutir o desenvolvimento”, contou.
De acordo com ele, entre setembro e novembro, o projeto passará por revisões técnicas decisivas de engenharia que antecedem a fase de fabricação industrial. A produção dos componentes envolverá universidades e indústrias nacionais, promovendo transferência de tecnologia de ponta para o setor produtivo do país.
O experimento
Por meio do Dune, os cientistas tentam descobrir se os neutrinos podem ser a razão pela qual o universo é feito de matéria. Para isso, um detector gigante será instalado a 1.400 metros de profundidade no estado da Dakota do Sul, a 1.300 quilômetros do acelerador de partículas que gerará um feixe de neutrinos, em Chicago. Preenchidos com 17 mil toneladas de argônio líquido resfriado a -184 °C, os detectores registrarão as raras interações dessas partículas. Os primeiros dados devem começar a ser coletados em 2030.
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