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Seminário defende linguagem simples como ferramenta de cidadania

Reitores das três universidades públicas estaduais e representantes de órgãos de controle e da administração pública participaram do encontro

seminário sobre linguagem simples no auditório da FCM
Seminário sobre uso de linguagem simples em documentos oficiais realizado no auditório da FCM\Unicamp

Reitores das três universidades estaduais paulistas – Unicamp, USP e Unesp – e representantes de órgãos de controle e da administração pública estadual defenderam nesta segunda-feira (17), na Unicamp, a utilização da linguagem simples na gestão pública não apenas como técnica de redação, mas especialmente como ferramenta de cidadania, combate à corrupção, inclusão social e eficiência na gestão.

Durante seminário realizado no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), o subsecretário de Gestão do Estado de SP, Renato Fenili, lembrou que a ferramenta vai além da ideia restrita de eficácia de um ato administrativo. 

“Trata-se de um instrumento de prevenção de desvios e alinhamento ao 16º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 16) da ONU”, disse. O ODS 16 busca promover sociedades pacíficas e inclusivas, garantir o acesso à Justiça para todos e criar instituições fortes, transparentes e responsáveis em todos os níveis até 2030. 

seminário sobre linguagem simples no auditório da FCM
O reitor Paulo Cesar Montagner (ao microfone), Fernando Coelho (dir.) e Aluísio Segurado

 O coordenador-geral da Unicamp, professor Fernando Coelho, disse que a prática adotada nas universidades deveria transbordar para o restante do país. “Espero que seja um movimento que se expanda e que a gente possa, cada vez mais, ter a linguagem simples como um sinônimo de exercício pleno da cidadania”, disse ele. “E que todas as pessoas, independente de qual seja o seu grau de conhecimento, sejam capazes de entender aquilo que o Estado pretende e aquilo que o Estado quer implementar”, acrescentou.

O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, citou as dificuldades enfrentadas na adaptação às novas regras de contratações públicas e nos processos de importação para pesquisa. Por conta disso, reforçou a importância do diálogo contínuo entre universidades, Judiciário e órgãos de controle. “Esse tipo de mecanismo é fundamental para que a gente se aproxime cada vez mais dos órgãos públicos de Estado e dos órgãos assessores. É importante também para que as universidades possam colocar o seu conhecimento à disposição da sociedade”, afirmou Montagner. 

O reitor da USP, Aluísio Segurado, apontou a linguagem simples como vetor de transparência, responsabilidade e eficiência no uso de recursos públicos. Segundo ele, a complexidade de implementar a prática em instituições de grande porte (a comunidade da USP conta com mais de 120 mil pessoas, lembrou) exige treinamento de chefias e setores administrativos de forma a garantir eficiência com segurança jurídica. 

 subsecretário de Gestão do Estado de SP, Renato Fenili,
Seminário sobre uso de linguagem simples no auditório da FCM

“A linguagem simples será o mecanismo pelo qual podemos aprimorar a nossa capacidade de comunicação e diálogo, não apenas internamente, mas também, e principalmente, com os interlocutores dos diferentes setores da sociedade, incluindo os órgãos de controle externo tão importantes para acompanhar a gestão dos serviços públicos”, disse Segurado.

A reitora da Unesp, Maysa Furlan, afirmou que a utilização da linguagem simples não é apenas um exercício de retórica. “Ela tem que vir para quebrar paradigmas e para nos aproximar da sociedade brasileira”, disse.  

O coordenador-executivo da Escola de Educação Corporativa (Educorp) da Unicamp, Edison Lins, lembrou que a Universidade iniciou a aplicação da linguagem simples por volta de 2021, com a contribuição técnica do servidor Thiago Pinheiro Rosa. A iniciativa já resultou em acordos com órgãos externos como o Tribunal Regional do Trabalho, Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União e a Secretaria de Gestão do Governo Digital.

Também participaram do encontro Guilherme Jardim, procurador do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, e Julia Plenamente, subprocuradora-geral do Estado de São Paulo.

Foto de Capa

seminário sobre linguagem simples no auditório da FCM
O subsecretário de Gestão, Renato Fenili (3º a partir da esq.), durante painel sobre uso de linguagem simples
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