Toda inovação percorre um caminho antes de chegar à vida das pessoas. Ela nasce em laboratórios, amadurece ao longo de anos de pesquisa, transforma-se em propriedade intelectual e, quando encontra parceiros para sua aplicação, ultrapassa os limites da Universidade. É esse percurso, que envolve desde a proteção à transferência de tecnologia, que a Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) celebra na 19ª edição do Prêmio Inventores da Unicamp.
Neste ano, o evento homenageia a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e o Instituto de Biologia (IB), que foram premiados respectivamente nas categorias Unidade Destaque na Proteção da Propriedade Intelectual e Unidade Destaque na Transferência de Tecnologia. Os vencedores foram anunciados nesta terça-feira (4), no salão nobre da FEA, durante o Meetup Prêmio Inventores, que teve como tema central o uso da inteligência artificial nos processos de inovação.
Além de destacar essas duas unidades, o Prêmio Inventores da Unicamp também reconhece 194 responsáveis por invenções que, tendo sua propriedade intelectual protegida pela Universidade, foram licenciadas e absorvidas pelo mercado em 2025. Patentes, programas de computador, know-how e outras formas de proteção intelectual ampliaram as possibilidades para além de resultados acadêmicos, potencializando a transformação da pesquisa em soluções capazes de gerar impacto econômico, social e ambiental.
“Cada inventor reconhecido nesta edição representa uma pesquisa que encontrou caminhos para ir além dos laboratórios. As Unidades da Unicamp são fundamentais nesse processo, ao fortalecer a cultura da propriedade intelectual e da transferência de tecnologia, em conjunto com a Inova Unicamp, desde o início das pesquisas. Esse trabalho contínuo amplia o potencial de conexão com parceiros e acelera o caminho para que novas tecnologias alcancem a sociedade. Neste ano, a Faculdade de Engenharia de Alimentos e o Instituto de Biologia se destacam por esse compromisso, que expressa uma cultura de inovação presente em toda a Unicamp”, disse Renato Lopes, diretor-executivo da Inova Unicamp.
A premiação também destaca cinco empresas spin-offs acadêmicas criadas a partir de tecnologias ou conhecimentos desenvolvidos na Unicamp. Essas empresas representam outra forma de levar a pesquisa para além da Universidade, transformando conhecimento em novos negócios.
Os resultados revelam a dimensão desse movimento. Na categoria Propriedade Intelectual Licenciada, foram reconhecidas 179 pessoas envolvidas em 42 contratos de transferência que contemplaram 36 tecnologias da Unicamp. Já a categoria Tecnologia Absorvida no Mercado homenageou 21 inventores responsáveis por três tecnologias que, além de licenciadas, passaram a gerar royalties para a Universidade. As cinco empresas reconhecidas na categoria Spin-off Acadêmica completam esse ciclo ao demonstrar como a pesquisa também impulsiona o empreendedorismo de base científica e tecnológica.
O reconhecimento se estende ainda a pesquisadores que deram os primeiros passos no processo de inovação. Ao todo, 328 profissionais da Unicamp receberam certificado de homenagem na categoria Patente Depositada, tendo comunicado invenções que geraram 77 depósitos de pedidos de patente realizados com estratégia da Inova Unicamp em 2025. Cada depósito amplia o Portfólio de Tecnologias da Universidade e cria novas oportunidades para parcerias com o setor empresarial.
FEA reforça compromisso com a proteção da propriedade intelectual
A trajetória da inovação tem como um dos pontos principais a proteção da propriedade intelectual. Em 2025, foi nesse aspecto que a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) se destacou.
Pelo quinto ano consecutivo, a FEA recebe o troféu de Unidade Destaque na Proteção à Propriedade Intelectual, concedido à unidade da Unicamp com maior desempenho em depósitos de pedidos de patente. Em 2025, docentes, pesquisadores e alunos da Faculdade participaram de 27 dos 77 pedidos de patente formalizados pela Universidade no Brasil, com apoio estratégico da Inova Unicamp.
O reconhecimento reflete uma cultura consolidada de valorização da propriedade intelectual, que antecede a divulgação dos resultados científicos e amplia as possibilidades de transferência para o setor produtivo.
Entre as tecnologias desenvolvidas pela unidade está uma solução que reúne biodiversidade amazônica e economia circular para criar novos ingredientes destinados à indústria de alimentos. Em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Good Food Institute Brasil, pesquisadores utilizaram fungos amazônicos para fermentar cascas de batata, aveia e resíduos de açaí.
O processo gera aromas naturais –entre eles um aroma de maracujá que, durante o aquecimento, adquire características semelhantes às de caldo de carne –, além de aumentar o teor de proteínas e produzir compostos bioativos. A tecnologia pode contribuir para o desenvolvimento de ingredientes mais sustentáveis, especialmente no mercado de proteínas alternativas.
Leia mais sobre a tecnologia: Farinha vegetal com gosto natural de carne
Instituto de Biologia leva resultados de pesquisa ao setor empresarial
Enquanto a FEA se destacou pela proteção dos resultados de pesquisa, o Instituto de Biologia (IB) da Unicamp foi reconhecido pelo passo seguinte: transferir essas tecnologias para instituições públicas e privadas.
Premiado pela primeira vez em 2022, novamente em 2024 e agora em 2026, o IB conquista seu terceiro troféu como Unidade Destaque na Transferência de Tecnologia. No ano passado, pesquisadores da unidade participaram da transferência de seis tecnologias da Unicamp, contribuindo para os 38 contratos formalizados pela Universidade, com estratégia conduzida pela Inova e com envolvimento da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).
Entre essas tecnologias está uma plataforma voltada ao tratamento do câncer de bexiga em estágio não músculo-invasivo, especialmente para pacientes que não respondem ao tratamento convencional com Bacillus Calmette-Guérin (BCG).
A solução utiliza uma nanoestrutura capaz de transportar um composto que bloqueia uma enzima responsável por dificultar o reconhecimento do tumor pelo sistema imunológico. Ao mesmo tempo, essa estrutura estimula as defesas naturais do organismo, potencializando sua capacidade de identificar e combater as células cancerígenas.
Os estudos também apontaram potencial de aplicação da plataforma em diferentes tipos de câncer, como os de pulmão, próstata, mama, rim e colorretal, além de demonstrar viabilidade para sistemas de entrega controlada de fármacos.
O caso exemplifica como a transferência de tecnologia permite que descobertas científicas avancem em direção ao desenvolvimento de novas soluções terapêuticas.
Um ecossistema que amadurece
Para Iara Ferreira, coordenadora de Negócios e Inovação da Inova Unicamp e responsável pelas áreas de propriedade intelectual, transferência de tecnologia e parcerias, os resultados da 19ª edição do Prêmio Inventores refletem a consolidação de uma cultura de inovação construída ao longo dos anos.
“A cada edição do Prêmio Inventores, enxergamos com mais clareza a maturidade do nosso ecossistema de inovação. Não são apenas números crescentes de contratos e tecnologias transferidas. É a consolidação de uma cultura que une pesquisadores, empresas e sociedade em torno de um mesmo propósito. Quando unidades como a FEA e o IB se destacam ano após ano, isso confirma que a inovação está sendo pensada desde o princípio das pesquisas”, afirma.
A 19ª edição do Prêmio Inventores evidencia o amadurecimento de um ecossistema que transforma pesquisa em desenvolvimento. Os resultados alcançados em 2025 superam os da edição anterior tanto no número de inventores premiados quanto no volume de contratos de transferência de tecnologia formalizados. Cada patente protegida, tecnologia licenciada ou empresa criada indicam um movimento contínuo de aproximação da ciência produzida na Universidade das demandas da sociedade e da indústria.
Matéria publicada originalmente no site da Inova Unicamp.
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