
Buscar novas formas de financiamento, fortalecer a participação em redes nacionais e internacionais de pesquisa e reforçar ações afirmativas. Estas são algumas das ações adotadas pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRGP) da Unicamp, segundo avaliação feita pela pró-reitora Claudia Morelli no balanço de 1º ano da gestão.
“Acredito que uma das marcas [da gestão] até agora seja a busca por uma PRPG mais estratégica no cenário nacional e internacional, integrada e próxima dos programas”, disse ela. “Buscamos fortalecer uma visão contemporânea de pós-graduação, em que a excelência acadêmica caminhe junto com internacionalização, inclusão, impacto social e formação qualificada de recursos humanos”, acrescentou.
Neste ano, a PRPG anunciou a abertura de inscrições para um novo projeto de mobilidade internacional, destinado a estudantes de mestrado e doutorado que ingressaram na universidade por meio de ações afirmativas. “A proposta desse programa surgiu justamente da compreensão de que a internacionalização também precisa ser inclusiva”, diz a professora.
Morelli conta que, historicamente, muitos estudantes que ingressam por ações afirmativas enfrentam barreiras adicionais para acessar oportunidades internacionais. O objetivo do programa é contribuir para reduzir essas desigualdades e ampliar o acesso à experiência acadêmica internacional.
“Além do impacto individual para os estudantes, acreditamos que a iniciativa também contribui para tornar a internacionalização da universidade mais diversa, representativa e institucionalmente mais rica”, avalia.
Morelli acredita ter havido outros avanços importantes nesse processo. Segundo ela, a internacionalização deixou de ser vista apenas como uma ação pontual e passou a ser tratada cada vez mais de forma estratégica e institucional.

Neste ano, a Unicamp foi contemplada pelo edital do Capes-Global – um programa do governo federal brasileiro focado em promover a internacionalização e a colaboração científica na pós-graduação, com a proposta da rede SustentNET, que reúne universidades de diferentes regiões do país em torno do tema ‘Sustentabilidade e Impacto nos Territórios: Intersecções Estratégicas’.
A rede SustentNET integra diferentes áreas do conhecimento em temas estratégicos relacionados à sustentabilidade, à saúde, aos direitos humanos, à inovação, à biodiversidade e à transformação territorial. A Unicamp lidera a rede, que é integrada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).
Área acadêmica
Na área acadêmica, Morelli identifica fortalecimento da visão de disciplinas transversais ligadas à PRPG, permitindo o acesso a estudantes de diferentes programas de pós-graduação, para além das especificidades de suas áreas.
“Iniciamos neste semestre esse movimento com a disciplina ‘Trilha do conhecimento e da inovação’, voltada à inovação. Temos planos para mais duas propostas de disciplinas estratégicas para a formação complementar dos nossos alunos, especialmente em temas considerados cada vez mais relevantes para a pós-graduação contemporânea”, revela.
A professora adverte ainda que é preciso atrair alunos estrangeiros e facilitar acordos de duplo diploma e cotutela. “Temos de trazer alunos de fora, mas, para isso, precisamos incrementar o número de disciplinas em inglês”, pondera.
Processos
A pró-reitora avalia ter havido avanços em outras frentes neste período. Segundo ela, o órgão promoveu revisão e melhoria de processos internos da PRPG. Por exemplo, com o GoPG – uma ferramenta de integração de dados da pós-graduação que aprimora a comunicação entre a universidade e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Morelli pondera que, embora o acordo Unicamp-Capes tenha sido assinado na gestão anterior, a organização e a implementação estão ocorrendo agora, com uma atuação que tem o apoio do Escritório de Dados e Apoio à Transformação (EDAT) Unicamp.
A ideia é facilitar o trabalho dos coordenadores e trazer mais segurança aos programas em relação às informações encaminhadas à Capes por meio da Plataforma Sucupira – o banco de dados e o sistema de gestão da pós-graduação do Brasil.
Desafios
Entre os desafios para os próximos anos, a pró-reitora lembra a busca por novas fontes de financiamento da pós-graduação. Conta que um Grupo de Trabalho (GT) foi montado exclusivamente para esse fim e deverá apresentar uma proposta nas próximas semanas.
“A manutenção da qualidade dos programas, a permanência estudantil, a internacionalização e a própria capacidade de inovação dependem diretamente de políticas consistentes de financiamento e apoio de diferentes esferas”, argumenta Morelli.
“Além disso, acredito que teremos um desafio crescente relacionado à transformação digital, ao uso ético e produtivo da inteligência artificial e o incremento da oferta de disciplinas em inglês”, acrescenta.
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