

O reitor, Paulo Cesar Montagner, e o coordenador-geral, Fernando Coelho, fizeram um balanço positivo do primeiro ano de gestão na Unicamp. Para eles, medidas adotadas no período deverão marcar o início de um processo de redesenho da Universidade para os próximos anos. Os dirigentes avaliam que a Unicamp ganhou novas perspectivas de financiamento e, com isso, poderá se modernizar administrativamente e planejar com segurança o projeto de expansão acadêmica – com a implantação de novos cursos e a ampliação no número de alunos.
“Estamos plantando sementes para concluir os projetos nos anos seguintes, para que, quando chegarmos ao fim da gestão, tenhamos projetos concluídos; uns encaminhados, e outros amadurecidos”, afirmou o reitor.
“A gestão tem como principal marca, até aqui, preparar a Universidade para o futuro, pensando em uma instituição maior, que atenda às demandas da sociedade. Isso se traduz em crescimento e modernização”, explicou Coelho.
“O legado que a gestão pretende deixar é o de uma Universidade que se expande; permite que mais pessoas usufruam do conhecimento e da formação que ela oferece, com um crescimento sustentado e constante pelos próximos 60 anos”, acrescentou.
A chave para o crescimento, segundo a reitoria, está em melhorar os modos de financiamento da Universidade. Uma das alternativas em estudo é a mudança na forma de gestão da área da saúde.
“Hoje temos um grande problema. A Universidade não consegue manter a área da saúde com a excelência de infraestrutura de que ela precisa”, diz Coelho. “Só que também não consegue fazer o financiamento necessário nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Ou seja, não conseguimos avançar em nenhuma frente”, argumenta. Uma forma de superar o problema, diz, é a autarquização da área da saúde.
“Esse era um tema que não estava no nosso programa, mas foi um processo que aconteceu ao longo do tempo e que, obviamente, pode ser uma alternativa muito eficaz para resolvermos o problema”, afirmou.

A proposta sugere um novo modelo para o setor – que passaria a ser vinculado à Secretaria Estadual de Saúde para fins orçamentários, mas permaneceria ligado à Universidade no campo do ensino, do treinamento de estudantes de cursos de graduação e pós-graduação e do aperfeiçoamento de médicos. A assistência também continuaria com atendimento integral a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Os servidores que hoje trabalham na saúde seriam mantidos, e seus direitos trabalhistas garantidos.
Cursos
O primeiro ano foi marcado também pela aprovação no Conselho Universitário (Consu) da criação de cinco novos cursos – Relações Internacionais e Inteligência Artificial e Ciência de Dados, que serão oferecidos já a partir de 2027, e História Noturno e Licenciatura em Letras-Inglês, com início previsto para 2028. Além destes, o conselho endossou a viabilização do curso de Teatro – do Instituto de Artes (IA) –, que havia sido aprovado em 2019. Atualmente, a Universidade oferece 65 cursos na graduação.
Estão em estudo, também, as propostas de criação da Faculdade de Direito e do curso de Direito.
Permanência
A reitoria diz estar empreendendo grande esforço no fortalecimento das políticas de inclusão e permanência estudantil. Para o orçamento de 2026, a Unicamp reservou o valor recorde de R$ 211,1 milhões para a política de permanência estudantil.
Os dirigentes mencionaram a aquisição de uma área de aproximadamente 44 mil metros quadrados no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, destinada à ampliação do programa de moradia para estudantes.
Localizado na Avenida Santa Isabel, nº 1.721, ao lado da atual área de moradia, o terreno deverá ser ocupado por módulos residenciais com capacidade para abrigar até 1,4 mil estudantes. Trata-se da maior expansão da história do programa, iniciado no final dos anos de 1980 e que hoje acolhe cerca de mil estudantes.
O valor investido na compra do terreno foi de R$ 20 milhões e o processo de construção das moradias está próximo de começar, segundo a reitoria.
Sul Global
A reitoria lembra também que, no seu projeto de internacionalização, a Unicamp mantém parcerias e colaborações já tradicionais com universidades do norte da América, da Europa ou Ásia, mas agora tem estimulado a aproximação com instituições acadêmicas do chamado Sul Global – bloco de nações que inclui a maior parte da América Latina, da África, da Ásia e da Oceania. Os países do Sul Global geralmente compartilham histórico de colonização, desigualdade social e forte dependência externa.

“Hoje vemos que existe um redesenho da geopolítica mundial, que está caminhando para ter muita coisa acontecendo no sul, em alguns ambientes da Ásia Central e, obviamente, também no Hemisfério Sul”, diz Coelho.
“E, quando falo Hemisfério Sul, estou falando de América Latina; incluo o Caribe, a América Latina, a América Espanhola e, atravessando o oceano, o continente africano”, afirmou.
Para a reitoria, houve, ainda, o fortalecimento de redes de pesquisa nacionais e internacionais e o aumento na participação de pesquisadores da Unicamp em projetos colaborativos com instituições estrangeiras de alto nível.
Valorização
A reitoria diz que tem trabalhado pela valorização do servidor. Informa que houve avanços na recomposição do quadro de docentes e técnico-administrativos, revisão de fluxos e processos de recursos humanos e incentivo à qualificação continuada. Como parte desse movimento de modernização, a Educorp estuda aumentar seu portfólio de cursos.
Aniversário
Montagner e Coelho lembram que este é um ano especial por conta do 60º aniversário da fundação da Universidade. Segundo os dirigentes, vários eventos já foram realizados, e outros seguirão ocorrendo ao longo do ano.
“Estamos organizando uma cerimônia de final de ano, que será uma cerimônia de aniversário. A ideia é que possamos fazer alguma coisa muito significativa, que toque na emoção das pessoas, porque, fundamentalmente, é um momento de comemoração importante na universidade”, disse Coelho. “Apesar de jovem, a Unicamp atingiu um nível de maturidade invejável, e isso só aumenta nossa responsabilidade como gestão”, finalizou o coordenador-geral.
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