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Katia Dedini é a primeira mulher a assumir a direção da Faculdade de Engenharia Mecânica

Posse marca transição histórica na unidade, com foco em novos docentes

A posse da professora Katia Lucchesi Cavalca Dedini na direção da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM), para o quadriênio 2026–2030, nesta quarta-feira (29 de abril), marca novos tempos na unidade de ensino. Em meio à maior renovação geracional do instituto que a recebeu, em 1986, para o mestrado em Engenharia Mecânica, a professora é a primeira mulher a assumir o cargo. Ao se referir aos docentes que chegam agora, revelou uma de suas missões: “Os professores jovens precisam manter o brilho nos olhos. Sem isso, perdemos o sentido do que fazemos.”

Ao lado de uma diretora associada, a professora Carla Kazue Nakao Cavaliero – que acompanhou a cerimônia virtualmente, dos Estados Unidos, por estar em um programa de pós-doutorado –, Dedini assume a direção em um contexto que amplia não apenas a diversidade na liderança, mas também as expectativas sobre o futuro da FEM. A nova gestão sinaliza uma mudança que vai além da representação: inscreve a unidade em um movimento mais amplo de transformação institucional, ainda em andamento, especialmente em áreas tradicionalmente masculinas.

A nova diretora já havia experimentado o lugar de exceção: ainda estudante, foi a única mulher em um grupo de 11 engenheiros durante estágio no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (CTA). Sua trajetória na FEM confunde-se com sua vida pessoal: foi ali que conheceu o marido, Franco Dedini, também professor da unidade, e que viu a única filha crescer. Hoje, é avó de dois netos, gêmeos de seis meses, que acompanharam a cerimônia. Dedini ingressou como docente na Unicamp em 1996, após concluir o mestrado na própria instituição, em 1988, e o doutorado no exterior, no Politécnico de Milão.

Mais do que uma cerimônia protocolar, sua posse reuniu diferentes gerações. Ex-diretores da FEM, docentes veteranos e recém-chegados, servidores e um grande grupo de alunas do projeto “Elas na Engenharia” a receberam com atenção e carinho. “Não seria quem sou hoje sem as pessoas que construíram essa trajetória comigo, dentro e fora da faculdade. Minha formação aqui não foi apenas técnica, foi também ética, humana e coletiva”, afirmou.

Dedini conta que assumiu funções administrativas, inicialmente, sem muito entusiasmo. “Sempre fui muito ligada ao laboratório, às aulas, aos meus orientandos”, disse. Ao longo dos anos, no entanto, acumulou experiências como chefe de departamento, coordenadora de programas de pós-graduação e coordenadora geral, até assumir, nos últimos quatro anos, a diretoria associada da FEM. Foi nesse período que passou a enxergar a gestão como uma forma distinta de contribuição. “Hoje vejo que posso atuar criando condições para que a comunidade realize seu melhor trabalho.”

O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, que presidiu a cerimônia, destacou que a instituição atravessa uma das mais intensas transições de sua história. “Estamos diante de uma troca geracional muito forte, talvez a maior da história recente da Universidade”, afirmou. Essa renovação, destacou, não é apenas numérica, mas qualitativa. “Estamos recebendo uma nova geração que chega com energia, com vontade de transformar. O desafio é fazer com que essa renovação dialogue com o legado construído, para que possamos avançar ainda mais.”

Ao olhar para a FEM, o reitor destacou sua trajetória como parte fundamental da história da Unicamp. Criada ainda nos anos iniciais da Universidade, a unidade consolidou-se como uma das principais escolas de engenharia do país, com reconhecimento nacional e internacional. “A FEM não se define apenas por seus prédios, seus laboratórios ou seus indicadores de excelência. Ela se constrói, sobretudo, pelo trabalho das pessoas que dão vida a essa instituição”, afirmou. “A trajetória da professora Katia se soma à de tantos outros que ajudaram a construir essa história. Desejo que a gestão que se inicia seja marcada pela sabedoria, pela firmeza de propósitos e pela capacidade de inspirar a comunidade.”

O professor Arnaldo Cesar Walter: diálogo com a comunidade
O professor Arnaldo Cesar Walter: diálogo com a comunidade

O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, apontou a convivência entre gerações como uma das chaves para compreender o momento atual. “Temos uma base sólida, construída ao longo de décadas, convivendo com uma nova energia que chega para oxigenar a unidade”, disse. Para Coelho, essa coexistência cria uma oportunidade singular: a de transmitir legados enquanto se experimentam novas possibilidades. A presença de docentes mais experientes, ao lado de novos ingressantes, permite que o conhecimento acumulado não se perca, ao mesmo tempo em que abre espaço para revisões de cursos, de práticas, de perspectivas. “É nesse encontro entre experiência e impulso que se constrói o futuro.”

Ao encerrar sua gestão na diretoria, o professor Arnaldo Cesar da Silva Walter fez um balanço marcado pela franqueza. Destacou como principal compromisso cumprido o diálogo com a comunidade, mas reconheceu desafios que permanecem, como a revisão dos cursos de graduação e as condições de infraestrutura da unidade. Entre os avanços, ressaltou justamente a recomposição do quadro. Ao final de sua gestão, 25% dos docentes têm menos de cinco anos de casa, o que evidencia a dimensão da transição em curso. “É um grande desafio, mas também uma oportunidade de recomeço.”

É neste cenário que Dedini inicia sua gestão. Seu desafio será sustentar esse equilíbrio: preservar o legado e acolher o novo. Ao final de sua fala, a nova diretora sintetizou esse horizonte em poucas palavras: “respeito ao passado, compromisso com o presente e responsabilidade com o futuro que vamos desenhar juntos”.

Foto de capa:

A professora Katia Dedini assume a Engenharia Mecânica em meio a renovação geracional
A professora Katia Dedini assume a Engenharia Mecânica em meio a renovação geracional
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