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Jornal da Unicamp - Dezembro de 2000

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PESQUISA

Nossa garotada e as drogas

Uso de psicoativos entre adolescentes de Campinas está acima da média

O consumo de drogas lícitas e ilícitas entre adolescentes e jovens de Campinas supera a média do Brasil. O índice de experimentação é maior que os obtidos, por exemplo, em pesquisas realizadas no Rio de Janeiro, capital historicamente apontada como foco do narcotráfico no país. Os dados são de um estudo de doutorado feito em 1997 pelo médico sanitarista Elson da Silva Lima, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), da Unicamp. O título é "Drogas na adolescência: um estudo sobre exposição e riscos associados". O médico entrevistou 1.328 estudantes, com idades entre 12 e 20 anos, em sete escolas públicas da cidade e em uma oitava de Jaguariúna, município vizinho.

Do total de entrevistados, apenas 13,6% negaram ter experimentado qualquer uma das substâncias relacionadas – álcool, tabaco e tranquilizantes entre as drogas comercializadas, e maconha, cocaína e inalantes entre as ilegais. Em meio àqueles que admitiram experimentação de substâncias lícitas, ao longo da vida, 85% assinalaram as bebidas alcoólicas, 47,8% o tabaco e 9,3% os tranquilizantes. Campinas perde apenas para Ribeirão Preto em consumo de bebidas nesta faixa etária (85,5% contra 88,9%) – a média nacional é de 75,6%.

A prevalência de consumo de drogas ilícitas foi de 21,6% ao longo da vida, e de 8,4% nos trinta dias anteriores à data da entrevista. A maconha é a mais consumida e também a droga de iniciação para grande parte dos pesquisados: o índice foi de 12,8%, quase o dobro da média brasileira (7,6%) e mais que o dobro do Rio de Janeiro (6,3%).

Elson Lima é cuidadoso na comparação deste trabalho com outras pesquisas realizadas no Brasil. Ressalta que é um estudo epidemiológico transversal e não reflete rigorosamente a incidência em toda a população jovem de Campinas, embora a parcela seja considerável. Seu objetivo foi o de oferecer subsídios para serviços de prevenção ao uso de drogas, ajudando na orientação de programas que venham a ser implantados na região. Na opinião do sanitarista, ainda falta no país uma ação coordenada em níveis federal estadual e municipal. E observa que aos programas atuais faltam continuidade e avaliação criteriosa.

Iniciação precoce – No bufê da sala, uísque; na geladeira, cervejas; sobre o criado-mudo, cigarros. Muitas vezes é assim que o adolescente é estimulado a experimentar substâncias psicoativas. Embora a pesquisa de Elson Lima não questione quais as facilidades no acesso a drogas, o médico alerta para a necessidade de uma reavaliação das rotinas desses jovens e mesmo das famílias. Ele afirma que a média de idade de experimentação mostra uma tendência a diminuir cada vez mais e que esses números precisam ser apresentados às instituições envolvidas com a prevenção.

O levantamento aponta que 67,7% dos jovens têm fácil acesso a bebidas alcoólicas, 66,2% ao tabaco, 30% a maconha e 22,9% a cocaína. Alguns entrevistados do sexo masculino revelaram que ingeriram álcool ainda na infância, aos 10 anos de idade. No caso da maconha, a média de idade de iniciação registrada na amostra foi de 13 anos.

Lima observa que o primeiro ritual não é solitário, pois grande parte dos iniciantes atende ao apelo de amigos. Para ele, é raro o jovem ver-se forçado a provar psicoativos. "Os adolescentes sabem onde estão entrando e a facilidade que existe para isso". A decisão de experimentar drogas é muito menos difícil que outras tomadas por um jovem diante da vida.


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