Jornal da Unicamp 182 -  29 de julho a 4 de agosto de 2002
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Como lidar com a violência contra crianças

RONEI THEZOLIN

A “Violência doméstica contra a criança” virou aula da disciplina de Clínica Pediátrica do 4o ano da Faculdade Ciências Médicas (FCM), abrangendo todos os aspectos da violência familiar contra menores e as formas de lidar com as vítimas no momento do atendimento e no acompanhamento posterior. A professora Denise Barbieri Marmo, do Departamento de Pediatria da FCM, ministra a aula para 110 alunos, com o objetivo principal de apresentar esse importante problema de saúde aos futuros médicos.

Denise integra o Grupo VCCA (Violência Contra Crianças e Adolescentes), oficializado há aproximadamente um ano e formado por médicos, psicólogos e assistentes sociais que atendem as vítimas encaminhadas pelo Pronto-Socorro do HC ou pela rede de saúde de Campinas e região. São casos graves de abuso sexual, espancamento, drogas (administradas aos menores) e de negligência. O hospital sempre assistiu essas ocorrências, mas só agora de forma sistematizada por meio do VCCA.

Os procedimentos adotados são diversos, dependendo das circunstâncias: encaminhamento para cirurgias, encaminhamento para atendimento psicológico ou de assistência social, pedido de elaboração de boletim de ocorrência e comunicação ao Conselho Tutelar de Campinas. “A função do VCCA é resolver os casos graves e encaminhar os demais para os municípios acompanharem, principalmente aqueles de cunho social e econômico, já que não dispomos de todos os recursos”, afirma Denise, que também tem na equipe a psicóloga Evanimeire Alves e as assistentes sociais Miriam Martins e Taciana Lopes Bertholino.

Para o Grupo é fundamental a atuação conjunta dos profissionais no Ambulatório de Pediatria do HC, a fim de que as vítimas e as famílias recebam as orientações e o apoio adequados e para que as crianças se beneficiem e se reintegrem a uma vida familiar normal e também na comunidade. São atendidas vítimas até 14 anos incompletos, de todo o Estado, sempre às terças-feiras. O VCCA também promove palestras, publica trabalhos científicos e realiza campanhas de prevenção.

Dentro do lar – Números levantados pelo Grupo VCCA indicam que a grande maioria dos casos de violência familiar é praticada por pais, padrastos ou por parentes próximos à família, e dentro da casa da vítima. O abuso sexual, agudo ou crônico, é um fato agravante que atinge principalmente as meninas e, não raro, resulta em gravidez. Outra forma de violência é o trabalho infantil – menores obrigados a trabalhar, contribuindo para a renda da família. Esta dependência financeira também faz com que a mulher, mesmo sabendo que o marido ou companheiro é o agressor dos filhos, se omita para garantir o sustento da casa.

ONDE DEMUNCIAR

CRAMI (Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância), Centros de Saúde, CRAISA, CEVI, Escolas, Creches, EMEIS, CRAMI, Serviços de Assistência Social, Guarda Municipal, Conselho Tutelar, Delegacia da Mulher.

Pronto-atendimento
Hospitais Ouro Verde, São José, Pronto-Socorro Infantil do Hospital Mário Gatti e Pediatria do HC da Unicamp.

CRAMI
Rua Suzeley Norma Bove, 274 - V. Brandina - Fone: 3251-1234
E-mail: crami@correionet.com.br

Disque-Denúncia Nacional
0800 990500