ANO XVII - 16 a 22 de dezembro de 2002 - Edição 202
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Relatórios de geocientistas mostram
poluição das águas e dos lençóis freáticos no mundo

Unicamp apresenta em
Tóquio situação ambiental da América Latina

MANUEL ALVES FILHO


O professor Bernardino Ribeiro de Figueiredo, do Instituto de GeociênciasOs graves problemas ambientais que afetam a América Latina são, com algumas exceções, semelhantes aos dos demais continentes. A diferença está apenas no nível de degradação, bem mais pronunciado nos países desenvolvidos. A constatação foi feita durante a reunião anual da Comissão de Ciências Geológicas para o Planejamento Ambiental (Cogeoenvironment), ocorrida entre 16 e 22 de novembro em Tóquio, no Japão. A comissão faz parte da União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS), cuja missão é trabalhar para ampliar a consciência da sociedade e dos governantes para a importância da Geociência no planejamento e na gestão do meio ambiente.

O encontro reuniu uma dúzia de especialistas d

o mundo todo, entre eles o professor Bernardino Ribeiro de Figueiredo, do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, que passou a integrar a entidade este ano e que foi ao Japão para representar a América Latina. De acordo com ele, os membros da Cogeoenvironment apresentaram relatórios detalhados sobre a situação ambiental de seus continentes. Exceto por algumas questões pontuais, as regiões enfrentam praticamente os mesmos problemas (veja quadro). Uma dificuldade comum, conforme Figueiredo, é a escassez de água. "A poluição dos rios e das águas subterrâneas estão presentes em todos os lugares", afirma.

As coincidências, entretanto, não param por aí. Segundo o relatório referente à África, o continente amarga problemas como inundações com deslizamentos, períodos de seca e fome e impactos provocados pela indústria petrolífera, cenário muito parecido com o encontrado, por exemplo, no Brasil. O professor Figueiredo divulgou aos seus pares um levantamento completo sobre a questão ambiental brasileira. O trabalho, também apresentado na Rio + 10, realizada entre 26 de agosto e 4 de setembro em Johannesburgo, na África do Sul, foi elaborado conjuntamente pelo Ministério do Meio Ambiente e organizações não-governamentais.

A coincidência de problemas entre os continentes, afirma o professor do IG, sugere a busca de soluções cooperadas, o que deveria envolver blocos inteiros de nações. Uma iniciativa brasileira bem-sucedida nesse aspecto, esta no âmbito supramunicipal, são os comitês de bacias hidrográficas, que têm feito um ótimo trabalho no que se refere à proteção e uso racional da água. Atualmente, Figueiredo está empenhado em se inteirar se a preservação do meio ambiente está contemplada nos acordos multilaterais como a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e Mercosul. "O desenvolvimento de um país ou de uma região não pode ser definido apenas com base na economia e no mercado", diz.

Óleo na água - Além das reuniões de trabalho propriamente ditas, os especialistas que estiveram em Tóquio participaram de outras atividades. Uma delas foi uma excursão geoambiental a várias localidades do distrito de Kanto. Lá, os pesquisadores constataram uma série de problemas ambientais. Um fato que chamou a atenção do grupo foi a contaminação das águas subterrâneas por resíduos originários de postos de combustíveis e outras fontes similares. Os japoneses mantêm poços de monitoramento em vários pontos da capital do País. Quando amostras do lençol freático são retiradas, a água vem misturada a uma densa camada de óleo. "Nós, no Brasil, estamos caminhando para a mesma situação", adverte o professor do IG.

Eventos na AL - Figueiredo aproveitou a sua primeira participação na Cogeoenviron-ment para divulgar eventos de interesse da comunidade científica que serão realizados na América do Sul em 2003. Em julho, ocorrerá uma Escola de Verão sobre Ciências da Terra, na Universidade Federal de Ouro Preto. No mês seguinte, a Unicamp sediará um curso de Geologia Médica. Ainda em agosto, em Londrina, ocorrerá o Congresso Brasileiro de Toxicologia. Por fim, em outubro, será a vez do 9º Congresso Brasileiro de Geoquímica, marcado para Belém. Fora do Brasil, no Chile, também em outubro, será realizado o 10º Congresso Chileno de Geologia e o Simpósio Internacional de Geologia Médica. "Serão eventos em que estaremos refletindo sobre a necessidade de criarmos modelos de desenvolvimento sustentado para o planeta", afirma o professor Figueiredo.

Problemas continentais
África: Inundações com deslizamentos, períodos de seca e fome, erupção vulcânica com perdas de vida, escassez de água, impactos da indústria petrolífera, exportação transcontinental de poeira.

Austrália/Oceania: Desastres naturais em todo o Pacífico, difícil acesso a águas, energia e tecnologias em algumas áreas, perda de solo arável na Austrália por processo de salinização.

China: Problemas com água subterrânea, desastres naturais.

Rússia/CIS: Problemas com água subterrânea.

Europa: Perda de Solo, emissões atmosféricas, poluição das águas fluviais, inundações, lixo urbano e resíduos sólidos industriais e de minas.

Japão: Poluição atmosférica e das águas, geo-puluição (solos, sedimentos e aqüíferos), lixo doméstico e industrial.

América do Norte: Desastres naturais, inundações, perda de solo e problemas com água subterrânea.

Brasil/AL: Inundações com deslizamentos, períodos de seca e fome, poluição de águas fluviais, problemas com águas subterrâneas, lixo doméstico e industrial.

Fontes: Cogeoenvironment/Ministério do Meio Ambiente