Inova promove debate sobre aplicação de tecnologias da Unicamp na sociedade

Na semana em que a Agência de Inovação Inova Unicamp premiou 82 pesquisadores da Universidade pelos seus esforços em proteger suas invenções e trabalhar em favor da absorção pelo mercado, o desafio e a importância de transferir os resultados da pesquisa científica à sociedade foram o tema de um debate virtual promovido pela agência e realizado na última quarta-feira (13).

O webinar, moderado pela supervisora de comunicação da Inova Unicamp, Kátia Kishi, reuniu especialistas da agência, inventores e representantes de empresas-filhas da Unicamp. No evento, os participantes compartilharam suas estratégias de divulgação e de criação de parcerias voltadas à geração de novos negócios fundamentados na pesquisa científica.

A professora Ana Frattini, diretora-executiva da Inova Unicamp, abriu o debate e apresentou as várias iniciativas da agência para estimular a proteção da propriedade intelectual e o processo de transferência ao mercado das pesquisas realizadas na Universidade, de modo a ampliar o impacto do ensino, da pesquisa e da extensão em favor do desenvolvimento socioeconômico do país.

Nesse sentido, ela comemorou o volume recorde de recursos acumulados em convênios de pesquisa celebrados entre a Unicamp e empresas parceiras ao longo de 2022, que totalizaram R$ 249 milhões, distribuídos entre 73 convênios – um aumento de 244% em relação a 2021.

Frattini também convidou os pesquisadores e docentes da Universidade que desejam firmar projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em parceria com empresas a se cadastrarem no Portfólio de Competências. Essa plataforma on-line foi desenvolvida pela Inova Unicamp para permitir localizar facilmente pessoas da comunidade Unicamp interessadas em firmar parcerias com o setor empresarial. Nesse portfólio, basta fazer uma pesquisa por palavras-chave, por área de atuação ou por uma unidade da Universidade para encontrar os pesquisadores cujo perfil melhor se identifica com o tema do projeto a ser desenvolvido.

Uma orientação para elevar o volume de patentes da Unicamp no Inpi

Frattini também destacou um importante dado relacionado ao total de depósitos de patentes da Unicamp no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). De acordo com os números monitorados pela Inova, nos anos de 2021 e 2022, esses totais foram de, respectivamente, 47 e 32. Para elevar esse índice, a equipe da agência iniciou uma campanha a fim de orientar os pesquisadores a prestarem atenção no prazo, que começa com a divulgação de seus trabalhos, para concretizar o pedido de proteção da patente, conforme ela explica:

“Todo pesquisador tem que saber de antemão que, se ele fizer qualquer comunicação pública de sua pesquisa – uma divulgação de sua tese ou uma participação em um congresso –, nós temos um período de um ano, a contar dessa divulgação, para fazer tramitar o depósito da patente no Inpi. E, muitas vezes, esse prazo é curto, há o risco de se perder o prazo para registro se não houver atenção quanto a esse ponto”, comenta Frattini.

Por isso, a Inova iniciou uma campanha de conscientização junto aos pesquisadores sobre a importância de comunicar a invenção dentro daquele prazo ou antes de torná-la pública, de modo a assegurar a proteção de sua pesquisa antes que isso se torne inviável. Além espalhar banners explicativos pelo campus de Campinas, a agência está percorrendo as unidades de ensino e pesquisa para agendar os eventos chamados Inova nas Unidades, encontros em que a equipe da agência estará presente para esclarecer os membros da unidade sobre as dúvidas relativas à proteção da propriedade intelectual, como Frattini detalha:

“Um pesquisador pode ter dúvidas como: ‘Publiquei uma pesquisa há seis meses, dá tempo de patentear?’; ‘É possível fazer uma defesa sob sigilo para não tornar minha pesquisa pública?’; ‘Protejo a minha pesquisa ou publico?’. As dúvidas são variadas, e nós explicamos: primeiro você protege, depois você publica. Ou faça a sua defesa sob sigilo para imediatamente depois tentar proteger e, mais tarde, publicar. Todos esses conceitos precisam ser explicados para se criar uma cultura de proteção da propriedade intelectual na Unicamp”.

Para disseminar os conceitos de propriedade intelectual, a Inova também lançou durante o webinar  o Guia das Invenções da Unicamp, um material destinado a todos os docentes, pesquisadores e alunos da comunidade universitária, a fim de que compreendam a importância do assunto e quais os passos para a proteção de uma tecnologia desenvolvida na Unicamp ou em parceria com a Universidade.

Incentivar a cultura de proteção de tecnologias no Brasil

Cláudio Castanheira, diretor-geral da ClarkeModet Brasil – uma das empresas patrocinadoras do Prêmio Inventores da Inova Unicamp –, também participou do webinar e apresentou números que mostram uma ainda baixa média de registros de patentes no Brasil.

Ao contrário do que ocorre na área de registro de marcas, índice no qual o país alcança um volume expressivo em comparação com outros países (foi o segundo no ranking mundial em 2021, abaixo apenas da China), no campo do depósito de patentes o Brasil possui uma média bem inferior ao das principais economias globais – o país é apenas o 13º entre elas, com uma média distante das nações líderes.

“Esse baixo índice proporcional de depósito de patentes é preocupante. Ele indica que a excelência científica das universidades, que são os principais centros de pesquisa do país, perde-se na hora de ir ao mercado ou de se capturar valor para as pesquisas desenvolvidas. Por isso, todo tipo de incentivo ao depósito de patentes no Brasil deve ser muito bem recebido”, afirma Castanheira.

Ele também apresentou números relacionados às dificuldades estruturais para o estímulo da inovação no país, um problema persistente. Ainda assim, apesar de o Brasil ainda apresentar indicadores distantes das economias mais ricas nesse quesito, o país tem melhorado aos poucos o seu posicionamento global em termos de infraestrutura para a inovação, a produção tecnológica e de conhecimento, a produção criativa, o capital humano e a sofisticação do mercado e do ambiente de negócios, entre outras áreas.

Por fim, Castanheira também apresentou um exemplo vindo dos Estados Unidos, ressaltando o quanto é importante que startups protejam as suas invenções para se tornarem mais atraentes a investidores. Ele apresentou números demonstrando que, naquele país, a maior parte dos investimentos em venture capital para startups (capitais de risco destinados a investimentos em empresas com vistas a um retorno mais elevado) é destinado àquelas que protegem os seus diferenciais tecnológicos.

Segundo o diretor-geral da Clarke-Modet Brasil, “os números desses estudos reforçam a importância de proteger as tecnologias desenvolvidas. O volume de aporte de recursos em startups é maior quando elas têm a preocupação de proteger os seus diferenciais tecnológicos”. Quando isso ocorre, os valores das empresas ficam mais bem protegidos e isso diminui o risco para os investidores, o que aumenta sua atratividade.

Uma parceria de sucesso com a Unicamp

O webinar tornou-se ainda mais interessante com a participação de Eduardo Aledo, um dos sócios fundadores da Rubian Extratos, empresa-filha da Unicamp que colocou no mercado um produto gerado a partir de duas tecnologias licenciadas da Universidade. A Rubian nasceu da competição Desafio Unicamp, organizada pela Inova, e tem uma trajetória marcada por parcerias de pesquisa firmadas com a Universidade, parcerias essas cujos resultados se traduziram, ao longo dos anos, em produtos já disponíveis no mercado. A empresa completou, portanto, todo o ciclo da inovação de mãos dadas com a Unicamp.

A Rubian desenvolve e produz extratos vegetais ricos em bioativos, que são usados como insumo na fabricação de produtos da indústria cosmética, de alimentos e nutracêutica (fabricante de suplementos alimentares e de alimentos que previnem doenças). Seus principais extratos são elaborados a partir do maracujá, da jabuticaba, do urucum e do lúpulo.

A empresa atua sobretudo no ramo B2B (business to business) como fornecedora desses insumos, que se destacam pela sua qualidade superior. Segundo Aledo, isso só é possível em virtude dos contínuos investimentos em pesquisa, em parceria com a Unicamp e com outras instituições, que resultam em bioativos com um grau de qualidade incomum no mercado:

“Os produtos que oferecemos são desenvolvidos após muita pesquisa científica e exaustivos testes. E essa base de dados científicos atesta a nossa credibilidade e garante mais segurança aos nossos clientes. No mercado, existem empresas de extratos com uma variedade enorme em seu menu de produtos. Mas estão longe de ter a mesma profundidade científica que nós buscamos alcançar. Assim trabalhamos com bioativos mais seletivos e que conseguem preservar melhor as propriedades originais das matrizes e sementes, o que garante um desempenho superior”, explica Aledo.

O engenheiro Aulus Roberto Romão Bineli finalizou as apresentações do webinar narrando o caso da Vesta Greentech, uma spin-off da Unicamp fundada há exatamente um ano e da qual ele é um dos quatro sócios-fundadores. O projeto começou vários anos atrás, quando pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) desenvolveram um microrreator químico compacto capaz de produzir hidrogênio a partir do etanol.

Com ele, é possível aproveitar o etanol do tanque de um veículo para gerar hidrogênio e assim alimentar um motor elétrico, ou seja, trata-se de uma invenção capaz de permitir a fabricação de veículos elétricos abastecidos por etanol. A invenção, que contou com apoio da Inova Unicamp tanto em sua proteção quanto em sua divulgação, despertou o interesse de montadoras automobilísticas instaladas no Brasil.

“Recebemos muitos contatos de empresas interessadas na tecnologia, o que nos motivou a desenvolvê-la ainda mais. Mas, ao mesmo tempo, constatamos várias questões entre o que a tecnologia propõe e o que o mercado espera dela. Às vezes há uma distinção muito grande entre a pesquisa e a sua inserção no mercado. Havia a necessidade de adequá-la para entregar uma tecnologia com as características desejadas pelas empresas”, explica Bineli.

Foi nesse momento que os pesquisadores enfrentaram o dilema: esperar o interesse do mercado ou criar uma startup com base na confiança no potencial do invento desenvolvido? Apostando na confiança, criaram a Vesta Greentech, uma startup focada atualmente no desenvolvimento complementar da tecnologia, aprimorando-a conforme a expectativa dos potenciais clientes. Como afirma Bineli, “agora estamos finalizando um novo protótipo, mais avançado, que em breve estará apto a realizar testes operacionais junto às empresas interessadas”.

Na parte final do webinar, o público enviou questões que foram debatidas entre os palestrantes e Iara Ferreira, coordenadora de Negócios e Inovação da Inova Unicamp, que se juntou a eles.

A íntegra do webinar pode ser vista no canal do YouTube da Inova Unicamp.

Matéria publicada originalmente no site da Inova Unicamp.

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