Edições Anteriores | Sala de Imprensa | Versão em PDF | Portal Unicamp | Assine o JU | Edição 235 - de 27 outubro a 2 novembro de 2003
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Diário de Lisboa
Trangênicos: o eixo da guerra
HES: entre os melhores
A Cena viva de Renato Cohen
Pesquisa: droga vasodilatadora
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Certificação coloca Hospital de
Sumaré entre os melhores do país
Hospital administrado pela Unicamp e mantido pelo governo do Estado vira referência no atendimento

 

RAQUEL DO CARMO SANTOS

O médico Lair Zambon, diretor do Hospital Estadual Sumaré: “O hospital vem cumprindo o seu papel na regionalização da assistência hospitalar”

A que faz com que um hospital público universitário dê certo num momento em que uma crise financeira atinge quase a totalidade das instituições do gênero no país? “Não dá para destacar apenas um fator, são diversos os motivos que podemos enumerar”, responde Lair Zambon, diretor do Hospital Estadual Sumaré (HES) que, recentemente, alcançou o certificado de Acreditação Plena nível 2, instituído pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), entidade credenciada pelo Ministério da Saúde.

Esta certificação coloca a instituição em um padrão de excelência no atendimento entre os melhores do país, pois foi o primeiro hospital público a conseguir este nível de qualidade. No final do ano passado, o HES, mantido pela Secretaria de Estado da Saúde e administrado pela Unicamp, conquistou a certificação de nível 1. A expectativa, no momento, é conseguir a certificação nível 3. Segundo Zambon, perto de 50% das áreas já estão dentro dos critérios estabelecidos para alcançar a nova marca.

O melhor dos prêmios, porém, é a influência positiva na área de saúde da região em que está localizado, afirma a gerente de qualidade, June Barreiras Freire. O hospital serve a uma região com pouco mais de 600 mil pessoas e presta assistência em nível secundário e terciário. Realiza em média, mensalmente, perto de 1.200 internações, quase mil cirurgias, aproximadamente seis mil consultas especializadas e 300 partos. “Temos indicativos apontados pela diretora da Vigilância Epidemiológica de Sumaré, da redução do índice de mortalidade infantil, em 2002, que baixou de 13 para 10, após a instalação do HES”, ressalta June.

Nos municípios de Santa Bárbara, Monte Mor e Nova Odessa outro indicativo do bom funcionamento do hospital é que a fila de espera nestas cidades, para cirurgias em diversas especialidades, foi zerada. “Todos esses indicadores nos trazem entusiasmo, pois significa que o hospital vem cumprindo o seu papel na regionalização da assistência hospitalar”, destaca Zambon.

O diretor revela que em primeiro lugar a condição de estar vinculado à Unicamp já é um quesito fundamental para justificar o padrão de assistência. “O ensino ganhou muito com a instalação do HES e também o perfil de funcionários se consolidou com um quadro muito bom”, comemora. Ele acredita que hoje a estrutura do hospital é importante para a Faculdade de Ciências Médicas, que mantinha uma lacuna no ensino de casos secundário pleno e parte do terciário. O modelo de contrato de gestão que apresenta um funcionamento diferenciado merece destaque.

Outro aspecto importante e que tem reflexo direto na qualidade da assistência prestada pela instituição, foi o canal de interlocução criado com as secretarias de saúde dos municípios vizinhos. De acordo com June, são realizadas reuniões mensais com os secretários municipais de saúde, diretor da Diretoria Regional de Saúde (DIR XII) e direção do HES em que são decididos, por exemplo, o número de consultas, cirurgias e de outros procedimentos que cada cidade poderá utilizar, o estabelecimento dos protocolos de encaminhamento e a relação dos principais problemas. Isto permite que os municípios se organizem melhor para prestar assistência médica local e atendam às normas da regionalização da assistência hospitalar.

Lógica de gestão – Caminhando pelos corredores largos com iluminação natural do HES, percebe-se o ambiente harmonioso. Na UTI Neonatal, por exemplo, as incubadoras com equipamentos ligados revela a razão de a unidade ser considerada uma das cinco melhores do país. Esses detalhes fazem parte de uma lógica inovadora de gestão do ponto de vista hospitalar. “Aqui cada funcionário sabe bem desempenhar suas funções e existe uma motivação para se enfrentar desafios”.

Esta filosofia acompanha o HES desde o seu nascimento, em 2000. Ele é gerido por contrato que pré-determina o número de procedimentos entre internações, cirurgias e outros, que serão feitos mensalmente. Se o hospital cumpre as metas direcionadas para as reais necessidades das demandas regionais, recebe a verba estimada para a sua manutenção. Zambon explica que a administração tem conseguido superar a meta em 25% do previsto. A verba, no entanto, não é alterada. Só recebe valor menor, o hospital que não cumpre o mínimo estimado. Dentro deste modelo de gestão, implantado somente no Estado de São Paulo, existem outros 14 hospitais.
A lógica de contratos de gestão foi idealizada nos moldes do projeto existente na

Catalunha, Espanha. A verba alocada se divide em dois componentes. A primeira representa 90% do valor total e está relacionada com a produtividade. Os outros 10% são relacionados com indicadores de qualidade de assistência à saúde, entre eles, o índice de satisfação do usuário, as baixas taxas de infecção hospitalar, redução de cesáreas, agilização do atendimento e outros. Para gerenciar um hospital do tamanho do porte do HES são liberados recursos da ordem de R$ 3,3 milhões. No ano de 2003, o orçamento foi de pouco mais de R$ 39,7 milhões.

Embora celebre todos os certificados e a capacidade de inserção na região, Zambon não esconde a difícil tarefa que é administrar um hospital do porte do HES. Segundo ele, “este cenário vai contra a situação caótica da saúde em que se encontra o país”. O diretor do hospital acentua que há um limite estreito para manter a qualidade.

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