Lançamento do livro ‘O Petróleo no Brasil – Exploração, capacitação técnica e ensino de geociências’

Petróleo

A pesquisadora Drielli Peyerl, pós-doutoranda do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências (IG), estará lançando o livro O Petróleo no Brasil – Exploração, Capacitação Técnica e Ensino de Geociências (1864 - 1968) no próximo dia 9 de junho, a partir das 16 horas, no auditório 1 do campus São Bernardo do Campo da Universidade Federal do ABC.

Baseado em sua tese de doutorado intitulada "A contribuição do Conselho Nacional do Petróleo e da Petrobras na formação de profissionais para a exploração de petróleo no Brasil', defendida em 2014 no IG sob a orientação da professora Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa, que também assina a apresentação da edição, o livro aprofunda a pesquisa realizada por Drielli Peyerl na Unicamp.

Publicado pela EdUFABC, essa edição conta com quarta capa escrita pelo pró-reitor de pós-graduação da Unicamp André Tosi Furtado, do IG, e prefácio do professor Antônio Carlos S. Fernandes, da UFRJ. No lançamento, a autora participará de um bate-papo com os presentes, que poderão adquirir um exemplar. Outras informações podem ser obtidas na página do evento.

Resenha
A indústria do petróleo nasceu muito tardiamente no Brasil, mesmo quando comparada a de outros países da América Latina. A emergência dessa atividade produtiva no país ocorre em consequência da persistência de atores nacionais públicos e privados, que apostaram no potencial geológico do país. Nessa trajetória singular, evidencia-se também que a institucionalização das geociências ocorre à reboque da atividade produtiva. Foi quando o Estado brasileiro se empenhou em desenvolver a atividade petrolífera no país, por meio da criação do Conselho Nacional do Petróleo, em 1938, e, posteriormente, da Petrobras, em 1953, que ficou evidente a ausência de recursos humanos qualificados no campo das geociências no Brasil.

Esse último aspecto é particularmente impressionante em um país de dimensão continental e de tantas riquezas minerais. Essa experiência singular é descrita de forma cativante e magistral por Drielli Peyerl. Ela retoma essa história desde os albores da indústria do petróleo, em 1864, de quando data o primeiro decreto autorizando a lavra desse mineral no país, até o final dos anos 1960, quando a Petrobras realiza os seus primeiros avanços na produção offshore.

O caso brasileiro ilustra claramente a tese de que o progresso na formação de recursos humanos e, posteriormente, na pesquisa, somente se deu no país em decorrência de um projeto explícito de desenvolvimento. De fato, foi a partir do imperativo da industrialização, e da decorrente expansão da demanda interna de derivados de petróleo, que surgiu a necessidade de produzir petróleo em solo nacional. Contudo, foi apenas com a expansão da indústria do petróleo no país que se consolidou a necessidade de formar recursos humanos qualificados, contribuindo para a sedimentação da ciência geológica no país. Nesse sentido, a Petrobras teve um papel decisivo na criação dos primeiros cursos de geologia do país, cabendo-lhe exercer a função de agência de fomento na institucionalização dessa disciplina no país.

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