Edições Anteriores | Sala de Imprensa | Versão em PDF | Portal Unicamp | Assine o JU | Edição 268 - de 4 a 10 de outubro de 2004
Leia nessa edição
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Diário da Cátedra
Prêmio Finep Sudeste
Universo das sensações
Há 38 anos: pedra fundamental
Teia do Saber: Vale do Ribeira
Teia do Saber: 932 escolas
Vitamina do século 21
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Painel da semana
Oportunidades
Teses da semana
Unicamp na mídia
Biomassa: fonte de energia
Entre a mesa farta e a mesa de
  cirurgia
 

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Além do Vale do Ribeira, docentes da Universidade
engajados no projeto atuam em outros 11 municípios

Professores da Unicamp
chegam a 932 escolas


RAQUEL DO CARMO SANTOS


Outros 11 municípios são atendidos pelos professores da Unicamp no Projeto Teia do Saber, perfazendo um total de 932 escolas estaduais. “Temos conseguido vencer várias licitações para oferecer os cursos de educação continuada. Das 15 licitações de que participamos, vencemos 13”, explica o coordenador geral do programa, professor Roberto Vilarta, da Faculdade de Educação Física (FEF). O programa na Unicamp é implementado na esfera da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários. Segundo Vilarta, a Universidade só tem a ganhar com a iniciativa. Primeiro, porque consegue transmitir o conhecimento adquirido a partir de pesquisas para uma parcela importante da sociedade: os professores da rede pública. “O alcance social é incalculável. O professor é estimulado a produzir material didático e a atuar em novas metodologias”, destaca o coordenador acadêmico, professor Fernando Arantes, assessor da Reitoria da Unicamp.

Professor atua como agente multiplicador

Segundo Vilarta, trata-se de uma boa oportunidade de atuar diretamente na melhoria do ensino fundamental e médio. Desta forma, o professor atua comoA equipe da Unicamp, em Apiaí: Wilmar D’Angelis (docente/IEL), Fernanda Gadelha (docente/IB), Carmen Ferreira (docente/IB), Otília Paques (docente/Imecc), Sílvio Pregnolato (docente/Imecc), Sírio Possenti (docente/IEL), Celso Tasinafo (doutorando/História), Jauranice Cavalcanti (doutoranda/IEL), Kassandra Muniz (doutoranda/IEL) e Marili Bassini (doutoranda/História) agente multiplicador na qualidade do ensino. A riqueza observada na troca de informações que acontece a cada encontro é outro ponto destacado pelo docente.

“Não só levamos conhecimento, mas também vivenciamos os principais problemas e desafios enfrentados pelo professor da rede pública. Esta experiência tem sido extremamente gratificante”, evidencia Arantes. O contingente de professores da Universidade envolvidos no programa – perto de cem –, incluindo alunos de doutorado, tem possibilitado ainda a quebra de muitas barreiras. “Em todos os locais que aportamos, o público via a Unicamp como uma torre de marfim intransponível. Isso não ocorre mais”, lembra Vilarta. Por isso, a integração estimula a busca da atualização dos professores da rede pública e já se percebe um aumento da procura pelos programas de pós-graduação. “Há uma integração maior com o ambiente acadêmico e, aos poucos, as resistências vão sendo quebradas. Eles começam a freqüentar disciplinas como alunos especiais e isto constitui um grande avanço no sentido de aproveitarem as possibilidades que se pode oferecer”, salienta o coordenador.

Relatos de quem esteve lá

Saudades na mala

“Vou levar saudades na mala”. Foi essa a reação do professor Sílvio de Alencastro Pregnolato, do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc), ao despedir-se de Apiaí. Desde 1981 lotado na Unicamp, o docente acredita ser “absolutamente necessário” participar de programas com o perfil do Teia do Saber. Em sua opinião, mesmo com todas as carências, os professores assistidos pelo programa têm “uma força interior muito grande para tentar superar as deficiências, aprender mais e, assim, transmitir mais”. Pregnolato sabe dos contrastes do país, e acredita ter dado sua parcela para atenuá-los. “A minha esperança é que esse sacrifício contribua para diminuir esses abismos”.

O DNA da cebola

As professoras Fernanda Ramos Gadelha e Carmen Veríssima Ferreira, doO coordenador, professor Roberto Vilarta: "Resistências foram quebradas" Departamento de Bioquímica do Instituto de Biologia da Unicamp, protagonizaram uma experiência no mínimo curiosa. No assunto escolhido previamente, biologia molecular e, atendendo a solicitação dos professores, redirecionaram o conteúdo procurando trabalhar o tema no contexto vivenciado por eles. Isolaram o DNA da cebola para uma incrédula platéia. “Os olhos de muitos deles brilharam”, atesta Fernanda. E foram além: demonstraram como se pode clonar um gene e obter uma planta transgênica, assunto importante numa região onde a economia é baseada na agricultura. Tudo na base da simplicidade. No caso do isolamento do DNA, lançaram mão de objetos prosaicos, entre os quais detergente, sal de cozinha, gelo e álcool.

“Minha sensação é de dever cumprido”, comemora Carmen, marinheira de primeira viagem nesse tipo de programa. Dizendo-se surpresa com o grande interesse dos alunos, a docente acredita que a Unicamp contribui muito quando participa de projetos em outros municípios. “Isto acaba possibilitando o ensino numa realidade próxima àquela vivenciada pelos alunos”.

A opinião é compartilhada por Fernanda, cuja experiência no projeto entra noO professor Fernando Arantes: "Alcance social incalculável" terceiro ano. Seu raciocínio é simples. A docente sabe que, ao auxiliar os professores com conteúdo teórico e prático, atinge a outra ponta da teia, no caso, os alunos. “Trata-se de uma progressão geométrica”, dimensiona. Feitas as contas, Fernanda parte para o conceitual e evoca os métodos usados pelo educador Paulo Freire. “Você contextualiza o que vai ensinar na realidade vivenciada pelos alunos”.

Fernanda reconhece que a tarefa não é fácil, mas aponta saídas emergenciais para o impasse, sobretudo no que diz respeito à precariedade de material e, conseqüentemente, à falta de recursos. A solução? Criatividade, prescreve: “É preciso criar a partir de coisas simples. Bioquímica, por exemplo, é um terror para os alunos. Se arrumamos novos caminhos didáticos, correlacionando-os com a realidade deles, é possível uma aprendizagem sólida do assunto.”

Mão dupla

Há dez anos professor do Instituto de Estudos da Linguagem, Wilmar da RochaA doutoranda Marili Bassini fala a professores: difusão do conhecimento tem efeito multiplicador D’Angelis é um especialista em línguas indígenas. Trabalho de campo, para ele, não é novidade. Desenvolveu trabalhos, por exemplo, com línguas Jê e Macro-Jê, além de assessorar programas de educação escolar indígena. Quando foi convidado a participar do projeto no Ribeira, D’Angelis logo demonstrou interesse. Primeiramente, por ter a convicção de que a região “estava esquecida pelo Estado”. Depois, por intuir que a diversidade lingüística era uma das características da região onde, na sua avaliação, havia uma rica tradição mantida viva nas comunidades indígenas e quilombolas. “Estamos encontrando essa riqueza. Há uma grande variedade lingüística, boa parte dela desconhecida”, revela o docente.

Mais que ter contato com o objeto de seus estudos, Wilmar D’Angelis vê a oportunidade um trabalho cujo alcance social tem mão dupla. Numa, a perspectiva de aplicar os conhecimentos e as experiências acumuladas na Universidade, colocando-os a serviço da comunidade de professores e, indiretamente, dos alunos. “Esse tipo de trabalho enriquece a universidade continuamente, já que espelha a sociedade brasileira. Mostra um mosaico que nunca se sabe como se desenha”. Na segunda perspectiva, diz Wilmar D’Angelis, o projeto é revelador na medida que comprova ser possível a universidade “ter os pés no chão”, mostrando uma realidade mantida desconhecida por vários fatores. “A nossa Universidade fala de um país que existe, porque está em contato com ele”.

Difusão do conhecimento

Para Marili Bassini, doutoranda da História, se não fosse o Teia do Saber dificilmenteProfessores da região de Apiaí durante curso de formação: oportunidade única e interesse pelo conteúdo a Universidade conseguiria passar o conhecimento que ela produz para os professores da rede pública. “É importante essa aproximação da academia para também enriquecer o processo de construção do conhecimento”. Marili acredita que o contato dá sentido àquilo que se produz. “O conhecimento vai sendo renovado à medida que buscamos coisas novas com os professores”.

Célio Ricardo Tasinafo, também doutorando da História, concorda com a colegaMarili. “A extensão funciona porque atinge um público que serve como agente multiplicador”, diz. Para ele, divulgar as pesquisas em simpósio ou congressos é importante, porém, o público é restrito. “Esta é a melhor experiência para se difundir o conhecimento. Neste ponto, a Unicamp cumpre muito bem seu papel social”.

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