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Unicamp sedia Encontro Sul-Americano sobre
Pesquisa e Desenvolvimento na Área de Energia

Evento da área energética abre perspectivas para parcerias entre Brasil e países vizinhos




JEVERSON BARBIERI



O coordenador do Pronerg, professor Gilberto de Martino Jannuzzi: parcerias para solucionar problemas tecnológicos (Foto: Antoninho Perri)A Unicamp sedia, no período de 7 a 9 de junho, o Encontro Sul-Americano sobre Pesquisa e Desenvolvimento na Área de Energia – Pronerg –, com o objetivo de promover o intercâmbio entre o Brasil e os países da América do Sul, visando uma maior aproximação entre os segmentos envolvidos e o desenvolvimento de projetos em colaboração. De acordo com o coordenador do Pronerg, professor Gilberto de Martino Jannuzzi, o encontro é o primeiro do gênero dentro do Programa Sul-Americano de Apoio às Atividades de Cooperação em Ciência e Tecnologia (Prosul), criado em 2001 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e pode ser considerado original no sentido de ser o primeiro a reunir pesquisadores do Cone Sul em torno de uma área estrategicamente importante.

Quadro na América do Sul é heterogêneo

Jannuzi, que é professor da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp, explica que a realização do evento foi motivada por um pedido do Comitê Gestor do Prosul, interessado em montar um programa de cooperação na área de energia, cuja finalidade é determinar áreas de interesse e possíveis parceiros que possam trabalhar com o Brasil. O resultado final desse evento, segundo o coordenador, deve indicar uma série de temas que aparecerão como boa oportunidade de colaboração entre pesquisadores brasileiros e de países vizinhos. “São temas que devem ter alguma relevância para ambas as partes. É uma tentativa de identificar exatamente os parceiros, as áreas de pesquisa e de desenvolvimento”, ressalta Jannuzzi.

O comitê organizador do Pronerg é composto por representantes de diferentes áreas e instituições brasileiras que, segundo Jannuzi, deram uma significativa contribuição ao identificar não só os palestrantes como também os temas que são mais importantes para o desenvolvimento de C&T na área de energia. Para cada um dos temas, foram indicadas pessoas e países onde já existe uma massa crítica de trabalhos em desenvolvimento, capazes de colaborar no objetivo final do evento que é determinar uma pauta de temas para que o Prosul possa estar desenvolvendo programas de cooperação. “Tivemos o cuidado de trazer pessoas de setores do governo e da indústria da energia que possam contribuir para ajudar a identificar grandes problemas tecnológicos que são barreiras para uma melhor integração energética na América do Sul. Não adianta fazer pesquisa e desenvolvimento sem ter a participação da indústria de energia”, pondera.

Jannuzzi esclarece também que os conteúdos das apresentações serão disponibilizados na página do evento. “Cada um dos palestrantes estará apresentando um diagnóstico daquilo que o seu país realiza. Eles trarão um bom levantamento de informações de atividades de pesquisa e desenvolvimento nas várias áreas de energia. O nosso compromisso é fornecer um relatório consolidando as discussões que tomarão lugar durante o evento e esse documento será encaminhado ao Comitê Gestor do Prosul, para que ele possa discutir e eventualmente elaborar seu próprio programa de intercâmbio”. O objetivo é fornecer subsídios para que o CNPq possa realizar lançamentos de editais, chamadas e encomendas de projetos de parceria nas áreas que o Comitê identificar como sendo prioritárias.

P&D – O quadro de P&D em energia na América do Sul é bastante heterogêneo e abrange um espectro muito grande, que vai desde fontes alternativas de energia, cujo conhecimento ainda é precário em algumas áreas, até fontes muito convencionais onde se têm muito mais conhecimento e tecnologia consolidada. “Em alguns lugares não existe nem pesquisa nem desenvolvimento”, lamenta Jannuzzi. Países como Brasil, Argentina, Colômbia, Venezuela, Peru e Chile são os grandes detentores de tecnologia e conhecimento. Porém, a pesquisa ainda é muito concentrada nas universidades. O Brasil é um dos países que mais tem envolvimento do setor produtivo na pesquisa energética, mas esse envolvimento ainda é muito recente e não pode ser considerado como uma atividade consolidada.

Outro ponto que preocupa Jannuzzi é a questão de formação e treinamento de pessoal, especialmente na área do gás, que na América Latina significa um grande elo de integração. “Temos muito pouca capacitação profissional tanto para desenvolvimento tecnológico como para a própria operação e manutenção de tecnologias que nós usamos. Esse é um dos pontos que será discutido durante o evento”, esclarece o coordenador. O Brasil possui uma grande capacidade de ofertas de cursos e treinamentos em muitas áreas no campo de energia. A área de biomassa tem uma longa tradição e aparece com grandes possibilidades de ofertar serviços e cursos, por exemplo.

Conjunturas – A respeito de conflitos políticos internos e externos nos países da América do Sul, como é o caso da Bolívia atualmente, capazes de afetar algumas das áreas energéticas em particular, Jannuzzi foi enfático ao afirmar que não se pode perder a perspectiva de que esse encontro é um evento no qual procura-se identificar problemas tecnológicos e, portanto, deve-se fazer um filtro e separar problemas conjunturais e de políticas de curto prazo. “A área de energia é bastante ampla e o gás é um dos focos que estamos abordando. Na verdade estamos buscando parcerias para desenvolver, com nossos vizinhos, soluções para problemas tecnológicos. Soluções para problemas que impeçam a exploração, com benefícios mútuos, das reservas e do potencial de energia que só nosso subcontinente possui”, afirma ele.

A organização do encontro está a cargo do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), da Unicamp, juntamente com a International Energy Initiative (IEI), organização não-governamental internacional, estabelecida para promover a produção e o uso eficiente de serviços energéticos para o desenvolvimento sustentável. É administrada por especialistas na área de energia conhecidos internacionalmente. Possui escritórios e atividades globais e regionais na América Latina e Ásia. O Encontro Sul-Americano tem apoio do CNPq, MCT, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), da Eletropaulo e da Elektro. Informações sobre inscrições e a programação completa do evento estão disponíveis no endereço www.pronerg.com.br.




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