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......ANO XV -Nº 161 - Abril 2001

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Para garantir nosso doce
Especialista da agroindústria da cana-de-açúcar ensina que
gestão e planejamento tecnológico devem caminhar juntos
MANUEL ALVES FILHO
 

planejamento estratégico de uma empresa não pode, nos dias atuais, ser desvinculado do seu desenvolvimento tecnológico. A constatação é do ex-professor da Unicamp Isaías de Carvalho Macedo, engenheiro mecânico formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e que até recentemente ocupava o cargo de gerente de tecnologia da Coopersucar. De acordo com ele, quem não perceber esta realidade encontrará muitas dificuldades num mercado globalizado e cada vez mais competitivo. Macedo abriu, no último dia 15 de março, a temporada de seminários promovidos pela Coordenadoria Geral da Universidade (CGU). O tema abordado pelo especialista foi “Desenvolvimento Tecnológico e Estratégia”. As palestras acontecem sempre às quintas-feiras, a partir das 11 horas (confira programação nesta página).

Atualmente, conforme Macedo, o mundo empresarial encara a tecnologia de forma diferente de 20 anos atrás. “Os dirigentes compreenderam que gestão e planejamento tecnológico devem caminhar juntos. Se não for assim, só restará correr atrás do prejuízo”, explicou. O ex-professor da Unicamp afirmou que alguns aspectos fundamentais devem ser levados em consideração no momento de formular a estratégia de desenvolvimento. O primeiro deles é o fator externo, que compreende os assuntos ligados às áreas econômica, legal e ambiental.
Também é preciso compreender, segundo Macedo, que a disponibilidade ou a possibilidade do domínio de determinada tecnologia influencia diretamente no estabelecimento da estratégia empresarial. Para exemplificar como é possível congregar todos esses elementos, o professor falou da sua experiência de aproximadamente 20 anos à frente do Centro de Tecnologia da Coopersucar, unidade que ajudou a instalar. A agroindústria da cana-de-açúcar no Brasil, esclareceu o especialista, tem uma produção anual de 300 milhões de toneladas, o que equivale a 25% do que é gerado no mundo. Metade desse volume vai para a produção de etanol (álcool) e a outra metade para a de açúcar.

Sucesso em números – O setor conta com 308 unidades industriais, responsáveis pelo cultivo de 5 milhões de hectares, algo em torno de 1,5% das terras agriculturáveis do Brasil. Além disso, também é responsável pela geração de cerca de 1 milhão de empregos diretos. Só para se ter uma idéia do mercado consumidor, basta saber que a produção do setor cresceu, em média, 10% ao ano durante cinco anos seguidos. Além disso, o mercado consumidor de açúcar cresce 1,5% ao ano, independente da competição exercida pelos produtos dietéticos. Todos esses números ajudam a compreender como o desenvolvimento tecnológico influencia no planejamento estratégico de uma empresa ou de um segmento industrial inteiro. De acordo com o professor Macedo, entre 1975 e 1990, os produtos da agroindústria da cana-de-açúcar tinham todas as suas fases controladas pelo governo federal.

Do preço à cota de produção, do percentual de mistura do etanol na gasolina à exportação da produção excedente, tudo era ditado por Brasília. Nesse período, mais precisamente entre 80 a 85, o setor viveu a fase do Proálcool, programa que reduziu as taxas de juros e ampliou os investimentos. A desregulamentação só ocorreu a partir de 1990. Sem o controle estatal, a agroindústria da cana-de-açúcar experimentou alguns avanços importantes, sustentou o ex-professor da Unicamp. Entre eles está a redução dos níveis de poluição, obtida por meio da adoção de uma legislação séria e do emprego de novas tecnologias.

Mas a preocupação do setor com o desenvolvimento tecnológico, ressaltou Macedo, antecede à desregulamentação. Para atender às necessidades do mercado, a agroindústria da cana-de-açúcar teve que cumprir três condições básicas. A primeira dizia respeito à capacidade de produção, levando em conta as variedades das plantas. Também foi preciso equacionar as questões ligadas à qualidade do etanol e à logística, aqui entendida como abastecimento. Assim, em 1970, especialistas do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e do agora extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) já trabalhavam com o melhoramento genético da cana-de-açúcar, inclusive com a produção de clones. Graças a esse trabalho, foram obtidas variedades mais produtivas e mais resistentes às praças.

Tecnologia australiana – Em 1973, a capacidade industrial das usinas foi ampliada com o incremento de moendas que utilizavam tecnologia australiana. Dez anos depois, o Brasil desenvolveu um sistema de moagem próprio, que veio a transformar-se no mais produtivo do mundo. Entre 1980 e 1990, o setor iniciou o emprego de tecnologias para a redução dos custos de produção, iniciativa que foi consolidada na década seguinte.

O uso de melhores variedades de plantas, a seleção de terras, a definição de novas especificações para a adubação, o aprimoramento do corte, do carregamento e do transporte da cana, associados ao gerenciamento técnico de todas as fases de produção, permitiram que o setor alcançasse o atual índice de desenvolvimento.

Na atualidade, o segmento trabalha em novos projetos, como a redução de perdas na fabricação de açúcar, a auto-suficiência energética, a melhoria da qualidade do açúcar e a diversificação da produção, principalmente por meio do aproveitamento do bagaço e da palha da cana.
Esses subprodutos podem ser aproveitados na produção de energia elétrica, de etanol e de celulose. Diante de todos esses resultados e das possibilidades que a agroindústria da cana-de-açúcar ainda tem, é que o ex-gerente de tecnologia da Coopersucar reforça a sua convicção de que não há como dissociar o planejamento estratégico de uma empresa do seu desenvolvimento tecnológico, que pode ser próprio ou contratado.
“Além disso, também é preciso estar atento ao que ocorre fora do País, para que não sejamos surpreendidos. A busca por fontes de informação tem que ser constante”, aconselhou Macedo.

 

OS SEMINÁRIO DE 2001


19/04 –
Carlos Lenz Cesar (IFGW/Unicamp): “Pinças ópticas: Princípios e aplicações na Biotecnologia”

04/05 –
José Pastore (FEA/USP): “Oportunidades de trabalho para portadores de deficiência – O papel das políticas públicas” (excepcionalmente, este seminário será apresentado numa sexta-feira, às 15h)

17/05 –
Jacques M.E. Vielliard (IB/Unicamp): “Comunicação sonora em aves brasileiras”

31/05 –
Denis J. Schiozer (Cepetro-FEM/Unicamp): “Oportunidades de pesquisa na área de petróleo”
07/06 –Anita Jocelyn Marsaioli (IQ/Unicamp): “A língua ancestral dos seres vivos: a química”

21/06 –
Carlos Fernando S. de Andrade (IB/Unicamp): “Dengue: você ainda terá a sua”.

 

 
 
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