Ugo Giorgetti abre série de encontros para discutir novo longa-metragem

Começou nesta quinta-feira (29) a série de encontros com o cineasta Ugo Giorgetti, intitulada “Dora e Gabriel: a realização do filme”. Nessa primeira palestra, o diretor, roteirista e produtor paulistano apresentou ao público o making-of do longa-metragem e discutiu como o roteiro foi transposto para as telas.

Ainda em fase de finalização, “Dora e Gabriel” narra a história de uma mulher e um homem que não se conhecem e são sequestrados por criminosos no porta-malas de um carro na cidade de São Paulo. A inusitada ação, cujo cenário principal é o próprio porta-malas, tem como protagonistas os atores Natalia Gonsales e Ary França.

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Filme “Dora e Gabriel”

Giorgetti volta à Unicamp um ano após participar do Programa “Hilda Hilst” do Artista Residente, do Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp. No segundo semestre de 2018, ele desenvolveu atividades em duas frentes: “São Paulo segundo Ugo Giorgetti”, mostra reunindo toda sua filmografia, na Casa do Lago, e “O Cinema e a Criação de Ugo Giorgetti”, curso livre abordando tópicos da prática cinematográfica, no Auditório da Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL).

Nesta quinta-feira, o diretor discutiu detalhes da produção do longa-metragem, orçado em R$ 1,3 milhão, mostrando a gênese do projeto. Giorgetti contou que mudou radicalmente o roteiro desde a proposta apresentada no curso do ano passado. Agora, praticamente não há cenas gravadas fora do porta-malas, o que exigiu mais na construção dos diálogos e na preparação dos atores. Com orçamento limitado, a produção teve que restringir suas opções de locação e manter um cronograma apertado, concluindo as filmagens em menos de dez dias. Apesar disso, o cineasta foi taxativo ao explicar que não abriu mão da qualidade e dos experientes profissionais que o acompanham há décadas.

O cineasta Ugo Giorgetti
Cineasta Ugo Giorgetti

As principais locações de “Dora e Gabriel” foram em Santana do Parnaíba e no bairro do Bom Retiro, na capital paulista, onde as cenas foram gravadas durante a madrugada. “Foi muito gostoso fazer o filme, pequeno, mas bem estruturado”, afirmou Giorgetti. “A primeira coisa que eu faço é lançar mão da minha velha equipe, e eu sempre faço isso.”

Na abertura do novo ciclo de encontros mensais, com duas horas de duração, o poeta e linguista Carlos Vogt, presidente do Conselho Científico e Cultural do IdEA, agradeceu a disposição de Giorgetti em dar continuidade ao trabalho na Unicamp, de uma maneira voluntária, contribuindo para o êxito do Programa “Hilda Hilst” do Artista Residente, do qual foi o primeiro convidado. O diretor reencontrou na Unicamp alunos que haviam participado do curso de 2018 e conheceu novas pessoas que se inscreveram para o ciclo de 2019. Os interessados ainda podem se inscrever e participar dos próximos encontros, em setembro e outubro.

Carlos Vogt a esquerda em pé cumprimentando o cineasta Ugo Giorgetti que está sentado ao lado.
Poeta e linguista Carlos Vogt, presidente do Conselho Científico e Cultural do IdEA, e o cineasta Ugo Giorgetti.

“Nós não vamos discutir aqui se o filme é bom ou não. O que vamos ver aqui é como se faz um filme, isso que é importante. E como se faz um filme é um lugar comum. Não adianta vir algum vanguardista dizendo que não é assim. Temos cânones no cinema que temos que obedecer. Você vai enfrentar os cânones depois, se é bom, se é criativo, e isso é outra coisa”, declarou Giorgetti.

No segundo encontro, que ocorrerá em 30 de setembro, o diretor mostrará a montagem inicial do filme, sem sons exteriores, efeitos especiais e trilha sonora. Em 31 de outubro, ele exibirá o longa já mixado, com som pronto e sincronizado com a imagem. No ciclo também serão discutidos os detalhes de produção, a escolha dos atores e os ensaios na produtora, a confecção do cenário, as dificuldades de maquiagem, iluminação e sonorização, além do método empregado na direção.

Nascido e criado na zona norte paulistana, Ugo Giorgetti é diretor, roteirista e cronista no jornal “O Estado de S.Paulo”. Em seu currículo ele soma mais de quatro décadas no cinema e na publicidade, com filmes como “Festa” (1988) – vencedor do Festival de Gramado –, “Boleiros” (1998), “Sábado” (1995), “Cara ou Coroa” (2011), “Quebrando a Cara” (1986) e “Edifício Martinelli” (1975).

Dora e Gabriel: a realização do filme

Curso livre em três encontros com o cineasta Ugo Giorgetti sobre seu novo longa-metragem

Datas: 29/08/2019, 30/09/2019 e 31/10/2019

Horário: 9h30

Local: Auditório da Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL) da Unicamp

Endereço: Rua Sérgio Buarque de Holanda, 421, Cidade Universitária “Zeferino Vaz”, Barão Geraldo, Campinas

Realização: Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp

Informações: (19) 3521-5223 e www.idea.unicamp.br

Inscrições: www.idea.unicamp.br/eventos/dora-e-gabriel-realizacao-do-filme

 

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O cineasta Ugo Giorgetti.
O cineasta Ugo Giorgetti | Foto: Alex Matos