| Edições Anteriores | Sala de Imprensa | Versão em PDF | Portal Unicamp | Assine o JU | Edição 342 - 30 de outubro a 12 de novembro de 2006
Leia nesta edição
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Inovação e experiência
Saber e royalties
Incamp
Pré-incubação
Inovação regional
Parcerias viabilizadas ?
Público parceiro
Inova 1
Inova 2
Painel da semana
Teses
Unicamp na mídia
Portal no JU
Livro da semana
Divulgar a ciência
Financiar a cultura
 

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Modelo de pré-incubação
fomenta boas idéias

Paulo Lemos, coordenador de Pré-incubação da Inova: difundindo a visão de empreendedorismo Boas idéias são fundamentais para a geração de novos negócios, mas dependem de ambientes e condições favoráveis para prosperarem e alcançarem a meta desejada. Ciente dessa realidade, a Inova Unicamp adotou, há pouco mais de um ano, o modelo de pré-incubação, cujo objetivo é disponibilizar conhecimento, ferramentas e serviços que facilitem a transformação de projetos promissores em produtos, processos e até mesmo empresas de base tecnológica. Apesar do curto período, a iniciativa tem produzido resultados positivos, conforme avaliação do coordenador de Empreendedorismo e Pré-incubação de Projetos da Inova, Paulo Lemos. “Além de fomentar a geração de novos empreendimentos baseados em conhecimento e tecnologia, estamos difundindo uma nova visão de empreendedorismo entre nossos alunos, professores e pesquisadores”, afirma.

Um exemplo de sucesso na área de pré-incubação foi a constituição da empresa Vocalize, atualmente abrigada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp). O projeto que deu origem ao empreendimento foi concebido pelo então doutorando da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) Edmilson da Silva Morais, que criou um software para a conversão de texto em fala. A ferramenta pode ser usada para variados fins, entre eles facilitar o acesso a textos de pessoas com necessidades especiais de visão.

Paulo Lemos destaca, entretanto, que a criação de empresas não é o objetivo principal do esforço despendido pela Inova. Segundo ele, o conceito de pré-incubação está vinculado ao trabalho no campo das idéias. Em outras palavras, o desafio está em melhorar as propostas e transformá-las em um negócio tecnológico, que pode ser materializado num produto, processo ou serviço. “A criação de uma empresa surge, dessa forma, como uma conseqüência e não como uma exigência principal da atividade”, explica.

Três pilares sustentam a atuação da Inova nesse campo. O primeiro deles é formado por grupos de alunos – graduação e pós – que se reúnem para desenvolver os projetos. O segundo é constituído pelos chamados mentores acadêmicos, que são os docentes que orientam as pesquisas e lhes conferem suporte técnico. Por último, há os mentores empresariais, que são profissionais relacionados a empresas que auxiliam no desenvolvimento das idéias.

Os mentores empresariais, segundo Lemos, normalmente dão orientações e ajudam no encaminhamento dos projetos, de forma a convertê-los em negócios. Uma vantagem da participação deles no processo é a possibilidade de apresentarem problemas que poderão ser solucionados pelos projetos de pré-incubação. Experiência nesse sentido vem sendo realizada por um grupo de alunos da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) em parceria com a Petrobras. A estatal sugeriu um estudo que proponha alternativas para o resfriamento das torres de refino de petróleo, tornando eficiente o consumo de água.

No trabalho de aproximação entre as pesquisas com potencial tecnológico e o mercado, as unidades de ensino e pesquisa e as empresas juniores (EJs) da Unicamp cumprem um importante papel, de acordo com o executivo da Inova. É por meio delas que a agência chega às idéias que podem ser convertidas em negócios. No caso específico das EJs, elas constituem um espaço valioso para o aprendizado e para a difusão de atividades empreendedoras. “Ao mesmo tempo, a atuação da Inova procura colaborar com a melhoria das atividades e para a institucionalização das empresas juniores”, analisa Paulo Lemos.

Cinco projetos – Atualmente, o programa de pré-incubação da Inova abriga cinco projetos. Estes são identificados por meio de edital de chamada ou mesmo por convite. Recentemente, a agência encerrou a segunda rodada de inscrições. A seleção sempre é feita por um corpo de especialistas, que levam em conta não apenas a originalidade das propostas, mas o seu potencial mercadológico. Participam desse esforço, além da FEEC e FEQ, a Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) e o Instituto de Computação (IC). Como mentores empresariais aparecem profissionais ligados a empresas como a Petrobras, a MTV Brasil e a Accenda. Esta última é considerada uma “filha da Unicamp”, pois foi criada por ex-alunos.

Para o biênio 2007/08, adianta Paulo Lemos, existe a expectativa de ampliação do programa de pré-incubação. A idéia é estender a experiência a outras unidades de ensino e pesquisa e Ejs da Unicamp, tornando a pré-incubação auto-sustentável. “Também queremos atrair novos mentores empresariais, de modo a contemplar todas as áreas do conhecimento e os mais variados segmentos produtivos”.

O conceito da pré-incubação, esclarece Paulo Lemos, está plenamente difundido entre instituições de ensino e pesquisa tanto do exterior quanto do Brasil. A União Européia, por exemplo, tem um projeto voltado especificamente às universidades. “No Brasil, várias universidades desenvolvem programas de pré-incubação. A Unicamp tem identidade própria em relação a isso, dado que é uma instituição que sempre esteve voltada à pesquisa e que tem tradição no desenvolvimento de tecnologias que trazem benefício para a sociedade”, conclui.

Para a graduação – Paralelamente ao programa de pré-incubação desenvolvido pela Inova, uma outra iniciativa tem colaborado para ampliar a visão dos membros da comunidade acadêmica acerca das possibilidades do empreendedorismo tecnológico, esta dirigida especificamente aos alunos de graduação. A convite do professor José Mario De Martino, da FEEC, que ofereceu uma disciplina voltada ao empreendedorismo, Paulo Lemos está colaborando com o curso sobre o tema, integrando a grade curricular da Faculdade. “Começamos pela FEEC, pois há um grande potencial para isso. A expectativa é que essa disciplina possa ser levada posteriormente para outras faculdades e institutos”, afirma.

Segundo o executivo da Inova, o objetivo da disciplina não é passar a idéia comum de um “comportamento empreendedor” aos estudantes, mas sim orientá-los com um aprendizado sobre como transformar o conhecimento em produtos, serviços e processos tecnológicos, capazes de gerar benefícios e riquezas para o país. “A reação dos alunos às discussões e atividades que travamos em sala de aula tem sido a melhor possível. Nosso objetivo é que esses jovens ampliem a sua visão sobre o empreendedorismo e, na medida do possível, também tomem contato com aspectos relativos à gestão, o que tornará aprendizado geral do grupo muito mais rico”.


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