Leia nesta edição
Capa
Usina de pesquisas
Reitoráveis falam sobre:
   Desafio
Reitoráveis falam sobre:
  
Refoma
Reitoráveis falam sobre:
  
Ensino
Principais pontos do programa
Reitoráveis falam sobre:
   Pesquisa
Reitoráveis fala sobre:
   Relações sociais
Hsitória da Unicamp, ano a ano
   1946 - 1984
Hsitória da Unicamp, ano a ano
   1985 - 2004
Amadurecimento institucional
 


4


Reforma

Se eleito reitor, que postura institucional a Unicamp deverá assumir em relação ao projeto de reforma universitária proposto pelo governo federal?

Alunos em laboratório de informática: candidatos mostram projetos para ensino de graduação (Foto: Antoninho Perri)Celso Arruda – A palavra reforma, em atos concretos, traz consigo o significado do demolir e reconstruir. Nesse caso, da reforma universitária, aparentemente, a demolição foi realizada sob o mando de pessoal sem qualificação acadêmica. Espera-se agora que seja chamado o efetivo qualificado para o ato da reconstrução. A Unicamp deverá agir com a devida cautela, esclarecendo os pontos negativos e positivos da sua experiência acumulada ao longo desses últimos 16 anos. Basicamente, deve-se estar alerta para o espírito da lei, ou seja, se é simplesmente para se livrar do poder reivindicatório das universidades ou conferir a almejada autonomia universitária no seu significado mais amplo.

Edson Moschim – O anteprojeto da reforma universitária ainda está em fase de coletar sugestões e críticas. Acho positivo que o governo se sensibilize com a questão do ensino superior. Do jeito que anda a educação pública nacional, torna-se inviável projetar um futuro melhor para o Brasil. Educação é a força motriz de uma nação. No seu projeto de reforma, o governo prevê uma universidade pública com autonomia, inclusão social, salários compatíveis, aumento de vagas e de campi. Enfim, propõe uma universidade institucionalizada. Faz também um mea culpa ao tocar na questão das cotas de vagas. Nesse sentido, o governo sinaliza que está no caminho certo.

Dúvidas surgem, e aí os críticos da reforma têm razão. Sou um deles, sobretudo com relação ao texto em forma de lei que engessa, por meio de definições pontuais, questões como por exemplo a autonomia universitária. Críticas são sempre bem-vindas quando acompanhadas de sugestões e propostas. Nesse contexto, devemos lembrar sempre o prefácio do livro “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, que diz: “O repúdio ao romantismo por Calibã é por não ver seu rosto no espelho, e o repúdio ao realismo por Calibã é por ver seu rosto no espelho”.

Caso seja eleito reitor, vou apontar ao governo o que é bom e o que é ruim nesta reforma. Iremos lembrar nossa experiência de universidade pública, gratuita, de qualidade e autônoma institucionalmente. Neste caso, posso dizer que mais vale a prática que a gramática.

José Tadeu Jorge – O projeto é limitado e se preocupa sobretudo com a moldura política da organização universitária, em vez de estabelecer um plano estratégico para o ensino superior brasileiro. Fixa um sistema de cotas e nada diz sobre cursos noturnos, que são um instrumento de inclusão dos mais eficientes. Estabelece eleições paritárias mas passa ao largo de qualquer consideração sobre a qualidade do ensino de graduação. Não há nada ali, por exemplo, sobre o desenvolvimento da pós-graduação brasileira.

Além disso, o projeto da reforma traz de volta o receio de que o governo pretenda retirar-se progressivamente do financiamento do ensino superior público, servindo-se para isso do dispositivo da autonomia financeira para as universidades federais, que ainda não a têm. Esse temor cria efetivamente uma ameaça para as universidades estaduais paulistas – que contam com a autonomia desde 1989 – na medida em que uma legislação federal exclua ou gradue para baixo a prerrogativa da autonomia financeira no âmbito das universidades federais.

Um forte envolvimento nas discussões sobre a reforma universitária será uma das prioridades da Unicamp nos próximos meses, em articulação com as demais universidades públicas, com as organizações docentes e num diálogo construtivo com o governo e com o Legislativo.


“Basicamente, deve-se estar alerta para o espírito da lei, ou seja, se é simplesmente para se livrar do poder reivindicatório das universidades ou conferir a almejada autonomia universitária no seu significado mais amplo”

Celso Arruda


“Estaremos decididos a ampliar a oferta de vagas diurnas e noturnas nos cursos de graduação, sempre mantendo, como parâmetro balizador, qualidade e excelência. pretendemos abrir novos cursos de graduação”

Edson Moschim


“O projeto é limitado e se preocupa sobretudo com a moldura política da organização universitária, em vez de estabelecer um plano estratégico para o ensino superior brasileiro. Fixa um sistema de cotas e nada diz sobre cursos noturnos”

José Tadeu Jorge

SALA DE IMPRENSA - © 1994-2004 Universidade Estadual de Campinas / Assessoria de Imprensa
E-mail: imprensa@unicamp.br - Cidade Universitária "Zeferino Vaz" Barão Geraldo - Campinas - SP