Vestibular: 52% dos aprovados vêm da rede pública

Reitor José Tadeu Jorge em coletiva de imprensa
Reitor José Tadeu Jorge em coletiva de imprensa

A Unicamp atingiu a marca histórica de 52% de alunos provenientes de escolas públicas aprovados na primeira chamada do Vestibular 2017. Do total de aprovados na primeira chamada, 1.720 fizeram o ensino médio em escolas da rede pública de ensino. Em 2016, o índice foi de 51,9%. Com isso, a Unicamp ultrapassou a meta do Consu para que a instituição atingisse 50% de alunos oriundos da rede pública em 2017. “Os resultados mostram que a metodologia de inclusão adotada pelo Programa de Ação Afirmativa para Inclusão Social (Paais) está consolidada”, comemorou José Tadeu Jorge, reitor da Unicamp, durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (13), na sala do Conselho Universitário (Consu) da Universidade. Compuseram a mesa diretiva, além do reitor da Unicamp, o coordenador executivo da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) Edmundo Capelas de Oliveira, a coordenadora executiva da Comvest Fosca Pedini Pereira Leite e o coordenador de pesquisa do órgão Jayme Vaz Júnior. 

Segundo Tadeu Jorge, o aumento representa a vontade da Universidade em fazer a inclusão, expressa através das decisões do Consu, que potencializou o Paais como mecanismo a ser empregado no vestibular. E a pontuação e os bônus do Paais fizeram com que os resultados se estabelecessem nesse nível das metas aprovadas pelo Consu: 52% de escola pública e 22,7% de pretos, pardos ou indígenas (PPIs). Além disso, outro índice foi o de estudantes autodeclarados pretos, pardos ou indígenas.

Dos 52% de aprovados da rede pública, 32,9% (571 estudantes) se declararam pretos, pardos ou indígenas. A meta aprovada no Consu era de 35%. Já, entre todo os aprovados, o percentual de PPIs foi de 22,7% (751 estudantes) contra 22,4% no ano anterior. A Comvest acaba de divulgar a lista de aprovados em primeira chamada nesta segunda-feira (13/2), para matrícula não presencial entre os dias 14 e 15 de fevereiro. Este ano, a Comvest registrou 73.489 inscritos.

Os números divulgados são resultado das mudanças promovidas no Paais e que foram aplicadas pela primeira vez no Vestibular do ano passado. Os pontos do programa para alunos da rede pública de ensino que prestam o vestibular dobraram e passaram a valer também na primeira fase. Até o Vestibular Unicamp 2015, a pontuação era aplicada somente após a segunda fase. Assim, todos os candidatos que fizeram o ensino médio integralmente em escolas públicas receberam 60 pontos na primeira fase e outros 90 pontos na segunda fase, informou Edmundo Capelas. Os candidatos de escola pública autodeclarados pretos, pardos ou indígenas receberam além desses, outros 20 e 30 pontos, respectivamente nas primeira e segunda fases. 

Os dados de anos anteriores estão disponíveis na página eletrônica da Comvest. As informações completas por curso serão divulgadas no final de todas as chamadas do vestibular. Estão previstas até dez listas de convocados para matrícula.

O Paais é o primeiro programa de ação afirmativa sem cotas implantado em uma universidade brasileira. Instituído em 2004, após aprovação no Consu, o Paais visa estimular o ingresso de estudantes da rede pública na Unicamp ao mesmo tempo que estimula a diversidade étnica e cultural. O aspecto mais importante do Paais é a adição de pontos à nota dos candidatos no vestibular.

O programa foi uma ação da Universidade no sentido de fazer a inclusão e, quando ele foi discutido, a Universidade também debateu o sistema de cotas, optando pelo Paais, entendendo que era naquele momento a ação mais importante que a Universidade deveria fazer. Os resultados mostram que o programa é flexível o suficiente, tanto que ele foi adequado algumas vezes para produzir o efeito de inclusão que a Universidade deseja, comentou o reitor. O Paais, ressaltou ele, impacta principalmente nos cinco primeiros cursos de maior demanda na relação candidato-vaga, entre eles os de medicina, arquitetura, comunicação social, ciências biológicas e engenharia civil. 

A ação da Universidade desde a criação do Paais em 2005, no primeiro vestibular, foi sempre uma preocupação, tanto no sentido de aumentar a inclusão quanto no sentido de estabilizar a metodologia que provoca essa inclusão. As últimas mudanças bonificando a primeira e a segunda fase estão praticamente consolidadas com o resultado desse ano, que está um pouco acima do ano passado, ao contrário de edições anteriores, quando as mudanças executadas sofriam acomodação. "Agora, de 2016 para 2017 temos consolidada essa quantidade de inclusão, que pode nos levar a uma maior inclusão em número de estudantes, tanto de escola pública quanto de PPI na Universidade", afirmou Tadeu.

Desde o ano passado, os resultados consolidaram as mudanças feitas em 2015 no Paais. Desde então, os alunos da rede pública passaram a ter bônus nas notas das duas fases do vestibular, e não apenas na primeira, como acontecia, explicou Edmundo Capelas. "Os vestibulandos recebem 60 pontos na primeira fase e 90 pontos na segunda fase. Os bônus eram apenas na fase inicial."