Instituições fecham acordo para aplicação de Inteligência Artificial em políticas Públicas

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O acordo foi assinado pelo reitor da Unicamp, Antonio Meirelles (à esquerda), pelo presidente do IBGE, Marcio Pochmann, e pela reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima
O acordo foi assinado pelo reitor da Unicamp, Antonio Meirelles (à esquerda), pelo presidente do IBGE, Márcio Pochmann, e pela reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima

A Unicamp, a Universidade Federal de Goiás (UFG) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) assinaram nesta quinta-feira (30) um acordo de cooperação técnica visando colaborar na execução do projeto de pesquisa Inteligência Artificial Aplicada às Políticas Públicas.

Valendo-se de recursos de inteligência artificial (chatPP), o projeto pretende desenvolver soluções tecnológicas para dar apoio à realização de pesquisas no campo das políticas públicas, além de pretender produzir textos e material sobre políticas públicas em um repositório específico a ser alimentado por uma rede nacional capilarizada formada por instituições universitárias e de pesquisa.

O projeto também prevê a qualificação de profissionais de estruturas administrativas municipais e estaduais e de conselheiros de participação social a fim de permitir o acesso às e o uso das informações para o debate público e a formulação e a gestão de programas públicos em todo o território nacional.

O acordo foi assinado pelo reitor da Unicamp, Antonio José de Almeida Meirelles, pelo presidente do IBGE, Márcio Pochmann, e pela reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima.

Coordenador-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do IBGE, o professor Paulo Jannuzzi explica que as três instituições se juntaram para desenvolver a proposta de uma rede com vistas à aplicação da inteligência artificial no aprimoramento das políticas públicas.

A proposta surgiu após o nascimento do Centro de Colaboração Interinstitucional de Inteligência Artificial Aplicada às Políticas Públicas (Ciap). A criação do Ciap, por sua vez, foi uma iniciativa do Centro de Estudos Aplicados ao Setor Público da UFG, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (Nepp) da Unicamp e da Ence. 

Essa  rede envolve a utilização de um chatPP (chat de políticas públicas) – uma ferramenta conversacional com a finalidade de responder às questões básicas que o gestor municipal precisa enfrentar em seu dia a dia, como a elaboração de diagnósticos socioeconômicos, o desenvolvimento de políticas públicas municipais em diversas áreas e o estabelecimento das bases de comparação com políticas públicas desenvolvidas em outras localidades.

Segundo Jannuzzi, a ferramenta pretende responder a questões fundamentais da gestão, oferecendo informações, por exemplo, sobre como o prefeito pode trabalhar para combater a evasão no ensino médio. Ou então sobre como reduzir a fila de atendimento no setor da saúde. Ou ainda sobre como estruturar um programa de alfabetização de jovens e adultos.

“Essa ferramenta, então, vai elencar os problemas e também as saídas, porque esse conhecimento, em parte, está documentado nas universidades, mas não é acessível de forma fácil.”, explica.

O projeto envolve também a identificação de políticas aplicadas, levantando as boas práticas que os municípios já desenvolvem e aquelas que as universidades desenvolvem para os municípios.

O coordenador Geral da ENCE, do IBGE, Paulo Jannuzzi: ferramenta pretende responder a questões fundamentais da gestão 
O coordenador Geral da Ence, do IBGE, Paulo Jannuzzi: ferramenta pretende responder a questões fundamentais da gestão 

IBGE

Pochmann lembrou que no início da década de 1950, quando o Brasil agrário esboçava um plano nacional de industrialização, o IBGE, então com 16 anos de idade, acabou identificando as próprias insuficiências diante das transformações em curso. Ele considera que um fenômeno semelhante ocorre neste momento. “Nós estamos trabalhando agora assentados na hipótese de que o Brasil vive uma profunda mudança de época. E o passado nos serve de lembrança, as decisões que as gerações passadas tomaram e que as gerações presentes não podem declinar de fazer”, disse ele.  

“A pandemia – e o que resultou dela, como a criação do chatGPT – foi, de certa maneira, uma indicação da ausência de soberania nacional. Nós usamos as diversas plataformas, que era o que nós tínhamos disponíveis, e elas foram a forma pela qual acabou sendo acolhido todo o universo de informações, pertencentes, basicamente, a instituições estrangeiras”, argumentou.

“Esse reconhecimento, de que estamos nesta nova época da era digital, em que o dado é o centro dos negócios, convoca o pensamento nacional, a inteligência nacional, a dar uma resposta contundente, porque, se nós quisermos um país que não seja soberano apenas do ponto de vista econômico e político, mas também do ponto de vista de seus dados, é fundamental que a gente possa caminhar nessa perspectiva, que está aqui, estabelecida neste encontro de vontades”, afirmou o presidente do instituto.

“Precisamos de um Estado para a era digital. Um Estado mais eficiente, mais capaz. E penso que o que estamos fazendo aqui possa vir a ser um marco na trajetória do país”, finaliza Pochmann.

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O projeto envolve também a identificação de políticas aplicadas, levantando as boas práticas que os municípios já desenvolvem e aquelas que as universidades desenvolvem para os municípios

Algo inovador

Para Meirelles, a formação de uma rede voltada para a orientação sobre políticas públicas revela-se algo verdadeiramente inovador e oferece um grande potencial de cooperação entre as instituições, visando à prestação de serviços para os municípios. “Tenho certeza de que, em pouco tempo, o número de instituições desejosas de participar disso será muito grande”, avalia o reitor da Unicamp.

“Estamos assistindo a um momento em que a Universidade decidiu abrir-se para uma interação maior com a sociedade, e fazer esse projeto neste momento dá-nos a possibilidade de dirigir o nosso corpo de pesquisadores e professores de modo a fazer isso em larga escala”, diz Meirelles.

Para o reitor, a ferramenta em fase de implementação poderá identificar os desafios que os gestores municipais podem ter e abrir espaços para novas formas de interação com a Universidade. “Porque, muitas vezes, a administração municipal tem dificuldade em formular um bom projeto ou mesmo encontrar os caminhos de financiamento. Portanto, acho que essa ferramenta tem uma potencial grande no sentido de abrir portas para esse tipo de ação”, finalizou Meirelles.

Para a reitora da UFG, Angelita Pereira Lima, o projeto tem por objetivo qualificar as políticas públicas segundo um conceito de inclusão, de redução das desigualdades, de eficiência, de transparência. “E eu acho que as duas universidades e o IBGE, juntos, temos condições de fazer um trabalho de grande relevância para o país”, concluiu ela.

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As três instituições se juntaram para desenvolver a proposta de uma rede com vistas à aplicação da inteligência artificial no aprimoramento das políticas públicas

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