Dados da Unicamp mostram necessidade de hospital metropolitano, avaliam prefeitos

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Levantamento foi apresentado aos prefeitos da Região Metropolitana de Campinas; 90% da demanda da rede hospitalar da RRAS15 tem origem nos municípios da região de saúde da RMC
Levantamento foi apresentado aos prefeitos da Região Metropolitana de Campinas; 90% da demanda da rede hospitalar da RRAS15 tem origem nos municípios da região de saúde da RMC

Dados de um levantamento feito pela Unicamp, divulgados nesta sexta-feira (17), mostram que a Região Metropolitana de Campinas (RMC) conta com o menor número de leitos hospitalares em comparação ao Brasil e ao estado de São Paulo.

De acordo com os dados apresentados pelo Diretor da Área de Saúde da Unicamp, Oswaldo Grassiotto, para ao menos 30 prefeitos da RMC, da Região Mogiana e do Circuito das Águas, a média de leitos por mil habitantes é de 2,5 no Brasil, chega a 2,0 no estado de São Paulo e atinge o índice de apenas 1,0 na RMC.

De acordo com os dados, a análise da evolução do número de leitos hospitalares SUS, cadastrados no Conselho Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) no período de 2008 a 2021, indica uma queda progressiva nos leitos da Rede Regional de Atenção à Saúde (RRAS) 15 — que engloba o Departamento de Saúde de Campinas e de São João da Boa Vista. Essa queda foi de cerca de 19% até 2017.

Houve um leve crescimento nos anos de 2020 e 2021, mas insuficiente para repor os números de 2008, segundo o estudo. De acordo com o levantamento, a queda no número de leitos deveu-se à diminuição dos leitos cirúrgicos, obstétricos, pediátricos e de outras especialidades, além dos leitos de hospital-dia. O resultado disso é um aumento progressivo nas filas de espera por cirurgias eletivas.

Em dezembro de 2022, segundo registros da Central de Regulação de Serviços e Saúde para a RRAS 15, as demandas ainda reprimidas eram de 20.814 pacientes aguardando tratamento em oftalmologia, mais de 10.8 mil em ortopedia e quase 6,5 mil para dermatologia. No total, 56 mil pessoas aguardam hoje, na região, por uma cirurgia eletiva. (Veja quadro completo abaixo).

O levantamento mostrou ainda que mais de 80% das internações nos hospitais da rede de saúde ocorrem em caráter de urgência. Na RMC, esse índice é 81%. O diagnóstico mostrou, também, que 90% da demanda da rede hospitalar da RRAS15 tem origem nos municípios da região de saúde da RMC; cerca de 5% vem de outros municípios do estado de São Paulo, e 2,5% de municípios de outros estados.

Gustavo Reis
O presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC e prefeito de Jaguariúna, Gustavo Reis: 300 novas vagas

Instituto Movimento Cidades Inteligentes

O estudo feito pela Unicamp deverá compor uma série de levantamentos de dados feito pelo Instituto Movimento Cidades Inteligentes (IMCI) para a plataforma Infratech – Gestão Pública Inteligente, braço de apoio do Conselho.

Segundo o presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC e prefeito de Jaguariúna, Gustavo Reis (MDB), o estudo irá subsidiar os municípios com vistas à construção do futuro Hospital Metropolitano, que criará cerca de 300 novas vagas e deverá desafogar a fila da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross), do Governo do Estado de São Paulo.

“É um estudo que dará as diretrizes para a saúde regional e se alinha à nossa luta pela construção do Hospital Regional Metropolitano, uma bandeira de todos os prefeitos que integram o Conselho de Desenvolvimento da RMC”, explica Gustavo Reis.

O projeto de construção do Hospital Metropolitano está pronto, segundo o diretor da área de Saúde da Unicamp, Oswaldo Grassiotto. De acordo com ele, a Universidade já reservou uma área de aproximadamente 40 mil m² na região onde está sendo instalado o HIDS (Hub Internacional de Desenvolvimento Sustentável) — um distrito inteligente, que irá reunir o setor acadêmico, de pesquisa e empresas de tecnologia e inovação.

O equipamento terá capacidade para cerca de 300 leitos — 50 de UCI (Unidade de Cuidados Intermediários) e de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Conforme o estudo, o custo de construção do hospital é estimado em R$ 320 milhões, e o custeio exigirá R$ 250 milhões por ano. O financiamento deverá ser feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Pela proposta, a gestão técnica será feita pela Unicamp, através de contrato de gestão, com atendimento eletivo e de urgência referenciados. De acordo com Grassiotto, uma estrutura como essa é construída em cerca de dois anos. As estruturas de Saúde administradas pela Unicamp na região de Campinas e adjacências somam 13 hospitais e unidades de saúde, que, juntas, oferecem perto de mil leitos.

Além do HC, do Caism (Hospital da Mulher), do Gastrocentro e do Hemocentro, a estrutura conta com o Hospital Estadual de Sumaré e o Hospital Regional de Piracacaba, além das AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) em Amparo, Limeira, Mogi Guaçu, Piracicaba, Rio Claro, Santa Bárbara D’Oeste e São João da Boa Vista. No total, os atendimentos da Universidade nesse setor abrangem 125 municípios.

O prefeito Dario Saad, o reitor da Unicamp Antonio Meirelles e o diretor executivo da Área da Saúde Oswaldo Grassiotto:
Da esquerda para direita, o prefeito de Campinas, Dario Saadi, o reitor da Unicamp Antonio Meirelles e o diretor executivo da Área da Saúde Oswaldo Grassiotto: necessidade de um novo hospital público na região

Mais investimentos do governo

O prefeito de Campinas, Dario Saadi, lembrou que a região vive uma crise pela falta de leitos pediátricos e materno-fetal. Ele pediu mais investimentos do governo do estado e reforçou a necessidade de um novo hospital público na região.

“Estamos vivendo uma crise no setor de pediatria na RMC, principalmente o atendimento materno-fetal. Faço coro, aqui, com o prefeito Gustavo Reis e com todos os outros prefeitos presentes, não apenas por mais investimentos do governo do estado na assistência e na abertura de novos leitos, mas também para que possamos deixar o Hospital das Clínicas da Unicamp para atendimentos mais complexos”, afirmou ele.

“Esse tipo de atendimento é extremamente difícil de se conseguir no setor privado ou mesmo no filantrópico. E precisamos lembrar que o HC da Unicamp tem essa capacidade. Na verdade, estamos defendendo o uso racional da estrutura do HC”, afirmou o prefeito de Campinas.

A necessidade de um hospital metropolitano foi defendida também por prefeitos de municípios para além da RMC.

Presente no encontro, o prefeito Marcelo Zanetti, de São José do Rio Pardo, avalia que a construção de um hospital metropolitano em Campinas pode afetar positivamente a sua cidade. “Acreditamos num projeto de regionalização ou de microrregionalização, para que possamos aproveitar o potencial de cada região”, disse ele. “Aquilo que eventualmente é ofertado numa região, pode faltar em outra. Então, esse projeto, com certeza, fortaleceria o vínculo dos municípios e possibilitaria atender melhor nossa população”, concluiu ele.

“A construção de um hospital como esse afetará muito o atendimento em toda a região. O hospital irá significar muito para nós, porque Campinas é nossa referência”, disse o prefeito Osvaldo Moreira, de Santo Antonio do Jardim.

O prefeito José Francisco Martha, de São Sebastião da Grama, lembra que, para os municípios menores, a demanda quase sempre é maior que oferta de serviços. “Temos um hospital regional, mas um hospital aqui em Campinas pode contribuir, pois a demanda por saúde é sempre maior que nossa disponibilidade. Nós, que estamos abaixo de 20 mil habitantes, sempre precisamos buscar ajuda de cidades maiores”, argumenta.

Os prefeitos de São Sebastião da Grama, José Francisco Martha; de São José do Rio Pardo, Marcelo Zanetti e de  Santo Antonio do Jardim, Osvaldo Moreira 
Os prefeitos de São Sebastião da Grama, José Francisco Martha; de São José do Rio Pardo, Marcelo Zanetti e de  Santo Antonio do Jardim, Osvaldo Moreira: agenda positiva  

Esforço maior

O reitor da Unicamp, professor Antonio José de Almeida Meirelles, disse que o maior objetivo da Universidade é fazer com que o conhecimento gerado na academia sirva à região, ao estado e ao país.

“Queremos contribuir para reduzir as desigualdades, para garantir sustentabilidade e inclusão social. Essa é nossa disposição como instituição, mas não é possível fazer isso sem uma relação estreita com os municípios, com o governo estadual e com a União”, avalia.

O reitor diz que a proposta da Unicamp, de ceder uma área para a construção de um hospital regional, faz parte de um esforço maior. “Queremos pensar a saúde em toda a região. E a proposta do hospital regional vem nessa direção. Esse projeto permitirá não só dar um salto de qualidade no atendimento e na assistência à saúde, mas também ampliar as áreas oncológicas, o que é hoje um grande desafio para nós”, diz.

Para Meirelles, o projeto permitirá avanços em outras áreas. “No entorno da assistência à saúde, podemos ampliar a industrialização da nossa região, fazendo com que a inovação, ciência e tecnologia sirvam para trazer novas empresas da área de saúde, que construam equipamentos, que fabriquem fármacos, que atuem na logística assistencial e hospitalar ou na tecnologia da informação aplicada ao atendimento à saúde”, lembra o reitor.

“Usando esse conjunto de ferramentas, a gente poderá, de fato, contribuir para reduzir as desigualdades em nossa região e para melhorar substancialmente os serviços prestados para o conjunto da nossa população”, conclui.


Lista de espera da cirurgia eletiva (número de pessoas à espera por uma cirurgia eletiva)

Oftalmologia — 20.814

Ortopedia — 10.860

Dermatologia — 6.639

Cirurgia Geral — 6.436

Urologia — 4.703

Cirurgia Pediátrica — 3.524

Neurocirurgia — 3.051

Fonte: Central de Regulação de Serviços e Saúde CDR CROSS para a RRAS15 em dezembro de 2022.

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Audiodescrição. Foto: Felipe Bezerra. No palco de um auditório, imagem frontal em plano geral de 9 homens sentados em poltronas no palco, posicionados um ao lado do outro, sendo que outro homem, à direita da foto, fala ao microfone sem fio em uma tribuna, sendo observado pelos outros. Há uma ampla tela de Data Show ao fundo, com vários logos como Unicamp, Infratec e CDRMC. Todos vestem terno e gravata. À frente deles, o público, cerca de 20 pessoas sentadas em cadeiras não alinhadas em filas. Imagem 1 de 1

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