Unicamp amplia programa de combate ao carrapato-estrela

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A Unicamp decidiu intensificar o programa permanente de combate ao carrapato-estrela – transmissor da bactéria causadora da febre maculosa brasileira. Dentre outras medidas, os profissionais do Centro de Saúde da Comunidade (Cecom) e do Hospital de Clínicas (HC) foram orientados a redobrarem a atenção aos protocolos de investigação para diagnóstico da doença.

Em outra frente, a Unidade de Vigilância em Zoonoses – órgão ligado ao Departamento Municipal de Vigilância em Saúde (Devisa) -  deverá realizar no dia 27 deste mês, uma nova pesquisa acarológica no campus. A pesquisa consiste em investigar o grau de infestação de um parasita no ambiente e medir os riscos à saúde. A última investigação deste tipo na Universidade foi feita em 2018 e identificou ácaros sem a presença da bactéria causadora da febre maculosa.

A Divisão de Meio Ambiente da Prefeitura do campus, por sua vez, irá ampliar a campanha de orientação voltada a funcionários, docentes, estudantes e visitantes, com faixas e cartazes de alerta pelo campus e informações sobre como proceder ao frequentar as áreas verdes da Universidade.

Segundo o médico infectologista Plinio Trabasso, docente da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e assessor da Coordenadoria Geral da Universidade (CGU), a decisão de reforçar as medidas preventivas foi tomada depois da confirmação da morte de uma pessoa de 30 anos que pode ter sido infectada na Praça da Paz, área de 53 mil m² localizada no campus de Barão Geraldo. O óbito foi registrado no dia 28 de junho. A vítima não integrava a comunidade universitária da Unicamp. De acordo com laudo emitido pelo Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa), a praça é o “local provável de infecção”.

Trabasso esclarece que os sintomas iniciais da febre maculosa são muito parecidos aos de várias outras doenças. “O quadro é inespecífico”, afirma. “Por isso, a equipe precisa estar atenta ao fato de que é época de ocorrência de febre maculosa e passar a incluir essa possibilidade nas hipóteses diagnósticas.” A orientação já foi transmitida aos profissionais de saúde, em especial aos que atuam nos serviços de pronto atendimento.

Segundo Trabasso, as equipes devem perguntar objetivamente, ao levantar a história clínica do paciente, se ele esteve em algum local reconhecido como de risco para a presença de carrapatos – como matas e acampamentos – ou em área em que já tenha sido registrada a ocorrência da doença.

Trabasso pondera que não há motivo para alarmismo. “Temos adotado, há muito tempo, todas as medidas necessárias para evitar a ocorrência da transmissão da febre maculosa”, garante. A intensificação do programa de prevenção decorre da sazonalidade, já que o período atual é o de maior transmissão da bactéria. “Nesta época do ano, de seca intensa, é usual que sejam feitas campanhas de alerta para a população sobre prevenção, transmissão e as características clínicas da doença”.

Prefeitura Universitária mantém programa de ações preventivas e de combate ao carrapato-estrela há 17 anos
Prefeitura Universitária mantém programa de ações preventivas e de combate ao carrapato-estrela há 17 anos

O infectologista descarta a interdição da Praça da Paz, uma vez que situações recentes – e históricas – demonstram que a medida é ineficaz em locais com maior potencial de transmissão, citando como exemplo a Lagoa do Taquaral, em Campinas. “A Praça da Paz é uma área extensa, frequentemente utilizada para diferentes atividades, tanto pela comunidade interna, como pela externa. Recomenda-se a ampla distribuição de alertas sobre a presença de carrapatos, bem como de materiais educativos sobre os modos de prevenção da infestação e as características clínicas da febre maculosa”, afirma.

Ações

O médico-veterinário Paulo de Tarso Gerace da Rocha e Silva, do Centro de Monitoramento Animal (CEMA) da Prefeitura Universitária, afirma que as ações preventivas e de combate ao carrapato-estrela decorrem de um programa instalado há 17 anos. O manejo das capivaras – um dos principais hospedeiros do carrapato-estrela, que transmite a doença – obedece a rigorosos protocolos sanitários. Os animais vivem numa área de proteção ambiental no entorno do campus e são isolados por uma cerca de alambrado de 6 km, que poderá ser ampliada.

O veterinário garante que as capivaras não circulam pela Praça da Paz. “A circulação desses animais é restrita às Áreas de Preservação Permanente (APPs). O escape para ambientes com circulação de veículos e pessoas ocorre de forma esporádica, invariavelmente associado a vandalismo nos cercamentos da APP”, afirma. “A manutenção é periódica e realizada por equipe especializada da Prefeitura”.

Para Paulo de Tarso, não há como assegurar que a transmissão tenha ocorrido na Praça da Paz. “O local não apresenta as características clássicas de área de risco”, afirma. Segundo ele, uma eventual infecção pode ter tido como transportador, uma ave ou um pequeno animal de hábitos noturnos, como gambá ou ouriço.

A Divisão de Meio Ambiente da Prefeitura Universitária garante que a manutenção dos jardins da Praça da Paz é realizada regularmente, com corte periódico da grama, aparada rente ao solo.

Trabalhador faz manutenção em área gramada da Unicamp
Trabalhador faz o corte da grama em local próximo ao Jardim Educativo, no Instituto de Biologia

A febre maculosa

A febre maculosa é uma zoonose, ou seja, uma doença naturalmente transmitida entre animais e o homem. É causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que contamina o corpo humano por meio da mordedura de um carrapato infectado. É uma doença grave, que pode causar a morte em até duas semanas, se não for tratada precoce e corretamente, conforme manual elaborado em 2019 pela Secretaria Municipal de Saúde de Campinas.

Para haver contaminação, o carrapato infectado deve ficar aderido à pele por pelo menos quatro horas. Este é o tempo mínimo para que as bactérias sejam introduzidas no organismo humano. Uma das maneiras mais eficazes de prevenir a transmissão da doença é utilizar vestimentas que cubram os membros inferiores e superiores, assim como fazer a busca por carrapatos nas áreas expostas (pernas e coxas, principalmente, mas também nos braços) a cada duas horas.

Não há risco de transmissão da doença de uma pessoa para outra; a transmissão ocorre somente por meio da mordedura do carrapato infectado.

Sintomas

Os sintomas da febre maculosa aparecem de forma repentina de 2 a 15 dias depois de a pessoa ter sido mordida por um carrapato infectado. O mais comum é que surjam em um prazo de sete a dez dias. Os sinais mais frequentes são febre alta, dor de cabeça e no corpo, mal estar, diarreia e, posteriormente, manchas avermelhadas na pele. Na evolução da doença, podem ocorrer hemorragias e vômitos. O tratamento deve ser iniciado em no máximo cinco dias a partir do surgimento dos primeiros sintomas. Passado esse período, o quadro clínico tende a agravar-se, e há risco de que os medicamentos não surtam mais efeito.

 

quadro ações propostas
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Trabalhadores fazem o corte da grama próximo ao Jardim Educativo, no Instituto de Biologia

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