Pesquisa avalia o impacto da obesidade e do alto IMC com evolução grave de Covid-19

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Pesquisadores do Laboratório de Genética Molecular do Câncer (Gemoca) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, em colaboração com outras Universidades e Centros de pesquisas brasileiros, investigaram uma possível associação entre peso corporal e prognóstico entre os pacientes diagnosticados com Covid-19. Os resultados geraram o artigo Índice de massa corporal e prognóstico de infecção por Covid-19: Uma revisão sistemática. O artigo acaba de ser publicado na revista internacional Frontiers in Endocrinology.

Os pesquisadores fizeram uma revisão sistemática nas bases de dados da Cochrane Library, EMBASE, MEDLINE, OMS - Literatura Global sobre Doença de Coronavírus, OpenGrey e Medrxiv. De acordo com os pesquisadores, a maioria dos estudos incluídos mostrou algum grau de associação entre maior índice de massa corporal (IMC) e pior apresentação clínica e entre obesidade e necessidade de hospitalização. Entretanto, apesar de reunir dados de mais de 17 mil pacientes, os resultados foram inconsistentes sobre o impacto da obesidade na mortalidade.

“Já existem, neste momento, muitos artigos relacionando obesidade e IMC à severidade da Covid-19. Mas, quando começamos a escrever esse artigo, em abril de 2020 e só agora publicado, pouco ou nenhum estudo era focado somente na obesidade como fator isolado de prognóstico. Com a ferramenta que usamos em nosso estudo, mostramos que os artigos publicados tinham riscos de viés moderado a crítico, o que limitava a confiabilidade dos resultados. Em nossa publicação, destacamos a necessidade de novos estudos com desenhos mais apropriados”, explica Karina Colombera Peres, primeira autora do artigo.

O ineditismo do estudo está na forma como os pesquisadores se debruçaram sobre os dados."A metodologia usada, a revisão sistemática, é um tipo de análise que requer uma minuciosa avaliação crítica e sistemática da literatura que, embora trabalhosa, fornece dados de mais alto grau de evidência médica, afirma Lucas Leite Cunha, médico formado pela Unifesp e em Biologia pela Unicamp que fez o doutorado na FCM, sob orientação da professora Laura Sterian Ward, coordenadora do Gemoca.

Estudos publicados desde a análise feita pelo grupo da Unicamp vêm comprovando que pacientes obesos são, geralmente, acometidos pela forma mais grave da doença e tem risco aumentado para a necessidade de assistência hospitalar como internação em unidade intensiva (UTI) e ventilação mecânica. Entretanto, ressaltam os pesquisadores da Unicamp, em tempos de pandemia, há uma enxurrada de artigos, alguns nem sequer ainda publicados, e nem sempre adequadamente avaliados pelos tradicionais métodos envolvendo “pares”.

“Precisamos manter um olhar analítico sobre todo o conjunto de dados publicados no mundo todo, com pacientes dispersos por países e locais diferentes. Enfrentamos uma situação de emergência na saúde pública que torna necessário produzirmos dados rapidamente, mas se não mantivermos a metodologia científica em sua interpretação, continuaremos vendo apologias a tratamentos inadequados ou inúteis, gastando dinheiro e alocando esperança em vacinas ou medicamentos que poderão ser muito decepcionantes e, ultimamente, poderão contribuir para maior descrédito da ciência pela população desesperada por uma bala de prata milagrosa”, comenta Laura Ward, orientadora da pesquisa.

O estudo foi realizado em parceria pesquisadores da Escola Paulista de Medicina, do Hospital Sírio-Libanês, da Universidade Metropolitana de Santos, do Centro Universitário São Camilo e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os outros autores do artigo são Rachel Riera, Ana Luiza C. Martimbianco, Laura S. Ward e Lucas L. Cunha.

Leia aqui o artigo na íntegra.

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Arte feita a partir de uma foto de pessoa obesa com os desenhos de um eletrocardiograma

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