O papel da Unicamp para a escolha de Campinas como a cidade mais inteligente do Brasil

audiodescrição: fotografia colorida de prédio do parque científico e tecnológico da unicamp
Parque Científico e Tecnológico da Unicamp é destacado pela Connected Smart Cities 

A cidade de Campinas (SP) foi eleita pelo Ranking Connected Smart Cities como a cidade mais inteligente do Brasil em 2019. A posição do município, segundo a organização do ranking, só foi possível pela presença de universidades, parques científicos e tecnológicos e institutos de pesquisa na região. A Unicamp é destacada principalmente pela contribuição da Agência de Inovação (Inova) e pelo projeto do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), do qual é uma das instituições responsáveis.

Para o diretor-executivo da Inova, Newton Frateschi, e para o diretor-executivo de Planejamento Integrado da Unicamp, Marco Aurélio Pinheiro Lima, o papel da Universidade é ainda mais amplo, na medida em que a Unicamp possui excelência na formação de qualidade de profissionais.

Newton observa que, nas empresas instaladas na região, encontram-se sempre profissionais formados na Unicamp. “Se você olhar para as empresas, pequenas e grandes, você vai encontrar pessoas formadas na Unicamp. Essas pessoas levam o conhecimento com elas e elas começam e ser influenciadoras. Então acabam se formando ações entre empresas e Universidade, trocas entre pesquisadores, professores e profissionais das empresas, além do licenciamento de tecnologias e formação de novas empresas”, afirma.

Assim como o diretor da Inova, Marco Aurélio avalia que Unicamp contribui para o ranking atuando naquilo que ela saber fazer melhor: formar pessoas capazes de atuar no desenvolvimento tecnológico. “Como a Unicamp entra nesse assunto? Formando gente criativa capaz de fazer esse tipo de desenvolvimento. Inúmeras empresas que nasceram de alunos da Unicamp estão ao redor da Unicamp ou dentro da Unicamp. Isso é a universidade entregando para a sociedade pessoas capazes de fazer desenvolvimento. Não tenho dúvida nenhuma que essa é a maior contribuição da Unicamp”, observa.

Os diretores também comentam a contribuição específica da Inova e do HIDS para a classificação de Campinas no ranking:

Inova

audiodescrição: fotografia colorida do diretor da Inova
Newton Frateschi, diretor-executivo da Inova: "Não conheço uma cidade inovadora que não tenha uma universidade"

Criada em 2003, a Inova visa ampliar o impacto do ensino, da pesquisa e da extensão em favor do desenvolvimento socioeconômico sustentado. Para Newton Frateschi, o destaque da Agência dá-se pelo fato dela ser uma ponte entre o mundo acadêmico e o exterior, com os eixos de propriedade intelectual, parcerias, empreendedorismo e comunicação fomentando um ambiente de inovação. “É uma ponte que alimenta esse ecossistema econômico sustentado que é baseado no conhecimento. Não conheço uma cidade inovadora que não tenha uma universidade”, diz. 

Dentro do escopo de atuação da Inova, está o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, dedicado a fomentar a inovação no setor empresarial. No Parque, localizado no campus da Universidade em Campinas, estão os laboratórios de inovação, a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica e as startups. Atualmente, existem 32 empresas instaladas. Em 2019, elas obtiveram R$15 milhões em faturamento e R$11 milhões em recursos captados para Pesquisa e Desenvolvimento. Segundo Newton, 80% delas são empresas-filhas da Unicamp, ou seja, empresas fundadas por ex-alunos.

Dessa maneira, diz o diretor, Campinas se beneficia tanto pela formação de profissionais qualificados na Unicamp como pela articulação promovida pela Inova. “Para mim o segredo é uma universidade de qualidade forma talentos, que faz ensino, pesquisa e extensão da mais alta qualidade, e uma agência de inovação como a Inova, que faz uma interlocução com as empresas”. Ele também salienta que, em 2019, o faturamento das 815 empresas-filhas cadastradas no mapeamento da Agência chegou a R$7,9 bilhões. Um total de 53,6% delas encontram-se na região de Campinas. "Por que elas estão aqui? Por conta da interlocução com a universidade, pela possibilidade de recrutamento, pela possibilidade de parcerias", analisa.

HIDS

audiodescrição: fotografia colorida de Marco Aurélio, diretor de Planejamento Integrado da Unicamp
HIDS é projetado para ser um distrito modelo em termos de desenvolvimento sustentável, diz o diretor-executivo de Planejamento Integrado da Unicamp, Marco Aurélio Lima

O Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável de Campinas (HIDS) é um projeto de ocupação de uma área de 11 milhões de m² contígua ao terreno da Unicamp, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e é fruto de uma parceria entre estas instituições, junto à Prefeitura de Campinas e ao Governo do Estado de São Paulo. A concepção do HIDS prevê que ele seja um distrito modelo em termos de sustentabilidade. Na Unicamp, ele é encabeçado pela Diretoria Executiva de Planejamento Integrado (Depi).

“A proposta do HIDS é criar um distrito modelo não só sob o ponto de vista urbanístico, mas você construir dentro desse distrito um laboratório vivo em um contexto de uma pequena cidade. Esse modelo de distrito, desde o início, é planejado para ser uma smart city dentro do modelo de desenvolvimento sustentável. Isso só acontece porque tem uma universidade como a Unicamp e uma cidade como Campinas, que já avançou muito em vários desses assuntos”, explica o diretor-executivo da Depi.

O professor afirma que a concepção do HIDS prosperou pelo fato de existirem, na região, instituições e pessoas que valorizam esse tipo de desenvolvimento. As duas universidades envolvidas na concepção do HIDS, Unicamp e PUC-Campinas, segundo Marco Aurélio, poderão virar uma referência para o desenvolvimento urbano sustentável no país. E os benefícios não serão restritos apenas às instituições envolvidas, mas também para a cidade de Campinas, para o estado de São Paulo e para o país, na medida em que o projeto do distrito prevê o fomento de conhecimento, de tecnologias inovadoras e de educação com vistas a mitigar e superar fragilidades sociais, econômicas e ambientais da sociedade.

O ranking

O Ranking Connected Smart Cities é realizado desde 2015 pela Urban Systems em parceria com a Necta, classificando as cidades brasileiras de mais de 50 mil habitantes que possuam grande potencial de desenvolvimento. A classificação é realizada a partir de 11 eixos temáticos: tecnologia e inovação, mobilidade, empreendedorismo, governança, segurança, urbanismo, meio ambiente, economia, energia, saúde e educação. Campinas obteve a primeira posição em Tecnologia e Inovação e a segunda posição em Empreendedorismo, sendo considerada a cidade mais inteligente em 2019. Em 2018, a cidade obteve o 4º lugar.

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audiodescrição: montagem colorida com imagens do campus da unicamp
Unicamp contribui para primeira colocação de Campinas no ranking de cidades inteligentes