Artigo mostra como o Brasil está lidando com as cirurgias ginecológicas em tempos de Covid-19

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A pandemia de Covid-19 trouxe desafios a diversas especialidades médicas. A Associação Americana de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) convidaram Luiz Gustavo Oliveira Brito, médico do Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti (Caism) e professor livre-docente do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, para escrever um artigo sobre como o Brasil está lidando com a chegada da pandemia do Covid-19 em relação às cirurgias ginecológicas eletivas.

O artigo – chamado de artigo de perspectiva – acaba de ser publicado na revista da Associação Americana de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e foi baseado em guidelines internacionais e recomendações da Febrasgo. Uma das diretrizes da Febrasgo é que as cirurgias eletivas sejam adiadas ou reagendadas a partir de uma decisão conjunta entre cirurgião e paciente. Leia aqui o artigo na íntegra com todas as recomendações. 

A Divisão de Ginecologia do Caism interrompeu a internação de cirurgias eletivas e remarcou as cirurgias para o começo do segundo semestre. Todos os casos passaram por uma análise criteriosa, desde aqueles que necessitavam de intervenção nas próximas semanas até aqueles em que constaram não haver prejuízo para a paciente. As pacientes foram contatadas por telefone. Os casos considerados urgentes continuam a ser internados, assim como aqueles em que há suspeita de câncer.

“Tomamos essa decisão em conjunto com o Comitê de Enfrentamento para a pandemia do Covid do Caism, pensando no bem-estar das pacientes e seguindo todos os protocolos mais atualizados. Caso seja necessário a realização de uma cirurgia, os fatores de risco para Covid-19 serão discutidos com a paciente e a ausência dos sintomas será exaustivamente confirmada antes da cirurgia”, explicou Luiz.

Isso permitiu a redução dos casos e a criação de uma enfermaria somente para casos Covid. Visando proteger as pacientes que venham a ser operadas em caráter de urgência e emergência, e futuramente em caráter eletivo, a Divisão de Ginecologia elaborou, também, um projeto que pretende testar todas as pacientes para Covid-19 antes da cirurgia. Esse projeto foi submetido ao CNPq para obtenção de verba.

“Queremos testar 1.500 pacientes para Covid-19. Caso elas sejam positivas, a cirurgia será remarcada. Caso elas sejam negativas, irá se manter a cirurgia, porém com orientações de proteção, já que a taxa de falso-negativo pode chegar entre 20% e 30%. Caso elas sejam pacientes que venham a operar em caráter de emergência, irão ser observadas no período pós-operatório”, ressaltou Luiz.

Existe apenas um trabalho publicado na China em pessoas operadas sem testagem para Covid-19 antes da cirurgia e que depois fizeram o exame, e que vieram positivas, mostrando que todas desenvolveram sintomatologia, sendo que 40% evoluiu para quadro grave e 20% para óbitos, neste estudo.

“Por isso, a preocupação é grande sobre o curso da doença em pacientes submetidas a cirurgia durante esse período. É importante saber, se possível, com testagem, se ela apresenta a doença ou não”, concluiu o médico do Caism.

Matéria publicada originalmente no site da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. 

 

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Foto da fachada do prédio do Caism

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