HC Unicamp já recebeu mais de 4 mil máscaras faciais, mas ainda não é o suficiente para atender demanda

Desde o início da pandemia de coronavírus, o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp vem recebendo doações de máscaras face shields de diversas empresas de Campinas e região, além de grupos de pessoas que se juntaram e começaram a produzir esse tipo de equipamento usado pelos profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate ao Covid-19.

Recentemente, as empresas Cortag e Pecval doaram 1.700 máscaras face shields ao hospital. O arquiteto Guilherme Socalschi resolveu produzir em casa na sua impressora 3D algumas máscaras que doou não só ao HC, mas a outros hospitais. Moradores de Campinas também se mobilizaram para produzir esse tipo de máscara (veja aqui a matéria) e até uma vaquinha virtual rendeu um boa arrecadação (veja aqui a matéria). O Projeto Gama, o grupo Protegendo Vidas, a Corrente de Amor pelo SUS e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), também doaram centenas de máscaras ao HC Unicamp.

A empresa Cortag, especializada em cortadores manuais de pisos cerâmicos, porcelanatos e azulejos, doou ao Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp 500 máscaras modelo face shield. As máscaras serão usadas pelos profissionais do HC que atuam na linha de frente do atendimento de pacientes com Covid-19.

De acordo com Leonardo Gardia, sócio da empresa, as máscaras foram produzidas utilizando insumos da própria fábrica. Isso permitiu baixo custo e o início da produção em escala industrial em apenas dois dias. A empresa já produziu 8 mil máscaras que foram doadas a instituições e secretarias de saúde de todo o Brasil. 

Formado em Engenharia Mecânica pela Unicamp, Leonardo disse que a prioridade sempre foi atender os hospitais mais próximos da Cortag, em Mogi Mirim, entre eles o HC da Unicamp, referência no interior paulista.

“O curso de engenharia mecânica me deu a oportunidade de projetar e produzir esse tipo de EPI. Nada mais justo do que retribuir um pouco à Unicamp nesse momento tão delicado”, revelou Leonardo.

Márcio Lopes, responsável pela área de engenharia de processos e produção na empresa Pecval, do grupo Toyoda Gosei – empresa do ramo automotivo que produz peças para automóveis –, doou 1.200 máscaras face shield. Márcio disse que, com a situação atual do coronavírus, eles  sentiram a necessidade de ajudar aos que precisam.

“Através de uma união entre as empresas, conseguimos produzir as máscaras para ajudar na proteção dos profissionais da saúde. Esperamos que, com esta pequena parte, possamos contribuir para passar este período complicado, assegurando o bem-estar de médicos, enfermeiros e demais profissionais do HC Unicamp”, disse Márcio.

Já o arquiteto Guilherme Socalschi revolveu fazer em casa as máscaras a partir de sua impressora 3D. Para o HC Unicamp, Guilherme fez 64 máscaras face shield. Ele também doou para a Prefeitura de Hortolândia e Hospital Municipal de Paulínia, onde suas cunhadas, que são enfermeiras, trabalham. 

“Acredito que cada dia mais as pessoas têm consigo a questão da solidariedade firmadas. Num momento único como este, em que o mundo se depara com tal desafio, não foi diferente comigo e com minha noiva. Sendo assim, só tive que aliar a vontade de ajudar com a tecnologia que já tinha em casa”, contou o arquiteto.

O diretor-geral do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Eberval Oliveira Castro, esteve em reunião na terça-feira (19) com o superintendente do HC, Antonio Gonçalves de Oliveira Filho, e revelou que o IFSP mobilizou sua equipe para dar suporte às instituições que estão na linha de frente do combate à pandemia. Diante desta realidade, o campus Campinas consultou as maiores entidades públicas de saúde da região e Secretaria de Saúde do município para levantamento da demanda por EPIs e consequente destinação.

“A destinação de recursos oriundos de emendas parlamentares e a ação coordenada entre reitoria e campis do IFSP têm possibilitado ações como a produção de suprimentos e EPI’s para os agentes públicos, especialmente das áreas de Saúde e Segurança, dentre eles a doação de 150 face shields ao HC”, explicou Eberval.

Solidariedade e ação entre amigos

O grupo de amigas Protegendo Vidas também doou 500 máscaras face shield para o HC Unicamp. O grupo produz máscaras e outros equipamentos de proteção para recepcionistas, mensageiros, secretárias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que circulam em áreas críticas e hospitais.

“Queremos contribuir de forma positiva neste momento. O grupo não é uma associação, mas somou a vontade de mudança, espírito de ajuda e vontade de servir os profissionais da saúde, da mesma forma como eles estão servindo à população, lançando o desafio de produzir máscaras de acetato artesanais para doação”, disse Verônica Dunker, colaboradora do grupo que intermediou a doação ao HC Unicamp.

Corrente de Amor pelo SUS doou mais 550 máscaras face shield ao HC. A partir do aumento dos casos de Covid-19, a médica pediatra Patrícia Terrível percebeu que isso causaria uma elevação na demanda de Equipamento de Proteção Individual (EPI) para os profissionais da saúde. Ela, juntamente com amigos, resolveram confeccionar artesanalmente os escudos faciais (face shield) com foco nas instituições públicas de saúde.

A partir disso, foi criada uma “Vakinha”, como forma de arrecadação de fundos em prol da compra dos insumos para a fabricação das máscaras (acetato, EVA, cola instantânea, elástico, grampo, grampeador). As pessoas começaram a se voluntariar e a montar os escudos em suas casas, construindo equipes por regiões.

“A solidariedade só aumentou. Diante de tantas pessoas se candidatando, os trabalhos foram divididos em regiões para melhor gestão. Hoje temos cerca de 700 voluntários na produção no ABC Paulista, Baixada Santista, Vale do Ribeira, Osasco, Alphaville, Itatiba, Vinhedo e Taboão da Serra”, revelou Patrícia.

Projeto Gama doou 950 máscaras ao HC Unicamp. De acordo com Bárbara Juarez Amorim, médica da área de medicina nuclear do HC, o Projeto Gama é um projeto voluntário que trabalha em conjunto com Universidades na produção de face shield e outros equipamentos para a saúde. Eles adaptaram linhas de produção de algumas fábricas para conseguir produzir os escudo faciais em larga escala.

“Meu marido é professor do Insper em São Paulo. Ele tomou conhecimento que um laboratório do Insper estava ajudando a produzir face shields através desse projeto. Assim, eu entrei em contato com eles e conseguimos a doação para o HC”, disse Bárbara.

 

Matéria publicada originalmente com fotos no site do HC.