Programação do 15º Festival Internacional de Teatro de Campinas é divulgada

audiodescrição: fotografia colorida de espetáculo do grupo mexicano Vaca 35 Teatro mostra o rosto de um homem olhando para cima com expressão de desespero. ele está com as duas mãos na garganta e está com lama nos cabelos e nas costas.
Espetáculo do grupo mexicano Vaca 35 Teatro faz parte da programação. Foto: Héctor Ortega

Chegando à 15ª edição, o Festival Internacional de Teatro de Campinas, ou Feverestival, acontece entre 8 e 14 de fevereiro. A programação, além das apresentações teatrais de rua e para o público adulto e infantil, neste ano, também conta com ações pedagógicas. O tema central do 15º Feverestival é “Futuros Desejáveis”, sinalizando a reflexão sobre qual projeto de mundo a sociedade vem sendo buscado, indagação que perpassa de diferentes formas os espetáculos.

“Estamos oferecendo pistas e reflexões que, juntas, fazem parte desse leque dos futuros desejáveis”, diz a coordenadora geral do 15º Feverestival, Bruna Schroeder. Para ela, o teatro e as artes são capazes de oferecer imagens e narrativas para que se consiga fazer associações com a realidade e, assim, transformar o modo como se olha e se absorve o mundo. “O teatro injeta na gente um outro sentido de mundo, um outro sentido de vida e isso por si só é um elemento transformador do cotidiano”, observa.

audiodescrição: fotografia colorida de bruna schroeder, que gesticula e está falando. ao fundo, uma projeção do cartaz do festival internacional de teatro de campinas, nas cores rosa, azul e amarelo.
Bruna Schroeder é a coordenadora geral do 15º Festival Internacional de Teatro de Campinas

A difícil tarefa da curadoria

A curadoria do 15º Feverestival teve a tarefa de selecionar cinco propostas, entre as mais de 400 inscrições. Uma das preocupações foi contemplar as macrorregiões brasileiras: norte, nordeste, centro-oeste, sudeste e sul. Além disso, o fio que amarra os espetáculos é o alinhamento a uma reflexão sobre o passado e sobre o presente. “Existe a dureza da realidade. E, para um futuro coletivo, sonhador e desejável acontecer, é preciso olhar para a dureza de agora”, aponta Helena Agalanéa, membro da equipe de curadoria, que é composta ainda por Cynthia Margareth, Carlos Gomes, DandaraLequi, Helena Agalenéa e Isis Madi. 

audiodescrição: fotografia colorida mostra uma mesa com três mulheres. a do meio está em pé, gesticulado e olhando para a frente. ela é helena agalanéa, uma das curadoras do 15º festival internacional de teatro de campinas.
Helena Agalenéa (em pé) ​​​​foi uma das curadoras do 15º Feverestival. À esquerda, Cynthia Margareth, também da curadoria, e à direita, Bruna Schroeder, coordenadora geral do evento

Para Helena, é preciso compreender que, dentre as narrativas históricas, muitas vozes foram apagadas. Sendo assim, a programação abarca as potências dessas narrativas. “Muitos dos selecionados contemplam esses corpos que por muito tempo não puderam falar porque eram silenciados e assassinados”, explica. 

Além dos selecionados, um espetáculo internacional, do grupo mexicano Vaca 35 Teatro, foi convidado ao evento, trazendo um caráter da identidade latino-americana buscado pela equipe de organização do festival.

Origem do Feverestival

Iniciado em 2003, o Feverestival surgiu a partir da demanda de artistas por espaços de compartilhamento de pesquisas e processos cênicos resultantes de oficinas e cursos do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp (Lume Teatro), do Barracão Teatro e do Boa Companhia. 

Neste ano, o núcleo responsável pela organização é composto de Bruna Schroeder, DandaraLequi, Dudu Ferraz, Lucas Michelani, Victor Ferrari e Vini Silveira, todos ex-alunos da Unicamp. Além disso, 14 estudantes da Universidade atuam como bolsistas na equipe. As bolsas, da modalidade Programa de Auxílio a Projetos Institucionais (PAPI), terão a duração de um mês. A realização do evento é do governo do estado de São Paulo, Sorella Produções Artísticas e pelo Feverestival, em parceria com a Unicamp, através do Lume, da Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (Cocen) e Serviço de Apoio ao Estudante (SAE). 

audiodescrição: fotografia colorida de cena do espetáculo Manifesto transpofágico  escura, com fundo preto. há um letreiro luminoso, cor lilás neon, escrito travesti. uma pessoa nua, de cabelos longos e semi-iluminada, está abaixo do letreiro.
"Manifesto transpofágico", de Renata Carvalho, encerra o festival no dia 14 de fevereiro. Foto: Nereu Jr.

Programação

A programação, neste ano, estará mais espalhada pela cidade de Campinas. Os espetáculos ocorrem no Teatro Castro Mendes, no Sesi, no Sesc, no Casarão, na Casa de Cultura Tainã e em espaços públicos centrais, como a Praça Bento Quirino. Haverá recursos de acessibilidade: audiodescrição e libras. Confira aqui. 

Imagem de capa

audiodescrição: fotografia colorida. seis homens negros levantam um outro homem, que está deitado e com as mãos para cima. a expressão nos rostos deles é de tristeza.
Espetáculo Negra Palavra integra a programação. Foto: Mariana Prieto