Unicamp retoma Escola de Química Ambiental

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Foto Perri
O professor José Roberto Guimarães durante palestra na Escola de Química Ambiental

O Instituto de Química (IQ) da Unicamp, por meio do seu Departamento de Química Analítica, está promovendo a quarta edição da Escola de Química Ambiental. O evento está sendo retomado depois de um intervalo de 11 anos. O objetivo da iniciativa é oferecer elementos que contribuam para qualificar a formação dos profissionais que atuam na área, oferecendo a eles atividades como visitas técnicas a laboratórios e palestras sobre o mais destacados temas que envolvem a Química Ambiental na atualidade.

As atividades, que tiveram início na segunda-feira (22), prosseguirão até a sexta-feira (26), no auditório do IQ. De acordo com o professor José Roberto Guimarães, um dos organizadores, nas três edições anteriores, realizadas em 2004, 2006 e 2008, sob a organização do professor Wilson Jardim, a Escola contou com um total de 300 participantes, entre estudantes de diversas universidades brasileiras, além de docentes especializados em diferentes segmentos da Química Ambiental. “Nosso propósito é continuar proporcionando a esse público dados sobre as pesquisas que estão sendo desenvolvidas e também acerca dos processos e tecnologias mais avançadas utilizadas no campo da Química”, explica.

Guimarães, que também ministrou palestra, abordou o tema do tratamento de água e efluentes. Segundo ele, essa é uma questão que preocupa os cientistas, principalmente em relação aos chamados contaminantes emergentes. Estes recebem essa denominação porque ainda não são legislados. “Atualmente, a indústria lança algo em torno de mil moléculas por ano, presentes, por exemplo, em fármacos, drogas lícitas e produtos de uso pessoal. De alguma forma, esses contaminantes vão entrar em contato com a natureza. Nosso desafio é analisar e tentar reduzir os riscos que esses compostos podem oferecer ao ambiente e ao homem”, pontua o docente, que pertence ao quadro da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp.

Foto Perri
Publico é formado por estudantes e por docentes que atuam no campo da Química Ambiental

Nos estudos desenvolvidos tanto no IQ quanto na FEC, os cientistas têm investigado, entre outros aspectos, a presença de antibióticos, anti-hipertensivo, hormônios, antidepressivos e outros contaminantes em rios dos quais é captada a água que é tratada e distribuída para a população. “Hoje em dia, já existem técnicas disponíveis que permitem a remoção de grande parte desses contaminantes, mas não nem todas as empresas de saneamento que possuem esses recursos”, informa. Segundo o docente, a preocupação com os contaminantes emergentes não é uma exclusividade de Campinas ou do Brasil. “O mundo todo tem a mesma apreensão”, completa.

Questionado sobre o fato de o governo federal ter liberado esta semana mais um lote de 51 agrotóxicos para uso no Brasil, Guimarães observa que esse tipo de decisão deveria ser precedida de uma ampla análise por parte da comunidade científica, que tem capacidade para determinar que riscos esses produtos podem oferecer ao ambiente e à população. “A aprovação desses produtos não pode ser feita sem uma análise profunda das potenciais ameaças que eles podem oferecer”, reforça.

Além de Guimarães, as professoras Cassiana Montagner, Anne Héléne Fostier e Susanne Rath, todas do IQ, integraram a comissão organizadora da quarta edição da Escola de Química Ambiental. A programação completa do evento pode ser conferida neste endereço.

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O professor José Roberto Guimarães, um dos organizadores da Escola de Química Ambiental

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