Mostra Cênica de Inverno traz espetáculos com áudio-descrição e libras

Mostra Cênica

Levar a diferentes públicos as montagens dos alunos de 3º e 4º anos do curso de artes cênicas do Instituto de Artes (IA) da Unicamp é um dos objetivos da Mostra Cênica de Inverno deste ano. Além de espetáculos fora do campus universitário, o programa conta com peças com tradução em libras e áudio-descrição. “Desde 2016, a Mostra vem buscando ampliar suas relações com a cidade de Campinas e dialogar com diferentes públicos. O investimento na acessibilidade começou timidamente no ano passado e, neste ano, estamos ampliando essas ações”, contou Alice Possani, professora do departamento e coordenadora de produção da Mostra. Os espetáculos podem ser conferidos até dia 30 de junho, no CIS-Guanabara, na Praça do Coco, na Praça da Catedral, além do Paviartes e Praça do Marco Zero na Unicamp. (Veja a programação completa)

Alice Possani
Alice Possani

Além de investir no oferecimento de serviços de acessibilidade, a produção da Mostra buscou parcerias com instituições que atendem o público com deficiência visual e auditiva.  “Os alunos foram até o Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores,  levaram adereços e figurinos para as pessoas tocarem, cantaram músicas dos espetáculos e divulgaram esse trabalho presencialmente”, relatou Alice Possani. Para ela, a formação dos alunos-atores é elemento fundamental da Mostra e a atenção para acessibilidade entra como peça-chave nessa formação. “É muito especial a relação com esse público para formação dos atores. Ele trazem outra perspectiva de linguagem e sensibilidade, além de chamar atenção para todas essas temáticas”, afirmou.

Mostra Cênica

A peça Festa do Peixe, da dramaturga japonesa Yu Miri, dirigido por Eduardo Okamoto, foi a primeira experiência teatral de Fábio Gonçalves Lopes. “É a primeira peça de teatro que eu assisto, não depois de cego,  na vida.  Está sendo top.  Está sendo bem bacana,  legal de verdade”, disse no intervalo do espetáculo.

Antes do início da peça, Fábio foi conduzido pelo palco, ouviu explicação sobre a entrada e saída dos atores, a descrição dos figurinos e pode tocar nos tambores orientais que acompanhariam o espetáculo. O tour para o grupo de cegos do qual Fábio fazia parte, foi conduzido por Fernanda Landin, técnica em áudio-descrição do Laboratório de Acessibilidade da Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL).

Fernanda Landin
Fernanda Landin

“Há quatro anos, começamos a desenvolver esse trabalho de áudio-descrição nos eventos da Unicamp. Nos ano passado, fizemos a Mostra Cênica de Verão. Esse ano, fomos convidados de novo para fazer a Mostra de Inverno e optamos por envolver os alunos na tarefa”, contou Fernanda Landin.  Os estudantes do IA participaram da criação do roteiro da narração, conheceram o funcionamento dos equipamentos e fizeram, sob orientação do Laboratório da Acessibilidade, a áudio-descrição dos espetáculos.

Julia Vilar
Julia Vilar

Julia Vilar, aluna do 3º ano de Artes Cênicas, achou incrível a experiência de fazer a áudio-descrição do espetáculo Festa do Peixe. “A gente prepara,  acompanha  os ensaios, mas muito é no momento. É preciso ter calma para a voz sair com clareza e não falar muito alto, porque as pessoas estão com fone e não tem a referência visual para se orientar”, relatou. Para ela, o exercício de transformar tudo que a visual em outra linguagem foi um enorme desafio.

Toda a programação é gratuita e os detalhes podem ser acompanhados pela página da Mostra no Facebook.

Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe

Imagem de capa

Apresentação da peça Festa do Peixe
Apresentação da peça Festa do Peixe