Congresso debate o uso de informática na indústria agropecuária

A Unicamp recebe até essa sexta-feira (6) a décima primeira edição do Congresso Brasileiro de Agroinformática (SBIAgro). Organizado pela Associação Brasileira de Agroinformática, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Unicamp, tema do congresso é “Ciência de Dados na Era da Agricultura Digital”, reunindo mais de 200 participantes do Brasil e de outros países representando instituições de pesquisa, empresas privadas e representantes do setor agropecuário.

Participantes do Congresso Brasileiro de Agroinformática 2017
Participantes do Congresso Brasileiro de Agroinformática 2017

Para Jurandir Zullo Júnior, pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), a Unicamp é precursora nessa área, desenvolvendo pesquisas sobre informática na agricultura desde a década de 80 em diversas unidades, aprimorando parcerias de longa data com outros centros de pesquisa, como a Embrapa. “Vários pesquisadores da Embrapa Informática são oriundos da Unicamp. Hoje a informática e a computação estão em todas as áreas da agricultura, como processamento de imagens, uso de drones, rastreabilidade de grãos e sistemas”, explica Jurandir, que destaca as iniciativas que a Unicamp e a Embrapa podem desenvolver no setor. “São vários desafios que acabaram virando teses, criando startups e patentes. Um dos produtos que esperamos do congresso é a intensificação dessas parcerias da Unicamp que já existem, tanto na formação de pessoal quanto na geração de conhecimento nessa área”.

Jurandir Zullo Júnior, do Cepagri
Jurandir Zullo Júnior, do Cepagri

A criação e aprimoramento de novas tecnologias de informática para o setor agropecuário é apontado como uma das principais funções que as universidades e centros de pesquisa poderão fazer, impulsionando o setor privado em busca de dinamizar a produção agropecuária. Além da troca de experiências, também é debatido no congresso a incorporação dessas novas tecnologias em busca da sustentabilidade ambiental do setor, como o aumento da produção sem aumento de áreas. “Temos um leque muito grande de processamento de dados, big data, identificação de doenças, produtividade e manejo. Existe uma perspectiva grande com a chamada agricultura 4.0, que aumentará ainda mais a utilização da informática no campo”, avalia Jurandir Zullo. “O foco é produzir mais, melhor, com menor custo e na mesma área. Esse é o grande desafio do uso de tecnologias da informação do campo”.

A adaptação do uso de tecnologias não apenas para os grandes produtores, mas também para os pequenos, pode levar ao aumento da produtividade, agregando valor na produção sobre a origem e qualidade. “O agricultor é um grande tomador de decisões na sua produção, sobre o que e quando plantar, quando adubar, colher, armazenar e vender. A preocupação da área acadêmica deve ser aumentar a relação com o setor produtivo procurando agregar valor. Identificando problemas e vendo como podemos colaborar dentro do que já existe ou do que podemos criar”, explica Jurandir Zullo.

Fedro Zazueta, Universidade da Flórida
Fedro Zazueta, Universidade da Flórida

Entre os conferencistas estrangeiros na SBIAgro estava Fedro Zazueta, professor da Universidade da Flórida, EUA, que ministrou uma mesa no congresso sobre os desafios contemporâneos da agroinformática. Segundo Fedro Zazueta, as universidades devem preparar os seus estudantes para o manejo de novas tecnologias que mudam ou são criadas constantemente, e escolher quais são as principais necessidades para investir no desenvolvimento de soluções. “Como as tecnologias estão evoluindo muito rápido, você tem um horizonte com um número grande de opções que você pode desenvolver para trazer benefícios para a sociedade. O problema é que temos recursos limitados tanto de tempo, recursos e pessoas. Com isso temos que priorizar algum lado. O desafio é saber em quais tecnologias devemos investir para trazer o máximo de retorno para a sociedade”. Outra preocupação de Fedro Zazueta são com os processos de trabalho no campo após a implementação de novas tecnologias, em especial quando existe a substituição de mão de obra humana por máquinas. Em sua visão é necessário criar processos para impedir que essas pessoas que sejam substituídas pelas maquinas percam seus empregos e fiquem marginalizadas na sociedade.

Segundo Luciana Alvim Santos Romani, pesquisadora da Embrapa e coordenadora geral do SBIAbro, o objetivo do evento é debater as perspectivas sobre os novos avanços científicos da informática aplicados à agricultura. Para isso é necessário que universidades, centros de pesquisa e empresas do setor possam atuar junto na identificação de demandas, com troca de experiências sobre novos avanços científicos no setor. “Nos últimos dois anos nós tivemos um 'boom' de startups de tecnologia de informação na área agrícola. Nós somos um país agrícola, temos uma agricultura forte que precisa ser aprimorada e mecanizada. Com a possibilidade de ampliar acesso ao uso de novas tecnologias no campo, é maior a demanda do uso de informática no campo”, avalia Luciana.

Luciana Alvim Santos Romani, organizadora do SBIAgro 2017
Luciana Alvim Santos Romani, coordenadora do SBIAgro 2017