Unicamp busca ampliar cooperação com universidades e instituições portuguesas

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Depois de um período de contato prejudicado por conta da pandemia do coronavírus, a Unicamp iniciou, agora em março, um processo de reaproximação em relação a universidades e instituições portuguesas. Uma comitiva da Unicamp, liderada pelo reitor Antonio José de Almeida Meirelles, esteve em Lisboa, Porto e Coimbra entre os dias 20 e 24 de março, para uma série de encontros com reitores, membros de instituições de ensino e pesquisa e representantes de empresas ligadas à pesquisa na área de energia renovável.

O objetivo, segundo explicou o reitor, foi o de retomar ou iniciar projetos de colaboração entre as instituições. A organização da viagem foi feita pela Diretoria Executiva de Relações Internacionais (Deri) da Unicamp.

Além do reitor, a comitiva brasileira contou com o chefe de gabinete, professor Paulo Cesar Montagner, a professora Angela Christina Lucas, assessora da Pró-Reitoria de Pesquisa, o professor Alfredo César Barbosa de Melo, assessor da Deri, o professor Renê Trentin Silveira, diretor da Faculdade de Educação, o professor Odilon José Roble, diretor da Faculdade de Educação Física, o professor Flávio Henrique Baggio Aguiar, diretor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, o professor Leonardo Lorenzo Bravo Roger, diretor da Faculdade de Tecnologia, e Daniel Cantinelli Sevillano, também da Deri.

Em Lisboa, o grupo esteve em contato com representantes da Comissão de Países de Língua Portuguesa (CPLP) – instituição que reúne membros de todos os países do mundo que falam a língua portuguesa e que funciona como uma entidade para fomentar a colaboração entre esses países.

Segundo o reitor, o encontro discutiu formas de cooperação com entidades culturais, universitárias e de ciência e tecnologia dos países lusófonos. Em seguida, o grupo foi recebido pelo embaixador brasileiro em Portugal, Raimundo Carneiro, e, em Lisboa, esteve na Fundação Calouste Gulbenkian – que abriga a coleção particular do filantropo de origem armênia que viveu em Lisboa e que, em 1956, acabou criando a fundação por testamento.

A instituição conta com um Centro de Arte Moderna que reúne a mais importante coleção de arte moderna e contemporânea portuguesa, uma orquestra, um coro, uma biblioteca de arte e arquivo, um instituto de investigação científica e um jardim, que é um espaço central da cidade de Lisboa, onde ocorrem também atividades educativas.

A comitiva reuniu-se ainda com representantes da área de pesquisa da empresa EDP (Energias de Portugal). A empresa – que tem investimentos no Brasil – atua no setor de energia eólica e fotovoltaica. O grupo de Campinas apresentou aos executivos da empresa a proposta do HIDS (HUB Internacional de Desenvolvimento Sustentável).

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No sentido horário, Visitas da comitiva na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa); na Universidade de Coimbra; na embaixada brasileira em Portugal com o embaixador Raimundo Carreiro (ao centro gravata vermelha) e delegação sendo recebida pelos vice-reitores João Calvo e Delfim Leão, na Universidade de Coimbra

Universidade de Coimbra

O grupo da Unicamp esteve na Universidade de Coimbra – onde foi recebido pelo vice-reitor para Relações Externas e Alumni, professor João Nuno Calvo e Silva, e pelo vice-reitor de Ciência Aberta, Delfim Leão. Segundo informações da universidade, cerca de 3 mil estudantes brasileiros fazem cursos de graduação e pós-graduação em Coimbra.

“Temos muitas ações de colaboração em algumas áreas, seja na graduação e pós-graduação, seja em pesquisa”, disse o reitor da Unicamp. “Também apresentamos uma palestra sobre os desafios da ciência e tecnologia no Brasil e no Estado de São Paulo”, contou ele. Adicionalmente, os diretores de unidades de ensino e pesquisa também se reuniram com seus correspondentes na Universidade de Coimbra.

Área de esportes e humanidades

Meirelles conta que o grupo esteve também na Universidade do Porto, com a qual a Unicamp mantém colaborações muito fortes na área de esportes e em outras áreas de ciências e humanidades. “Essas conversas foram, primeiro, com o reitor António de Sousa Pereira, depois com a área de tecnologia e inovação da universidade, a UPTech (Universidade do Porto Tecnologia), que representa o correspondente português ao que seria a Inova Unicamp”, explica Meirelles.

Houve ainda reuniões com diretores de várias unidades. Cada diretor fez reuniões separadas com os diretores das unidades correspondentes locais, com o objetivo de ampliar os acordos já existentes ou iniciar novas parcerias. De acordo com Meirelles, está prevista, para o segundo semestre deste ano, uma visita de representantes da Universidade do Porto ao Brasil. “Nosso objetivo é expandir aquilo que temos de ações colaborativas e fazer com que isso penetre mais profundamente na estrutura das duas universidades, envolvendo áreas que ainda não dispõem de acordos”, diz.

Trabalho contínuo

O reitor garante que esse trabalho de aproximação vai continuar com instituições de ensino, pesquisa, extensão e inovação de outros países. Ele lembrou que recentemente um grupo da Unicamp esteve em contato com universidades alemãs e, depois, do Reino Unido.

“É uma procura sistemática para reatar as relações que foram um pouco prejudicadas pela pandemia, mas reatar já em um novo padrão, com vistas ao nosso planejamento estratégico e àquilo que as oportunidades do Brasil de hoje – principalmente relacionadas às questões de sustentabilidade – oferecem. E vamos continuar”, diz Meirelles. Segundo ele, ainda este ano estão previstas visitas a instituições de ensino no Canadá e nos Estados Unidos.

“O nosso objetivo é o de estreitar essas relações e, em um prazo mais longo, mirar uma melhor simetria de relações. O Brasil, tradicionalmente – e a Unicamp em particular – envia  mais pessoas para fora do que recebe. A gente quer diminuir a assimetria desse movimento. Queremos trazer mais pesquisadores e estudantes de fora e também fazer intercâmbio de servidores, para que a gente consiga aperfeiçoar nossos processos administrativos”, afirma.

“Achamos que isso é possível de ser feito. Temos desafios a enfrentar, mas também temos bons ativos, digamos assim. A Unicamp é uma universidade reconhecida internacionalmente e o Brasil, por sua vez, tem o atrativo de ser um dos países onde a questão da sustentabilidade ambiental e da inclusão social está no topo da agenda universitária. Isso atrai a atenção do mundo e das universidades do mundo”, acredita Meirelles.

Política

A viagem do reitor a Portugal reflete a política das relações internacionais estabelecida pela gestão e executada pela Deri, diz Alfredo de Melo. “Somos uma universidade que mantém diálogo fecundo com outras grandes universidades, como a Universidade de Coimbra e a Universidade do Porto, com as quais mantemos cooperação acadêmica de altíssimo nível. Mas além dos laços acadêmicos, a Unicamp tem sido capaz de se inserir num ecossistema político-científico crescentemente complexo, conversando com empresas, terceiro setor e agentes governamentais para coordenar nossas ações internacionais”, acrescenta ele.

“A missão mostrou que a Unicamp está pronta para se inserir num mundo desafiador e que demanda da Universidade uma versatilidade cada vez maior para interagir com uma sociedade que passa por rápidas mudanças sociais e tecnológicas”, finaliza o professor.

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O reitor Antonio Meirelles assinando convénios na Universidade de Coimbra; objetivo das visitas foi o de retomar ou iniciar projetos de colaboração entre as instituições

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