Meninas SuperCientistas

Marcela Medicina, Julian Furtado, Juliane Baiochi e Anne Bronzi, organizadoras do evento
Julian Furtado, Juliane Baiochi, Marcela Medicina e Anne Bronzi, organizadoras do evento

Matemática, astronomia, geologia, química, engenharia. Tudo isso é coisa de menina, sim. Foi o que 50 alunas do Ensino Fundamental 2 puderam comprovar na Unicamp neste mês de junho. Por quatro sábados, o grupo passou manhãs e tardes, na Universidade, ouvindo mulheres cientistas e desenvolvendo atividades com elas. O evento, chamado Meninas SuperCientistas, foi organizado pela professora Anne Bronzi, do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc), em parceira com as estudantes Julian Furtado Silva, graduanda da Faculdade de Ciências Médicas (FCM); Juliane Baiochi, mestranda no Imecc; e Marcela Medicina, graduanda também do Imecc. O encerramento aconteceu no sábado (30), com programação no Imecc e uma visita ao Museu Aberto de Astronomia, localizado em Joaquim Egídio.

O Meninas SuperCientistas foi inspirado no Meninas com Ciência, realizado pela primeira vez em 2016, pelo Departamento de Paleontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O evento já recebeu também edições na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), em 2017, e Universidade de São Paulo (USP), em 2018. Sediadas em departamentos diferentes em cada universidade, o denominador comum é o objetivo de estimular o interesse das meninas pelas carreiras científicas.

“Buscamos trabalhar nas áreas onde as mulheres estão sub-representadas, exatamente para incentivar que as meninas procurem esses campos. São áreas onde já na graduação, tem poucas alunas e a porcentagem continua diminuindo conforme se progride na carreira”, pontuou Anne Bronzi. Segundo ela, esse contato das alunas de ensino fundamental com cientistas mulheres pode fazer muita diferença. “Quando você vê uma coisa que é só feita por homens, subconscientemente, você acha que ali não é o seu lugar. Quando mostramos exemplos, aumenta a vontade de seguir na área”, afirmou.

De acordo com a organizadora, a primeira edição do evento superou todas as expectativas. As inscrições, para as 50 vagas anunciadas, sendo 35 de escolas públicas e 15 de escolas particulares, ultrapassaram mil registros no primeiro dia e chegaram a 2.500 inscritas. Entre as motivações, relatadas nos formulários de inscrição, as organizadoras encontraram depoimentos emocionantes de meninas vencendo barreiras para encontrar seu lugar no mundo.

Beatriz Fernandes de Lima Sá, da Escola Estadual Dr. Telemaco Paioli Melges
Beatriz Fernandes de Lima Sá, da Escola Estadual Dr. Telemaco Paioli Melges

Para Beatriz Fernandes de Lima Sá, 14 anos, que cursa o 9º ano na Escola Estadual Doutor Telemaco Paioli Melges, participar do evento trouxe novas perspectivas e muita inspiração. “Esse evento está sendo muito importante para mim. Aqui dentro, eu posso ver as oportunidades. Eu pretendo estudar na Unicamp um dia, tenho vontade de fazer Astronomia. Para mim está sendo maravilhoso ver a representatividade das mulheres na ciência e como a Unicamp se posiciona sobre essa questão”, pontuou. “A principal coisa que o evento me trouxe é que a gente pode. Pode estar dentro da ciência, pode escolher a área que a gente quer, pode realizar pesquisa, pode fazer tudo que a gente quiser”, afirmou.

Tássia Oliveira Biazon, mestranda em genética, foi monitora voluntária
Tássia Oliveira Biazon, mestranda em genética, foi monitora voluntária

Mas, o evento não foi inspirador apenas para as participantes. Tássia Oliveira Biazon, mestranda em genética na Unicamp e no Boldrini, que foi monitora voluntária, contou que saiu ainda mais motivada para desenvolver sua pesquisa. “Existem várias barreiras a serem rompidas pelas mulheres. Acho que esse é o maior número de meninas que o Imecc já comportou. É sensacional. Mostra que estamos movendo as fronteiras. Saio ainda mais motivada a continuar na carreira científica”, afirmou.

Mayra Fernandes Homsi vai lançar um blog sobre Marte
Maya Fernandes Homsi vai lançar um blog sobre Marte

“Foi uma experiência incrível na minha vida”, declarou Maya Fernandes Homsi, 11 anos, que cursa o 6º ano na escola Projeto Vida, em São Paulo. Maya destacou o formato do evento, que fugiu do padrão meramente expositivo. “Eu imaginei que seriam palestras, e mais palestras. Mas não, foi bem interativo. A gente fez as coisas. O que deixou o evento duas vezes mais incrível”, ressaltou. Maya contou que está começando um blog sobre Marte e que quer fazer diferença no mundo estudando astronomia.

Essa preocupação das participantes com o futuro do planeta foi o que mais impressionou Julian Furtado, uma das organizadoras do Meninas SuperCientistas. “Eu perguntei, a uma das meninas, por que ela queria ser cientista. Eu esperava que ela respondesse que gostava de ciência, mas não. Ela respondeu que está preocupada com planeta. Ela me falou: ‘Em 2030, vai ter mais plástico no Oceano do que peixe. Em 2050, não vai mais ter água no México. Eu quero fazer parte da solução.’ Esse foi o tipo de reflexão que permeou o evento”, contou. Para Julian Furtado, o evento tem um potencial enorme de influenciar o futuro de crianças e adolescentes. “Elas estão falando em ser cientista, em fazer faculdade. A gente construiu os sonhos aqui. Isso muda a vida de gente”, apontou.

Palestras, exposições, espetáculos e oficinas compuseram a programação

Professores e estudantes de dentro e fora da Unicamp foram responsáveis pelas atividades desenvolvidas nos quatro sábados. A abertura do evento, no dia 1º de junho, contou com a presença da pró-reitora de Graduação, Eliana Amaral, e com o diretor do Imecc, Paulo Rufino. Após a cerimônia, Marcia Mendonça da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) falou sobre as formas de ingresso na Universidade, destacando as vagas para medalhistas e programas como o ProFIS (Programa de Formação Interdisciplinar Superior), voltado para alunos de escolas públicas.

A programação incluiu exposições como a "Ela está em tudo", desenvolvida pela USP em parceria com a UFABC, que traz entrevistas com matemáticas. As participantes visitaram, também, o Museu Exploratório de Ciência e o Museu Aberto de Astronomia, além de conhecer os equipamentos sofisticados do Lapac (Laboratory of Automation and Prototyping for Architecture and Construction), com a professora Gabriela Celani, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC).

Cientistas como a pró-reitora Eliana Amaral; a professora do Imecc, Laura Rifo; e a pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Ana Zeri, falaram sobre suas carreiras e áreas de atuação. As atividades incluíram, ainda, paleontologia, programação de software, física e robótica. 

Saiba mais sobre o que aconteceu na página do Facebook: Meninas SuperCientistas

Cenas do último dia do evento
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Meninas SuperCientistas
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