Montagem da ópera Gianni Schicchi tem duas apresentações em Paulínia

 

imagem mostra músicos tocando instrumentos de sopro. Um deles está focado, mais ao centro, e usa um chapéu. Os outros estão um pouco desfocados
Trecho do ensaio da ópera Gianni Schicchi, com instrumentos de sopro

A atmosfera do ensaio muda quando a soprano Isabelle Dumalakas canta O mio babbino caro. A ária, como são chamados os solos em óperas, é a mais aguardada da obra Gianni Schicchi, do compositor italiano Giacomo Puccini. Trata-se do momento em que a filha do personagem/título tenta sensibilizar o pai para fazer algo pela família do amado. Os músicos da Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU), sob a regência de Tiago Roscani, e os cantores do Ópera Estúdio, do Instituto de Artes (IA), chegam ao final de mais de um ano de trabalho nesta composição. As apresentações serão nos dias 23 e 24, quinta e sexta-feira, no Theatro Municipal de Paulínia.

Veja no vídeo, gravado por Ramon Mundin, o momento em que Isabelle Dumalakas canta O mio babbino caro:

O projeto é patrocinado pelo Grupo Gestor de Benefícios Sociais da Unicamp (GGBS) e voltado prioritariamente para a comunidade de servidores, pesquisadores e docentes. Depois da ópera La Traviata, encenada em 2018, é o segundo projeto financiado pelo GGBS. A apresentação terá recursos de acessibilidade para os deficientes visuais. Será oferecida a opção do recurso de audiodescrição, com a narração dos detalhes das cenas e resumo das legendas, transmitida em fones individuais.

Apesar do tom melancólico da ária O Mio Babbino Caro, Gianni Schicchi é uma ópera cômica e sempre atual por causa de sua trama. Na história, Buoso Donati morre e deixa em testamento toda sua fortuna para igreja. A família, cobiçando a herança, convoca Gianni Schicchi ao leito, em substituição ao morto, para se fingir de moribundo e alterar o testamento na presença de um tabelião. Imitando o falecido, Schicchi surpreende. Ele dá um golpe em toda a família e transfere os bens mais preciosos para si mesmo.

“É uma ótima peça para ser a primeira de quem nunca assistiu a uma ópera. As pessoas vão se identificar muito, é uma história parecida com a novela que a gente está acostumado”, compara o regente Tiago Roscani, mestrando da Unicamp. Quem faz Gianni Schicchi é o barítono Willian Donizetti, formado pela Unicamp em 2017 e que vem participando do Ópera Estúdio desde o início, em 2014. Ele também representou o personagem na apresentação que houve em 2018 em parceria com a Orquestra Sinfônica de Indaiatuba.

“Nós fizemos uma primeira versão com o mesmo elenco em Indaiatuba e mantivemos os ensaios com a sinfônica da Unicamp. Todo o elenco é formado por alunos do Instituto de Artes e alguns ex-alunos convidados. Eles são fruto do curso de canto da Universidade”, salienta o professor Angelo Fernandes, diretor do Ópera Estúdio e coordenador do Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural (Ciddic).

O regente Tiago faz uma expressão enérgica com a batuta, olhando em direção aos músicos. Ele aparece sozinho no meio do quadro
Sob a batuta de Tiago Roscani a OSU e os cantores do Ópera Estúdio ensaiam a ópera completa
Cantores do ópera estúdio em pé cantando e olhando para as partituras. Uma delas está mais focada ao centro
Cantores do Ópera Estúdio do Instituto de Artes da Unicamp: experiência de palco ainda na faculdade

Fernandes comenta que o enredo expõe, com ironia, a hipocrisia das pessoas que só pensam em si próprias ou de relações familiares baseadas na conveniência. “A família do Buoso Donati está interessada no testamento e dá grandes demonstrações do que a gente vê muitas vezes que são pessoas que parecem puras e honestas, mas, na verdade, querem tirar proveito da situação”.

A ópera, de apenas um ato, faz parte do conjunto Il Trittico, com outras duas obras dramáticas de Puccini. Gianni Schicchi, segundo Fernandes, tem todos os elementos para aproximar ainda mais pessoas do gênero. “Assim vamos formando um público para a ópera, num momento em que há um entendimento de que não são apenas cantores dando notas agudas, mas teatro puro. Ela é puramente teatral”.

O cantor Willian Donizetti durante uma ária
Willian Donizetti encena o trapaceiro Gianni Schicchi, que dá nome à peça
Violinistas durante o ensaio. Um deles, ao centro mais focado que os outros
Cordas: Sinfônica da Unicamp ensaia obra de um único ato

A montagem tem ainda o apoio da Prefeitura Municipal de Paulínia, da Prefeitura Municipal e da Sanasa Campinas. A reserva do serviço de audiodescrição dá direito a uma entrada gratuita para o usuário do equipamento e um acompanhante, até o limite de equipamentos disponíveis, e deve ser feita pelo telefone (19) 3521-6506 ou pelo e-mail acessart@unicamp.br.

Mais trechos do ensaio:

 

SERVIÇO

“Gianni Schicchi” – ópera em 1 ato, de Giacomo Puccini

Orquestra Sinfônica da Unicamp
Ópera Estúdio Unicamp
Tiago Roscani, direção musical e regência
Felipe Venancio, direção cênica
Angelo Fernandes, direção geral

23 de maio, quinta-feira, 20h

24 de maio, sexta-feira, 20h

Theatro Municipal de Paulínia

Ingressos: R$ 25,00 (inteira) e R$ 12,50 (meia-entrada para estudantes, idosos e professores da rede pública de ensino e moradores de Paulínia).

Pontos de venda:

PAM Crossfit Paulínia
Av. Dr. Heitor Nascimento, 81 Paulínia-SP

Livraria Leitura Shopping D. Pedro
Av. Guilherme Campos, 500 Campinas-SP

Livraria Leitura Campinas Shopping
Rua Jacy Teixeira de Camargo, 940 Campinas-SP

Bilheteria do Theatro Municipal de Paulínia e pelo link

 

Imagem de capa

Ensaio da ópera Gianni Schicchi | Foto: Antonio Scarpinetti
Ensaio da ópera Gianni Schicchi | Foto: Antonio Scarpinetti