195 - ANO XVII - 21 a 27 de outubro de 2002
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A pesquisadora da Unicamp explica que em décadas passadas a música que se executava no Brasil ficou como que "encapsulada", talvez por ser considerada música de imitação, coisa americanizada. De qualquer forma, os bailes dos clubes da época eram um momento de congregação. Havia bailes para todo tipo de acontecimento: baile da primavera, do carnaval, de fim de ano e, talvez o mais importante - ou pelo menos o mais comentado na cidade - o baile das debutantes, quando a mocinha era oficialmente apresentada à sociedade.

"Pude observar que desde a formação da orquestra brasileira, o próprio ritual de apresentação, tudo era inspirado nas big bands americanas. Desde o repertório, quase todo norte-americano. Curiosamente, nota-se uma mescla de músicas nacionais, como o samba", diz Cristina. Orquestras do estado de São Paulo como as de Nelson de Tupã, Continental de Jaú, Pedrinho de Guararapes, a Orquestra Tabajara, uma das mais importantes e antigas, e até mesmo as de caráter mais local, como a Marajoara de Bauru, a Orquestra de Berico, de Campinas, a Sul América de Jaboticabal e, entre outras, a Arley e seu Conjunto de Ritmos, de Catanduva, se enquadravam nesse perfil. No Brasil, o auge desse fenômeno se deu efetivamente nas décadas de 1950 e 1960.

Não se pode falar das orquestras brasileiras sem citar as norte-americanas. As big bands nos Estados Unidos, segundo Cristina Meneguello, eram compostas por músicos de clubes que combinavam elementos de jazz a ritmos mais suaves e dançantes, produziam um estilo popular que teve como precursoras as orquestras de Paul Whiteman e Vincent Lopes, ainda em 1910. Como essas pequenas bandas aumentaram gradativamente de tamanho, passaram as ser denominadas big bands. "Com a expansão do rádio na década de 1920, o som desses grupos musicais se tornou rapidamente acessível a uma audiência antes inimaginável, visto que apenas em viagens pelo país ou em discos poderiam se tornar conhecidas", diz.

Geralmente as big bands eram constituídas de grandes seções de instrumentos de sopro, à maneira de orquestras, acompanhadas por piano, baixo e bateria, assim como por cantores, os chamados crooners, que executavam as baladas românticas. O clarinetista Benny Goodman foi um dos pioneiros em aliar a música de swing – jazz suingado, como se dizia no Brasil – com outras melodias românticas, mais populares, revela Cristina. "O swing permitia que os líderes das orquestras e outros músicos mostrassem suas habilidades como instrumentistas, por meio de solos; as baladas eram mais dançantes. Não por outra razão, as orquestras utilizadas para animar bailes e festas eram diferentemente qualificadas de dance bands".

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