195 - ANO XVII - 21 a 27 de outubro de 2002
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A fonoaudióloga Cecília Lima durante teste no Cepre: pesquisa com 32 lactentes constatou que 95% dos bebês reagiram ao somMúsica para bebês

Metodologia desenvolvida
por fonoaudiólogas
permite avaliações
auditivas em lactentes

ISABEL GARDENAL

Num consultório já se pode ouvir agogô, reco-reco, sino, chocalho, guizo. Os sons de uma banda infantil, reproduzidos como recurso para avaliações auditivas em bebês, resultaram em três CD-ROM e no livro Sistema Sonar – Sons Normalizados para Avaliação Audiológica, lançado recentemente pela Editora Profono. É uma metodologia aplicada experimentalmente a crianças de 1 a 18 meses, desenvolvida pelas fonoaudiólogas Maria Cecília Marconi Pinheiro Lima e Francisca Canindé Rosário da Silva Araújo, do Centro de Pesquisas e Reabilitação "Prof. Dr. Gabriel Porto" (Cepre), e pelo engenheiro elétrico Antonio Marcos de Lima Araújo.

Por enquanto, os testes estão sendo feitos apenas em bebês nascidos no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism). De acordo com os idealizadores, o sistema visa provocar rápidas reações ao estímulo sonoro: as crianças interrompem suas atividades para prestar atenção, sorriem, choram, se movem, franzem a testa.

Os sons foram digitalizados e limitados em faixas de amplo espectro de freqüências, indo de graves a agudos. "Por isso, quando ocorre a avaliação, é medida a freqüência em que se encontra. Na escala criada, ela vai de 250 a 8.000 Hz. A capacidade auditiva do ser humano é maior, mas as faixas selecionadas são as fundamentais para desenvolver a fala", aponta Cecília Lima.

No ano passado, em pesquisa realizada no Centro de Reabilitação, foram acompanhados 32 lactentes para testar a eficácia do sistema sonar, com dados iniciais estimulantes, pois cerca de 95% dos bebês reagiram aos sons; o restante, provavelmente, apresentava algum tipo de distúrbio que fugia à análise proposta", segundo Cecília.

A aceitabilidade pelas crianças prova a eficácia do estímulo sonoro. Os bebês respondem melhor aos estímulos mais complexos do que aos tons puros, com os de um audiômetro. Uma das vantagens é que agora, padronizado, o sistema fornece elementos para o profissional classificar as freqüências. É necessário utilizar somente um disc player e duas caixinhas de som. Os três CDs incluem sons instrumentais e sinais FM para avaliação em neonatos e naqueles com mais de seis meses.

Uma criança que não esboça reação ao ouvir um tambor, que está limitado a uma freqüência de 500 Hz, pode enfrentar dificuldades em escutar sons graves. Se não responde ao som de um guizo, o problema está nas freqüências agudas.

A nova metodologia poderá ser empregada em unidades de saúde e de ensino. Ainda que não tão refinada como a detecção por exames mais sofisticados (o diagnóstico pode demorar de dois anos a três anos), permite triar com certa precisão problemas auditivos.

1º Colocado - O sistema sonar é avaliado no trabalho "Acompanhamento audiológico de lactentes com o sistema sonar", da aluna de doutorado Helenice Yemi Nakamura, que foi o primeiro colocado no X Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, realizado em Belo Horizonte (MG) nos dias 25 a 28 de setembro último. A pesquisa concorreu com outras 300 em audiologia. Financiada pela Fapesp, está sendo orientada pela professora Cecília Lima.