Uma nova cultura científica

Ilustração: Luis Paulo SilvaPara Thomas Michael Lewinsohn, professor aposentado do Instituto de Biologia da Unicamp, um dos maiores produtos do Biota foi a formação de uma nova cultura científica. Lewinsohn acompanhou a trajetória do Programa desde o começo como membro da primeira equipe de coordenação. “O Biota representou uma mudança de mentalidade. Passaram a existir reuniões periódicas em que eram apresentados os projetos e seus resultados. Os cursos e workshops realizados integravam os jovens pesquisadores, pós-graduandos e mesmo alunos de iniciação científica e, assim, não só capacitavam esses jovens, mas criavam conexões entre eles. O resultado é que 20 anos depois a cultura científica na área de biodiversidade é radicalmente diferente do que era, porque para as gerações que se formaram aí dentro, já é natural trabalhar em projetos integrados, transversais e interinstitucionais. Este, para mim, é o resultado mais importante”, afirma.

Foto: Divulgação
O professor Thomas Michael Lewinsohn: “Passou a ser natural trabalhar em projetos integrados, transversais e interinstitucionais”

Joly concorda com Lewinsohn. “O programa ajudou a formar um exército de jovens que foram treinados com uma mentalidade de trabalhar em equipes multidisciplinares, sabendo a importância de compartilhar seus resultados de forma aberta”, reforça.

Para Berlinck, a formação desses profissionais pode trazer benefícios inclusive para a população em geral. “A formação bem qualificada de profissionais tem implicações diretas sobre a economia e a sociedade, e certamente é o principal ‘produto’ que temos. Por mais básico que pareça ser o conhecimento científico produzido, ele nos ajuda a vislumbrar soluções para problemas de pobreza, educação, meio ambiente, sustentabilidade econômica, saúde e segurança”, explica.

Foto: Elisa Herkenhoff
Pesquisadores na reserva extrativista Cazumba Iracema, no Acre

O Programa foi o pontapé inicial para uma outra forma de se pensar e realizar a pesquisa acadêmica. Para Luciano Verdade, membro da coordenação do Biota desde 2010, a forma como o Programa foi estruturado, permite uma maior disseminação dos resultados de estudos, diminuindo a sobreposição de temas e aumentando o intercâmbio de informações entre os pesquisadores.

 

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