Edição nº 561

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Jornal da Unicamp

Baixar versão em PDF Campinas, 12 de maio de 2013 a 19 de maio de 2013 – ANO 2013 – Nº 561

Estudo atesta sucesso do PAAIS

Estudantes bonificados têm desempenho igual ou superior
em relação aos que não tiveram ajuda do programa

E studo realizado pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) mostra que estudantes oriundos de escolas públicas, bonificados pelo Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social da Unicamp (PAAIS), apresentam desempenho igual ou superior em relação aos que entraram na Universidade sem a ajuda do programa. O estudo acompanhou a vida acadêmica de todos os ingressantes nos anos de 2005 a 2008, comparando o desempenho de todas as turmas após quatro anos na Unicamp.

Criado em 2004, o PAAIS concede 30 pontos de bônus na segunda fase do vestibular aos candidatos que cursaram os ensinos fundamental e médio na rede pública. Os que se autodeclaram pretos, pardos e indígenas ganham mais 10 pontos. Em todos os anos analisados, constatou-se que a nota dos estudantes da rede pública no vestibular foi sistematicamente mais baixa que a dos demais candidatos. Após quatro anos na Unicamp, porém, deixou de haver diferença estatisticamente significativa entre as notas médias dos dois grupos.

“Os resultados mostram de maneira inequívoca que o PAAIS permitiu à Universidade fazer inclusão social sem perder a qualidade dos seus alunos”, disse o reitor José Tadeu Jorge. “Fica demonstrado, estatisticamente, que os ingressantes beneficiados pelo programa se saíram muito bem durante o curso, alcançando o mesmo nível de formação dos demais estudantes e, pelos resultados, até com algum ganho de desempenho”, completou.

O estudo comparou dois indicadores: a nota no vestibular e o coeficiente de rendimento ao final do curso de graduação. Apesar de obter notas menores no vestibular, os estudantes de escolas públicas bonificados pelo PAAIS conseguiram melhorar seu desempenho, igualando as notas obtidas ao longo do curso com as dos demais estudantes. Foram analisadas as áreas de Artes, Biológicas, Exatas, Engenharias, Humanas, Medicina e Tecnológicas. A divisão possibilita que sejam comparadas as notas de estudantes de cursos afins, considerando que as áreas apresentam formas distintas de avaliação.

Segundo o reitor, os dados mostraram que o aluno beneficiado pelo PAAIS tinha um potencial de aproveitamento que a Universidade conseguiu catalisar. “Eles aproveitaram a oportunidade durante o curso de tal forma que eliminaram a diferença de formação que havia no ingresso”, pondera. “Portanto, o PAAIS trouxe alunos com potencial e fez inclusão social”.

No curso de medicina, por exemplo, área que registra a maior relação candidato/vaga, das quatro turmas avaliadas, 347 estudantes ingressaram pelo vestibular convencional (sem bônus) e 93 entraram pelo PAAIS. Os que entraram sem ajuda do programa alcançaram nota média de 667 no vestibular, contra 644 obtida pelos beneficiados com o bônus, o que representa uma diferença estatisticamente importante. Ao final do curso, o coeficiente de rendimento dos alunos do PAAIS foi de 7,8, enquanto os demais alcançaram 7,7.

“Não há diferença significativa, mas uma leve tendência de que os alunos beneficiados pelo PAAIS se saíram melhor”, analisa o reitor. “Esses resultados mostram claramente o sucesso do PAAIS em fazer inclusão mantendo a qualidade dos estudantes e, portanto, dos profissionais formados pela Unicamp”, completou.


Para Tadeu Jorge, os resultados do estudo confirmam na prática os pressupostos que sustentaram a criação do PAAIS em 2004. Segundo o reitor, antes do programa, quando se aplicava o vestibular, muitos estudantes da escola pública ficavam próximos da nota de corte, mas não conseguiam ingressar por uma diferença pequena. “O nosso pressuposto era que o aluno oriundo da escola pública, que ficava próximo da nota de corte mas não conseguia passar, certamente tinha um bom potencial”, explica. “Com o bônus, passamos a incluir esse aluno, na expectativa de ser um bom estudante que não conseguiu desenvolver todo o seu potencial porque a escola pública não conseguiu fazê-lo chegar ao nível adequado”. Esse quadro fica mais evidente nos cursos de alta demanda, nos quais o número de candidatos nessa situação é significativo. “Tudo indica que são bons estudantes, mas que não conseguiam entrar por mero detalhe na hora da prova. Quando aplicamos o bônus, é como se abaixássemos a linha de corte para esses estudantes, de maneira que eles consigam ingressar”. Os resultados revelados pelo estudo servirão de subsídio para ampliar o alcance do programa. “Estamos seguros para avançar ainda mais, aumentando os bônus concedidos pelo PAAIS e fazer mais inclusão”, disse o reitor. Segundo ele, as simulações em andamento indicam que o valor da bonificação concedida aos candidatos poderia ser ampliado de forma significativa. Uma outra medida em estudo seria a aplicação do bônus já na primeira fase do vestibular, e não apenas na segunda, como ocorre atualmente. De acordo com o reitor, o tema será discutido nas diversas instâncias da Universidade.

Com essas novas medidas, a expectativa é que haja um significativo aumento entre os ingressantes oriundos da rede pública, que hoje na Unicamp correspondem 33% do total. “Se, por exemplo, dobrarmos a pontuação do PAAIS, será possível chegar talvez a 40%”, diz o reitor. Somando o PAAIS a outros programas de inclusão, como o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS), que disponibiliza 120 vagas na graduação para os melhores alunos da rede pública, a expectativa é ampliar ainda mais essa margem. “Nossa ideia é aperfeiçoar o ProFIS também para fazer inclusão”. Segundo o reitor, outras propostas poderiam ser estudadas para complementar o PAAIS e o ProFIS, visando atingir os indicadores sugeridos para os percentuais de inclusão. Com isso, a marca de 50% de ingressantes oriundos das escolas públicas, bem como a proporção étnica referente ao estado de São Paulo, poderiam ser atingidas sem necessidade de lei ou de cotas, e sim por planejamento e iniciativas da própria Universidade.

Comentários

Comentário: 

Parabéns Prof Tadeu!! Isso sim é fazer inclusão social.