Elevação da temperatura dizima coral na China

Thomas DeCarlo/Divulgação
Coral parcialmente branqueado, fotografado em julho de 2015

Pelo menos 40% da comunidade de coral do Atol de Dongsha, no Mar do Sul da China, morreu por causa de uma elevação de 2º C na temperatura das águas da superfície em junho de 2015, informa artigo publicado no periódico online Scientific Reports, do Grupo Nature.  Os autores do trabalho apontam que esse aumento pontual da temperatura, causado pelo El Niño, normalmente não seria suficiente para causar tanto dano, mas condições de ventos fracos acabaram agravando a concentração de água aquecida na área, levando a temperatura local a exceder em 6º C a média de verão.

“Um branqueamento em massa do coral se seguiu rapidamente, matando 40% da comunidade residente num evento sem precedentes nos últimos 40 anos”, escrevem os autores, dos Estados Unidos, Austrália e Taiwan. “Nossas descobertas põem em evidência os riscos de um aquecimento de 2º C do oceano aos ecossistemas de recifes de coral, quando processos locais e globais se alinham para impulsionar um aquecimento intenso, com consequências devastadoras”. O Atol de Dongsha é um parque nacional de Taiwan.

Na última semana, pesquisadores australianos, americanos e britânicos haviam publicado na Nature artigo apontando o impacto dramático do aquecimento global sobre a Grande Barreira de Coral da Austrália. Reportando o estudo, o jornal The New York Times escreveu que “amplas seções da Grande Barreira de Coral, estendendo-se por centenas de quilômetros em seu setor norte, foram encontradas sem vida, mortas no ano passado por água do mar superaquecida. Seções mais ao sul, em torno do centro do recife, que mal escaparam então, estão embranquecendo agora”.

 “Em 2015-1206, temperaturas recorde desencadearam um episódio pan-tropical de branqueamento de corais, o terceiro evento em escala global desde que o branqueamento em massa foi documentado pela primeira vez nos anos 80”, afirma o trabalho na Nature. “Qualidade da água e pressão pesqueira tiveram efeitos mínimos sobre o branqueamento sem precedentes de 2016, sugerindo que a proteção local dos recifes oferece pouca ou nenhuma resistência ao calor extremo (...) ação global imediata para deter aquecimento futuro é essencial para garantir um futuro para os recifes de coral”.

O branqueamento ocorre quando a temperatura elevada das águas leva os corais a expelir as algas que vivem em seus tecidos. Sem as algas, o coral se vê numa situação de estresse e em risco de vida. Um coral pode sobreviver a um evento de branqueamento se a temperatura da água voltar rapidamente ao normal.

Referência

Mass coral mortality under local amplification of 2 °C ocean warming

Scientific Reports 7, Article number: 44586 (2017) doi:10.1038/srep44586 ]