Estudo avalia impacto da malária em regiões de fronteira agrícola

Foto: Reprodução
Mosquito transmissor da malária, Anopheles stephensi, logo depois de obter sangue humano

Artigo publicado no novo periódico online do grupo Nature, Nature Ecology & Evolution, busca modelar matematicamente o impacto do desenvolvimento econômico em regiões “de fronteira” – por exemplo, áreas de desmatamento ou irrigação – na disseminação da malária. Os autores, de instituições dos Estados Unidos, usam como base empírica do trabalho o avanço da fronteira agrícola, na Amazônia brasileira, e um projeto de irrigação de zona desértica na Índia.

“Demonstramos que um aumento na transmissão [da doença], seguido por declínio ou aumento ainda maior do risco, é um desfecho comum”, diz o artigo. “O aumento resulta da assimetria entre as mudanças ecológicas, relativamente rápidas, nas paisagens transformadas, e o ritmo mais lento do investimento em proteção contra malária”.

Os autores apontam que resultados comuns do desmatamento e da abertura de estradas são amplas áreas expostas ao sol, onde se acumulam poças d’água, condições favoráveis à disseminação de mosquitos. “Os resultados sublinham a importância de reduzir o risco ecológico, ao mesmo tempo em que se fornecem serviços e oportunidades econômicas para os primeiros migrantes por períodos mais prolongados”.

Levar em conta as interações sócio-ecológicas e a escala de tempo em que se desdobram é necessário para evitar condições que levam à presença endêmica da malária, adverte o artigo. Os autores definem “fronteiras” como “áreas geográficas amplas e anteriormente subdesenvolvidas, que passam por padrões de transformação do solo em larga escala”. A economia dessas regiões faz uso intensivo de mão de obra e “caracteriza-se por baixos investimentos em serviços públicos para os primeiros migrantes”, com ênfase em ganhos de curto prazo.

O modelo apresentado no periódico mostra que, entre o início da colonização de uma região de fronteira e o “resultado desejado de longo prazo” – o controle da doença –, há um caminho que, dependendo das dinâmicas envolvidas, “pode cruzar níveis de doença mais elevados, numa fase que é transitória, mas não necessariamente curta. Cada vez mais, muitos dos pobres do mundo estão presos nessa fase de transição, particularmente em países onde a malária é endêmica”.

Referência

 

The rise and fall of malaria under land-use change in frontier regions

doi:10.1038/s41559-017-0108 ]