Livros para discutir o Brasil e o mundo

Em 2022, Editora da Unicamp celebra 40 anos e organiza evento e série de títulos para debater questões contemporâneas e propor alternativas

Tem início amanhã, 13, e segue até dia 15 o seminário “Discutindo o Brasil e o Mundo”, organizado pelo Conselho Editorial da Editora da Unicamp, com apoio da Pró-Reitoria de Extensão (Proec) e a participação de especialistas brasileiros e estrangeiros. “Desde 2007 temos vivenciado crises econômicas, passamos pela pandemia e assistimos o reordenamento de cenários políticos, seja provocado pela Guerra na Ucrânia, no âmbito internacional, seja em laboratórios fascistas, como no governo atual no Brasil. A pergunta que temos que nos fazer é: para onde vamos?”, questiona Edwiges Morato, diretora da Editora da Unicamp. As seis mesas temáticas e um Open Forum que compõem o Seminário terão como tema central a cena sociopolítica nacional e internacional contemporânea, em especial a crise da democracia e seus impactos. O evento também vai contemplar discussões sobre o papel do livro acadêmico e da divulgação da ciência na formação universitária, na democratização do conhecimento e na experiência da cidadania. “A Editora da Unicamp se coloca como um ente acadêmico, científico e cultural, por isso, mais do que divulgar nosso catálogo, estamos tentando articular a produção editorial com eventos, sempre que possível saindo dos muros da Universidade”, afirma Morato.

Foto de uma mulher que aparece da cintura para cima. Ela é branca, tem o cabelo castanho, de comprimento médio, usa óculos, máscara, uma blusa preta e blaser vermelho. Ela está segurando um microfone.
"A Editora da Unicamp se coloca como um ente acadêmico, científico e cultural, por isso, mais do que divulgar nosso catálogo, estamos tentando articular a produção editorial com eventos, sempre que possível saindo dos muros da Universidade”, afirma Edwiges Morato.

Parte das discussões do Seminário será transformada em uma série de livros com o mesmo título do evento e com selo próprio. “A nova série é inaugurada com duas traduções, fruto desse interesse da Editora de publicar um conjunto de obras nacionais e estrangeiras que tenham como tema discussões recentes em torno da democracia” explica Morato. “De forma geral, o mercado editorial trata de temas contemporâneos, mas sem apontar alternativas. É papel dos estudiosos e cientistas enfrentar essas questões”, acredita a diretora. Para ela, ao trabalhar com a contemporaneidade também abre uma linha editorial para o catálogo da Editora. “Com as traduções, conseguimos estar atualizados em relação a essas discussões no campo internacional”, complementa.

Diagnósticos e prognósticos da crise do neoliberalismo e da ascensão de uma direita autoritária serão tema de uma mesa com a socióloga da Universidade Metropolitana de Londres Úrsula Huws. Desde os anos 1970, ela desenvolve pesquisas sobre os impactos das transformações tecnológicas, a realocação telemediada do emprego e as mudanças na divisão internacional do trabalho. É de sua autoria um dos lançamentos da Editora da Unicamp, Reinventando o Estado de bem-estar: plataformas digitais e políticas públicas, que integra a nova série “Discutindo o Brasil e o Mundo”. Versando sobre a classe trabalhadora britânica, a autora discute os impactos do esfacelamento do Estado de bem-estar sobre o emprego, a assistência social e as relações de gênero, tragicamente expostos durante a pandemia de Covid-19. No livro, Huws discute ideias e políticas para recompor um sistema que garanta proteção para todos, incluindo a renda básica e uma nova legislação para direitos universais dos trabalhadores. Ela também descreve um “Estado de bem-estar digital” para o século XXI, que envolveria um redirecionamento de tecnologias de plataforma on-line sob controle público para modernizar e expandir os serviços e melhorar a sua acessibilidade.

O que faz um livro

 Em meio às tentativas de identificar a cena sociocultural e política brasileira a partir da produção editorial, veio a pergunta: qual o impacto do livro acadêmico na agenda de intelectuais orgânicos e grupos minoritários? Esse é o tema da mesa que abre o segundo dia do Seminário. Participam Kassandra Muniz, professora da Universidade Federal de Ouro Preto UFOP, que estuda práticas identitárias e linguagens, e Márcia Mura, escritora, ativista do movimento indígena e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Da Unicamp, participam Regina Facchini, do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, e, como mediadoras, as professoras Iara Beleli e Iara Lis Schiavinatto, ambas do conselho editorial da Editora. “Com essa mesa, queremos dar protagonismo ao livro acadêmico nesses movimentos, ouvindo essas pessoas que, mais do que ativistas, são intelectuais orgânicos”, explica Morato.

Foto de um livro aberto.
Seminário organizado pela Editora da Unicamp vai discutir o impacto do livro acadêmico na agenda de grupos minoritários (Foto: Antonio Scarpinetti)

O Seminário traz também uma mesa sobre democratização do conhecimento e divulgação de ciência com o lançamento de Ipabuçu, a vida nas lagoas. Nesse livro, o biólogo e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Marcos Rodrigues, que já teve outras obras publicadas pela Editora da Unicamp, mostra as relações ecológicas que podem ser observadas em qualquer lagoa do planeta, desde a lagoa Santa no município mineiro de mesmo nome, até os grandes lagos da África e da América do Norte.

Festa do livro

Como parte das atividades em comemoração aos 40 anos da Editora da Unicamp, de 13 a 18 de setembro acontece a Festa do Livro com formato híbrido. A parte presencial será no Ciclo Básico II. Além disso, no site da Editora, reformulado especialmente para as comemorações, haverá a presença virtual de diversas editoras universitárias. Tanto os livros que pertencem ao catálogo, os que já foram lançados em 2022 e os recém-lançados, como os da nova série “Discutindo o Brasil e o Mundo”, estarão disponíveis na Festa.

Composição com fotos de capas de livros.

Reflexões sobre o mundo contemporâneo

 Entre as traduções que compõem a nova série está a do último livro do historiador, jornalista e escritor argentino Pablo Stefanoni. Em A rebeldia tornou-se de direita?, ele analisa a chamada “direita alternativa” que está liderando uma revolução na política ocidental com combinações de nacionalismo, posições antiestatais, racismo e misoginia, mas também com acenos à comunidade LGBTI e slogans ambientais. Com uma aura de incorreção e novidade, o movimento levanta bandeiras de indignação e rebelião que eram a marca registrada da esquerda. No livro, Stefanoni sugere meios para a esquerda enfrentar essa revolução antiprogressista e recuperar a bandeira da transgressão.

O próximo lançamento, que acontece em outubro, é o livro de Márcio Pochmann Novos horizontes do Brasil na quarta transformação estrutural. Autor de mais de 60 livros sobre economia, trabalho, desenvolvimento, cidades e políticas públicas, é a primeira vez que o economista tem um trabalho publicado pela Editora da Unicamp. Também no escopo da série sobre temas contemporâneos, a obra versa sobre a história econômica recente do Brasil e explora alternativas para o futuro do país.

 

Serviço

  • Seminário “Discutindo o Brasil e o Mundo”

De 13 a 15 de setembro

Auditório do Centro de Convenções da Unicamp

Programação completa e inscrições nesse link.

  • Festa do Livro

De 13 a 18 de setembro, no Ciclo Básico II

Imagem de capa JU-online

Foto de um grupo de pessoas de pé em um ambiente aberto. Elas estão escolhendo livros espalhados em mesas.