Memória e o direito de esquecer

Olga Rodrigues de Moraes von Simson reflete sobre o impacto do rompimento da Barragem de Fundão

Funes não apenas se recordava de cada folha de cada árvore de cada
morro, mas ainda de cada uma das vezes que a tinha percebido ou
imaginado. Resolveu reduzir cada uma das jornadas pretéritas a umas
setenta mil lembranças, que logo defi niria por cifras. Foi dissuadido por
suas considerações: a consciência de que a tarefa era interminável, a
consciência de que era inútil. Pensou que na hora da morte ainda não teria
acabado de classifi car todas as lembranças da infância.

Jorge Luis Borges


Quando a barragem de Fundão se rompeu, a lama escura de rejeitos da extração do ferro tomou suas ruas e invadiu as casas dos moradores de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Barra Longa. Levou pertences, fotos, bicicletas, carros e corpos. Levou histórias e lembranças.Com eles, foi-se parte da memória individual e coletiva dos moradores daquelas comunidades.

Olga Rodrigues de Moraes von Simson, que atuou como coordenadora do Centro de Memória da Unicamp de 1996 a 2006 e hoje integra o Grupo de Pesquisa sobre Imigração e Memória como pesquisadora voluntária, dedicou sua vida e sua carreira pesquisando os processos de construção e reconstrução de memórias. A partir de fotos, recortes de jornal e de métodos da história oral, a socióloga nascida em Jaboticabal ajudou a reconstruir a história do carnaval paulistano, popular e de elite, e também a história do samba de bumbo campineiro e da própria cidade de Campinas, onde vive.

Foto: Roberta Sales
Olga Von Simson em sua casa no distrito de Barão Geraldo

Na conversa a seguir, ela reflete sobre o impacto do rompimento da Barragem de Fundão na memória das pessoas desterradas e fala sobre os possíveis caminhos para a reconstrução da memória e o fortalecimento da identidade dessa população, para que, no futuro, essas pessoas consigam se integrar mais facilmente a um novo local que lhes for destinado.


O que é memória?

Olga Von Simson: Existem várias definições de memória. Escolhi uma que julgo mais simples para embasar as discussões que faço em meus trabalhos e pesquisas. Memória é a capacidade humana de, ao vivenciar experiências e processos culturais, ser capaz de transmiti-los às novas gerações por meio de diferentes suportes empíricos, como a imagem, o som, a interpretação teatral e também pelo uso das novas tecnologias. Trazer as experiências antigas para as novas gerações é permitir a elas que continuem o desenvolvimento a partir de determinado ponto e não comecem sempre do zero. Memória é a capacidade de transmitir a cultura entre gerações, o que nos diferencia de outros animais.


E como são constituídas essas memórias?

Olga: Existe uma memória individual, constituída pela soma de experiências que vivenciamos em família, em espaços religiosos, em escolas, em partidos e movimentos políticos e culturais aos quais aderimos ao longo da vida. E existe aquilo que chamamos de memória coletiva, imposta ao indivíduo por diferentes mecanismos criados pela sociedade. Um dos mais importantes mecanismos de imposição de uma memória, comum à maioria dos membros de uma sociedade, é a frequência escolar. Estruturas sociais como a escola fomentam a formação de uma memória que passa a ser compartilhada por todos.


Reflexões sobre memórias são sempre acompanhadas da ideia de esquecimento. Como se dá essa relação memória-esquecimento?

Olga: Nossa capacidade de reter informações é limitada. Não podemos guardar tudo aquilo que vivenciamos. Se fôssemos fazer isso, acabaríamos loucos como o personagem Funes, o memorioso, criado pelo escritor argentino Jorge Luis Borges. Temos uma capacidade de seleção para descartar ou gravar aquilo que julgamos ser interessante e útil. Descartamos o que nos parece supérfluo. Essa capacidade seletiva caracteriza a memória humana e é fundamental para o seu funcionamento. É por meio dessa seleção que ocorre o diálogo com o esquecimento. São nossas escolhas que nos permitem construir uma memória rica e capaz de ser um instrumento que nos auxiliará no futuro.


Como ocorre a ativação da memória a partir dos instrumentos da oralidade, visualidade, sonoridade e concretude?

Olga: Em minhas pesquisas sobre o Carnaval paulistano, eu pedia para as pessoas fazerem uma descrição da experiência carnavalesca delas ao longo da vida. Algumas pessoas traziam um discurso que representava um pouco da memória coletiva, com alguns aspectos da memória individual. Mas existem casos interessantes para lembrarmos, como o do seu Zezinho, da Casa Verde. Ao chegar para a entrevista do projeto de pesquisa que nosso grupo desenvolvia no Museu da Imagem e do Som (MIS), seu Zezinho estava com os bolsos cheios de fotografias, todas as que ele havia acumulado desde os oito anos de idade, pois a mãe o levava ao Carnaval desde menino. Para ele, a fotografia era uma prova da verdade. Optamos por colher primeiro o seu depoimento oral e só depois avaliar o material fotográfico que ele portava. Em seu relato, outro elemento surgiu como detonador da memória, a música. Quando pedi que cantasse alguns dos sambas que lhe proporcionavam tantas lembranças, ele disse que não se lembrava das letras, mas afirmou que uma vizinha, a Dona Conceição, cantava sempre enquanto lavava o quintal. Então convidamos a Dona Conceição para a pesquisa no MIS e, juntos, reconstituímos toda a riqueza musical sobre o samba da cidade de São Paulo que estava guardada na memória de ambos. Quando retomamos as fotografias, que foram tratadas em laboratório e ampliadas para o tamanho 18x40, seu Zezinho foi capaz de observar detalhes que ele nunca havia observado em seus originais. Esses detalhes ativaram outras memórias.


Em novembro de 2015, o rompimento da Barragem de Fundão destruiu a vila inteira de Bento Rodrigues, no município de Mariana, em Minas Gerais, e causou danos a várias outras comunidades nos arredores. Em Bento Rodrigues a lama levou casas, igrejas, uma escola, praças e todo o aparato social da vida de seus habitantes. Qual o impacto dessa perda para as memórias individual e coletiva da população local?

Olga: O impacto é enorme, pois perderam todos os seus referenciais. Há a perda do referencial religioso, representado pela igreja. Perderam também o referencial do contato social, que acontecia nas praças. E ainda perderam objetos pessoais, marcas do passado que foram de embrulho junto com a lama que destruiu tudo. Bento Rodrigues se torna uma espécie de vítima da exploração econômica, que a Samarco realizava na região, e do descaso dessa grande empresa em relação a uma população que tinha uma vida social rica, um passado e uma identidade que foram destruídos com a perda de seus marcos.


Na ausência da visualidade e da concretude, é possível reconstruir a memória dessa população apenas com a oralidade?

Olga: A oralidade reconstrói a memória a partir de indicadores concretos. A gente lembra alguma coisa, mas a lembrança é muito mais forte quando temos os indicadores, seja ele uma foto, um objeto, uma música e, até mesmo, um passeio por determinado espaço. Lembro que no trabalho de reconstrução da história da Vila Industrial, aqui em Campinas, um senhor, o jornalista Benedito Barbosa Pupo, me levava para caminhar pelos espaços da vila. No trajeto sua memória era acionada pela visão do local, o que permitia a ele nos contar muito mais histórias do que as que ele recordava pelo simples esforço de memória. Então, o espaço urbano, com suas marcas do passado, é um fator fundamental na reconstrução da nossa memória, tanto individual quanto coletiva. No caso do distrito de Bento Rodrigues, ficaram poucas marcas possíveis para buscar uma reconstrução da memória local.


Como fazer essa reconstrução com as poucas marcas que restaram e sem tantos indicadores concretos?

Olga: Na verdade a gente vai buscando indícios, pequenas informações, registros visuais, musicais e outros possíveis para reconstruir esse passado com a ajuda dos nossos informantes, como se fosse uma colcha de retalhos. Em razão da ausência da concretude e da visualidade, é fundamental que o pesquisador se prepare, por meio de leituras e de outros caminhos, para saber o máximo possível a respeito do tema que ele está pesquisando. É preciso que ele conheça a priori os dados qualitativos e quantitativos da realidade que vai pesquisar. Somente assim ele será capaz de fazer a pergunta certa, no momento certo, para detonar o processo de rememorização de seu informante.


Quando fazemos uma reconstrução, a partir de depoimentos orais, não há também um recorte da realidade?

Olga: Sempre há. As pessoas nunca contam tudo. Elas selecionam o que vai ficar gravado e o que vai ser esquecido por meio de uma trajetória própria que elas têm na cabeça e que pretendem deixar registrada para o pesquisador. A desconfiança é necessária ao pesquisador. Ele precisa fazer questionamento para ir pouco a pouco desmontando as trajetórias pré-preparadas que muitas vezes os nossos informantes trazem. Sob esse ponto de vista, acho que as fotografias são ricas, pois elas trazem detalhes que permitem ao pesquisador fazer perguntas inesperadas, não pensadas a priori pelos depoentes, e que possibilitam furar relatos pré-moldados. Quanto mais famoso e mais reconhecido o depoente for, mais ele terá cuidado com o relato da trajetória que ele pretende fixar com seu depoimento.


Qual memória prevalecerá, a memória sonora da lama escorrendo e levando a cidade ou a memória sonora das conversas de rua, do sino da igreja e de todos aqueles pequenos atos que deixaram de existir naquelas ruas e praças?

Olga: No momento, o mais forte é o som da lama. É ele que está representando aquela tragédia, e que está agredindo e machucando a população. Mas gradativamente o choque e o horror que eles vivenciaram vai se tornando menos importante. Então, as memórias positivas, agradáveis e significativas do passado poderão retornar. O pesquisador, por meio de uma preparação cuidadosa, pode ser um instrumento que os ajudará a evocar esse passado e juntos, pesquisador e pesquisado, num trabalho de parceria, poderão reconstruir essa memória a partir dos poucos indícios que sobraram.


Em razão da tragédia, há um toque de sirene na cidade para lembrar as vítimas e para que o fato não seja esquecido. A Sirene também é o nome de um jornal que circula na região de Mariana, com relatos e memórias de moradores. Gostaria de ouvir seus comentários sobre o valor dessas ações para inibir o esquecimento do fato e para preservar a memória das vítimas.

Olga: No momento essas ações têm um significado, no sentido de impedir o esquecimento, mas acredito que esse tipo de atuação sobre a memória dessa população não possa ser permanente, porque todos nós temos o direito de esquecer. Orientei o doutorado de um pesquisador de Minas Gerais que estudou a tragédia da Gameleira, que ocorreu durante o governo militar. O doutorando, um migrante da zona rural que à época da tragédia trabalhava na construção civil, não estava no momento do acidente, mas ouviu vários relatos de operários e vítimas do episódio e optou por reconstruir a tragédia em sua pesquisa de doutorado. É um tipo de pesquisa dura, que trabalha com memórias sofridas das famílias de mortos e sobreviventes aleijados. Nos levantamentos, era comum os entrevistados declararem ao pesquisador: “Que bom que você veio mexer nisso, levantar e registrar esses dados, porque agora a gente tem o direito de esquecer. Não podíamos esquecer, pois não estava registrado. Agora que você reconstruiu e registrou, conquistamos o direito de esquecer”. O esquecimento também é um direito que precisa ser garantido a todos, inclusive às vítimas da lama, para que eles possam viver com sanidade mental.


Apesar de pouco noticiados, existem relatos de tentativas de suicídio e de suicídios consumados, motivados pela tragédia. Há como fazer uma reflexão entre suicídio e memória? Há uma memória do trauma?

Olga: As referências do passado foram embora. A população não tem mais as bases para a reconstrução do que chamamos de memória individual. Ela só tem uma memória coletiva que lhe é imposta pela mídia, pela Samarco e por diversos artifícios criados pela sociedade. O indivíduo se desespera por não ter mais o direito a sua memória familiar e à memória de seu grupo social, sem as quais ela não consegue reconstituir e manter sua memória individual. Faltam às pessoas de lá as referências básicas para a construção dessa memória. Nesse caso, elas perdem o direito de lembrar.


Qual o papel do jornalista e dos veículos de comunicação na reconstrução dessas memórias?

Olga: No Centro de Memória da Unicamp, temos a Hemeroteca, um setor que permite reconstruir o passado por meio das notícias de jornais e de revistas que estão organizadas e separadas por tema. Muitas vezes peço aos meus orientandos que consultem os arquivos antes de sair a campo para fazer suas pesquisas, pois uma primeira reconstrução desse passado pode ser feita a partir da análise de como a mídia focalizou determinado tema. Houve um campineiro, João Falch Trinca, que gostava muito de Campinas e, por questões de trabalho, teve que deixar a região e mudar-se para São Paulo. A maneira que ele encontrou para se manter conectado à cidade foi recortar dos jornais de São Paulo e de Campinas que ele assinava todas as notícias que ele julgava importantes sobre a cidade. A Hemeroteca da Unicamp começa em 1920 justamente com os recortes dele, doados pela família após a sua morte. Portanto, a imprensa pode ser um instrumento valioso de reconstrução do passado, cabendo ao investigador aprofundar-se nos temas trazidos pela mídia para uma compreensão mais ampla do fato.


Hoje, com o acesso à internet e às redes sociais, ficou fácil registrar e disseminar informações sobre fatos. Existem diversas fotos e vídeos da tragédia espalhados pela rede. Qual o papel do espaço virtual na preservação dessas duas memórias, antes e depois da lama?

Olga: O processo de registro é amplo e diversificado. Esse material é rico para o pesquisador, mas é preciso investigá-lo com cuidado. É indispensável analisar esses discursos. Saber quem fala, por qual motivo está falando e qual é o local de sua fala. Ninguém deixa um registro de memória simplesmente por memorizar. Deixa porque quer que sua visão seja considerada. Registra por achar que algum aspecto importante não foi valorizado pela mídia. O registro e a divulgação desses conteúdos são orientados por diversas razões. Essa pluralidade pode, ao invés de facilitar, dificultar o trabalho do pesquisador que atua na reconstrução de memórias.


Os desabrigados foram mantidos temporariamente alojados em casas e apartamentos na cidade de Mariana. É possível aos refugiados da lama se sentirem pertencentes a esse local mais urbano e, declaradamente, temporário?

Olga: É difícil, pois esse processo de inserção está definido pelo tempo. Os migrantes e seus vizinhos sabem que eles não são membros efetivos daquela comunidade e que a permanência deles é temporária. Então, o processo de aceitação, de troca mútua e de inserção deles nos grupos sociais de Mariana será sempre um processo difícil, pois são vistos como excrescências que vieram da zona rural para a zona urbana e que ficarão por algum tempo, mas que voltarão para suas origens ou encontrarão outros caminhos. Aquilo que chamamos de inserção social, de congraçamento, de partilha e de construção conjunta para o futuro fica impedido nessa situação. As autoridades precisam olhar para esse processo e criar condições para que o entrosamento entre as comunidades se dê de maneira mais efetiva e agradável.


Gostaria que refletisse sobre a relação de economia, poder e dependência entre a comunidade, os mineradores e a Samarco e o quanto essa relação interfere nos relatos.

Olga: Existe um cuidado com o que será dito sobre a Samarco. É provável que o tema Samarco seja tratado de uma forma nas conversas familiares e de outra nas falas em público, especialmente quando o depoimento é dado ao pesquisador ou à mídia. É preciso pensar que, quando a população que depende financeiramente da Samarco dá seu depoimento, ela está pensando que seu emprego pode estar em risco.


Isso seria o que a senhora chama de memória marginal ou subterrânea?

Olga: Esta foi a memória que eu identifiquei nos trabalhos sobre o carnaval popular e paulistano. Uma memória que não era buscada nem valorizada. A partir da reconstrução dessa memória, os envolvidos passaram a sentir orgulho dela e a consideraram em pé de igualdade com a sociedade dominante. O trabalho com a metodologia da história oral procura e valoriza as memórias dominadas. Memórias que geralmente só surgem em situações de uma grave crise e de luta social. Então a grande qualidade do pesquisador é perceber que, em determinado momento ou diante de certas falas, existem possibilidades de levantar temas que normalmente seriam deixados de lado. Ao demonstrar conhecimento e interesse sobre esses temas, o pesquisador pode detonar essa memória subterrânea ou marginal que, até então, não estava registrada.


E o meio ambiente?

Olga: A preocupação com o meio ambiente é relativamente nova. É uma questão trazida pelas classes mais elevadas. A classe popular não está preocupada com o meio ambiente, ela está preocupada com a própria subsistência. A gente tem que pensar como esse minerador, ameaçado de perder seu emprego, pode se preocupar com o meio ambiente. O mais premente para ele é a manutenção dele mesmo e da sua família. O que não quer dizer que essas questões sejam irrelevantes. São relevantes, mas afetam diferentemente cada uma das classes sociais. Temos de ter cuidado com isso, embora saibamos que a destruição foi catastrófica e que vai mudar o meio ambiente na região por muito tempo. Recuperar os estragos da tragédia será um trabalho de décadas.


Mas essa memória da tragédia, dos danos ambientais, pode fazer alguma pressão para que fatos como esse não voltem a ocorrer?

Olga: Sim, será um argumento muito forte para os ambientalistas que querem desenvolver projetos e conseguir aprovar leis e medidas de preservação do meio ambiente. O fato de essa tragédia estar registrada e acessível é fundamental para que conquistas legislativas e melhores garantias para a proteção do meio ambiente possam acontecer. A mídia e os pesquisadores que trabalham com a temática ambiental e os danos ocorridos na região precisam saber que também estão contribuindo para isso.


Após seis meses da tragédia, o Ministério Público decidiu que a escolha de um novo terreno para reconstruir a cidade de Bento Rodrigues ocorresse por votação. O local escolhido é conhecido como “Lavoura”. A proposta é que a comunidade também participe das discussões sobre a arquitetura geral da comunidade. É possível pensar na construção de uma nova memória?

Olga: Existem duas possibilidades: ou eles vão tentar recriar o que tinham e foi destruído, o que deixaria a nova cidade com uma aparência aproximada da que foi embora com a lama, ou eles vão tentar fazer uma nova Bento Rodrigues, já com qualidades e possibilidades que permitam a eles obter um crescimento e um desenvolvimento diferenciado. Ou há preservação de uma nostalgia do passado perdido ou, apesar de se lembrar da tragédia, elabora-se um novo espaço comunitário mais amplo e mais contemporâneo. Essa é a grande pergunta que vai ficar para a comunidade e que precisa ser muito bem administrada pelo poder público e pelas pessoas da Samarco à frente desse processo de reconstrução.


E o enraizamento?

Olga: O processo de enraizamento pode se fazer na reconstrução da cidade. Ele pode se dar a partir da criação de um espaço museológico para o qual as pessoas vão levar não apenas os poucos objetos que conseguiram manter e resgatar, mas também seus depoimentos e suas vivências. Esse processo pode se dar por meio da construção de uma Bento Rodrigues que seja nova, voltada para o futuro, mas que não seja totalmente desenraizada por contar com um espaço museológico vivo, capaz de lembrá-los sempre do trauma e das dificuldades que viveram com a destruição trazida pela lama.


E sobre a nossa publicação, em formato de e-book?

Olga: Tenham em mente que, mais do que denunciar, vocês podem permitir que uma memória científica se construa para embasar tanto as memórias individuais quanto a coletiva dessa comunidade, pois esse é o grande auxílio que nós, como pesquisadores, podemos dar em um processo tão sofrido e marcante como esse que a população atingida viveu.

 

Imagem de capa JU-online

Carro destruído em meio as ruínas do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana-MG | Foto: Reprodução Wikipedia | Rogerio Alves TVSenado | CC BY 2.0