Precisamos de união nacional para defender a ordem constitucional e o estado democrático de direito

Neste dia 7 de setembro, data da independência, o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de organizar um dia nacional de luta contra a pandemia de covid-19, com um mutirão nacional de vacinação, em todo o País. Poderia ter sido um levante nacional contra o vírus, organizado pelo Ministério da Saúde, com uma campanha em todos os meios de comunicação de massa para esclarecimento da sociedade sobre a importância de vacinação mais rápida e de uma ampla cobertura vacinal e sobre a importância da manutenção das medidas não farmacológicas até começarmos a ter uma queda mais sustentada nos casos de infecção, internação e óbitos.

Teria sido lindo ver o SUS e o PNI aplicando milhões de doses de vacinas e de esperança, com a população brasileira abraçando a causa, em um pacto nacional pela liberdade!

Mas não teve nada disso não. Não houve celebração pela vida, nem pela independência. O que nós vimos foram protestos marcados por desrespeito a protocolos sanitários contra a covid-19. Só quem comemorou a independência neste dia 7 de setembro foi o Sars-CoV-2, que mata, assim como o vírus da ignorância, também assassino. Nestes protestos, vimos milhares de pessoas aglomeradas e sem máscaras, em locais abertos, mas também em inúmeros locais fechados, bares, restaurantes, lanchonetes, lojas, transporte público etc.

O que nós vimos foram cenas grotescas protagonizadas por pessoas que apoiam discriminação, tortura, perdas de direitos humanos, racismo, violência, prática de rachadinhas, homofobia, intervenção militar e derrubada do Supremo Tribunal Federal (STF). É fato consumado que todos nós perdemos algo de liberdade neste dia 7 de setembro. O Brasil, acostumado a acordar cada dia mais triste por causa da pandemia, acordou no dia 8 com uma sensação de que a barbárie está tomando conta da sociedade, vencendo a civilidade.

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O Brasil atingiu a triste marca de 585.205 óbitos pela covid-19 (subnotificados), o segundo País no mundo em óbitos, atrás apenas dos EUA. Estamos vivendo uma crise sanitária sem precedentes, mas também crise hídrica e energética, um desastre na economia, denúncias de corrupção e demora na compra de vacinas, milhões de pessoas com fome, vivendo abaixo da linha da pobreza, desemprego batendo recordes, milhões de pessoas na informalidade, desmatamento desenfreado, os povos originários sendo desrespeitados, escalada de violência, escassez de moradia e falta de saneamento básico, inflação crescendo, impostos elevados, as instituições públicas sucateadas, a ciência e os cientistas sob ataque e sendo perseguidos, uma sociedade dividida e mais triste. Tem muita coisa errada.

Nas ruas, nós presenciamos um clima hostil, de intolerância, ódio, estupidez, confundido com um "patriotismo" feio, radical e antidemocrático. É triste ver um governo que não construiu nada de bom e está destruindo as instituições, espalhando ódio e dividindo ainda mais o País. Essas ameaças golpistas aparentam demonstrar força, mas revelam a fraqueza, o desequilíbrio e o desprezo às leis e à Constituição, da parte de quem as promoveu. Essas pessoas tentaram provocar o caos para tirar o foco da própria incapacidade de resolver os reais problemas do Brasil. Nós precisamos pacificar o País para enfrentar essa pandemia. Morrer de covid-19 foi normalizado. A sociedade brasileira está doente, famílias estão divididas. Que País estamos construindo para nossas crianças? Chega de irresponsabilidade. Chega de psicopatas no poder, nas redes sociais e nas ruas ameaçando nossas instituições.

Nós poderíamos ter aproveitado a data como um momento de união da Nação contra um vírus que já matou quase 600 mil brasileiros, milhares deles que poderiam estar aqui hoje.

Se não fosse o STF e os governadores, que salvaram milhares de vidas, muitos de nós também não estaríamos aqui hoje. O STF nos salvou do negacionismo de um governo que desde o início relativizou a crise sanitária, atacou a ciência, os cientistas, jornalistas e as instituições públicas, que defendeu uma imunidade de rebanho que levou a tragédia em Manaus e que resultou na variante Gama, que defendeu a farsa do tratamento precoce, que desde o início da pandemia vem atacando as medidas de restrição de movimento, o lockdown, o distanciamento físico e o uso de máscaras.

Isto não é forma de comemorar a data da independência. Não foi um dia de união, de celebração, foi um 7 de setembro que trouxe mais divisão, mais discursos de ódio e de ruptura institucional. O que de fato sobrou do Brasil depois deste dia 7 de setembro, 199 anos depois da independência? Vamos reviver isso em escala maior e mais perigosa no dia 7 de setembro de 2022, ao comemorar 200 anos da independência? Poucas semanas antes da data de uma eleição presidencial em que podemos de forma democrática expurgar este mal que assola o Brasil?

Que esse espetáculo grotesco, antidemocrático não seja esquecido. Nesse momento, nós não podemos nos calar, não podemos ter medo, não é momento para ficar isento, quieto, nós precisamos ter coragem para defender a democracia e nossas instituições epistêmicas e lutar em defesa das pessoas que nós amamos. Muitas delas não têm força para lutar, precisam de cada um de nós.

Nós precisamos da união de todas as forças do campo democrático, de esquerda, de centro e de direita, para defendermos a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito contra as forças da extrema direita radical neste país, que defendem pautas abordando fechamento do STF e intervenção militar na democracia.

Não podemos negociar com autoritarismo nem com golpistas e temos que defender a justiça social e a liberdade, lutando contra o extremismo. Não existe possibilidade de aceitarmos atos antidemocráticos, os valores democráticos são inegociáveis. Democracia é inegociável. Nós vamos continuar lutando contra o vírus Sars-cov-2, que mata, mas também contra o vírus da ignorância e das mentiras assassinas e contra os movimentos antidemocráticos e fascistas.

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São muitos os retrocessos nestes últimos 2 anos e oito meses. Nós vamos passar por isso e vamos ter muito trabalho para reconstruir o País. Não há mal que dure para sempre. A civilidade precisa vencer a barbárie. O nosso povo precisa de ética na política, de comida, emprego, saúde, moradia, saneamento básico, segurança, educação, paz, ciência, do meio ambiente protegido, de vacina, democracia e paz. 

Observação I: Essa coluna era para ter sido publicada no dia 09 de setembro pela manhã. Não foi. Eu atualizei os dados e informações. O Presidente fez um movimento de recuo forçado e publicou uma carta dizendo que não liderou os atos antidemocráticos com declarações golpistas. Mente! Essa tentativa de golpe fracassou, ele não teve o apoio que esperava da sociedade, das Forças Armadas, de outros políticos golpistas. Mas não vamos nos enganar, o golpe está armado, a escalada autoritária não vai parar e ele vai atacar novamente. Precisamos nos manter mobilizados, atentos e fortes e não podemos menosprezar as ameaças. Para mantermos a democracia viva, vamos precisar de vozes plurais e de maturidade.

E que o STF desarticule a máquina de criação de fake news montada pelo gabinete do ódio para destruir a nossa Democracia.

Associação Brasileira de Imprensa (ABI) enviou ao presidente do Congresso Nacional, uma carta aberta com requisição de devolução da Medida Provisória (MP) nº 1.068/2021 que afronta o Marco Civil da Internet e permite a divulgação livre de fake news, ofensas e teorias conspiratórias. A MP foi encaminhada pelo presidente Jair Bolsonaro, às vésperas dos atos antidemocráticos e tentativa de golpe ao Estado Democrático de Direito.

SOBRE AS VARIANTES

Variante MU

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está monitorando uma nova variante de interesse (VOI), a B.1.621, batizada de “Mu” e identificada na Colômbia. O nome “Mu” (Mü) vem do alfabeto grego, assim como as outras variantes e é a 12ª letra de um total de 24 letras (vamos fazer nossa parte para o vírus parar de se espalhar e sofrer mutações, para não precisarmos usar todas essas 24 letras, gente, por favor). Uma VOI ainda não é considerada uma variante de atenção ou de preocupação (VOC).

As VOCs são mais perigosas e mais transmissíveis, podem causar sintomas mais graves e escapar da resposta do sistema imunológico e da resposta de proteção das vacinas. A OMS segue avaliando os riscos impostos por novas variantes do Sars-CoV-2, considerando a evolução do vírus e mudanças epidemiológicas. A nova variante Mu já foi identificada em pelo menos 39 países na América do Sul e Europa e recebeu esse nome pelo fato de possuir muitas “mutações”, que podem levar a escape de resposta de proteção conferida pelas vacinas.

Imaginem um cenário em que a vacinação em massa é acelerada e as pessoas mantém as medidas não farmacológicas; assim o vírus não vai circular, então não vai se replicar; se o vírus não replica, não sofre mutações; se o vírus não sofre mutações, não há risco de escape vacinal. As vacinas chegaram, mas não podemos depositar apenas nelas a confiança para sair da pandemia. Precisamos também de um pacto coletivo, atitudes de empatia e responsabilidade social. Artigos em falta, eu sei.

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No futuro, variantes mais transmissíveis, mas menos virulentas?

Sempre vem à tona a pergunta sobre se vamos erradicar a covid-19 do planeta com as vacinas. Eu não acredito. Eu penso que não vamos erradicar ou eliminar o vírus, mas vamos coabitar com ele, que nesse processo evolutivo, está tentando se adaptar ao organismo do hospedeiro, nós seres humanos. Eu acredito que a covid-19 vai se tornar um resfriado comum, mais leve, com o Sars-CoV-2 se tornando um vírus endêmico. Até o momento, pouco mais de 224 milhões de pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus e suas variantes.

São poucas as variantes de atenção mais preocupantes que surgiram: Alfa, Beta, Gama e Delta. As variantes que se tornaram dominantes foram as mais transmissíveis (Alfa e Delta) e não as que têm maior capacidade de escapar da resposta de proteção imunológica e maior potencial para causar casos mais graves, como a Beta e a Gama. Nós também sabemos que a vacinação leva a diminuição da capacidade evolutiva de mutação do vírus, então, num cenário de vacinação em massa e mais rápida, nós podemos esperar que as novas variantes de atenção tendem a ser mais transmissíveis e menos virulentas.

O que preocupa é o cenário de vacinação muito lenta nas populações vulneráveis nos países de baixa renda, que poderia levar à possibilidade de uma variante mais transmissível e letal surgir.

Caso apareça uma nova variante com capacidade de escapar da resposta de proteção conferida pelas atuais vacinas, ainda poderemos atualizar as plataformas vacinais para conter o material genético dessas novas variantes. A saída será sempre pela ciência e pela vacinação, respeitando as medidas não farmacológicas, com testagem e isolamento de infectados e rastreamento de seus contatos imediatos e monitoramento das variantes de interesse e preocupação através de vigilância genômica.

Efetividade das vacinas se mantém com a variante Delta

Os ensaios clínicos de Fase 3 mostraram valores de eficácia das vacinas em evitar a infecção com ou sem sintomas, internações e óbitos. Apesar de as vacinas estarem perdendo um pouco de sua eficácia após apenas a primeira dose, a efetividade no mundo real após a segunda dose permanece muito boa, evitando casos graves, hospitalizações e mortes. Todas as vacinas em uso são ferramentas maravilhosas contra a covid-19 e continuam salvando milhões de vidas.

A ciência está procurando entender por que algumas pessoas vacinadas estão sendo infectadas. Será porque a imunidade está em queda com o passar do tempo para todas as pessoas? Será pela queda de proteção nos mais idosos e imunossuprimidos que foram vacinados há mais tempo? Será causada pelo aumento da transmissibilidade da variante Delta? Será uma combinação desses fatores? As taxas de infecções em pessoas imunizadas com o esquema de vacinação completo são extremamente baixas e essas pessoas têm menos risco de hospitalização do que os que ainda não receberam nenhuma dose da vacina.

As pessoas vacinadas com uma dose ou com o esquema vacinal completo, quando são infectadas pela variante delta têm cargas virais altas, semelhantes à carga viral de pessoas infectadas não vacinadas. No entanto, a ciência ainda não sabe se essa carga viral mais elevada faz com que as pessoas vacinadas possam propagar mais o vírus. Em pessoas vacinadas, é possível que essas cópias de vírus não sejam mais contagiosas que a variante que os infectou e pode ser que a quantidade de vírus no organismo das pessoas vacinadas diminua mais rapidamente do que em pessoas não vacinadas.

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SOBRE A VACINAÇÃO NO BRASIL

Doses de reforço: Atualização

Todas as vacinas disponíveis contra a covid-19 protegem contra hospitalização, doenças graves e mortes. As vacinas funcionam, mas elas precisam da ajuda de medidas como distanciamento social, higienização das mãos e uso de máscaras. A prioridade máxima nesse momento é vacinar o mais rápido possível, todas as pessoas que ainda não concluíram seu ciclo vacinal, seja com duas doses ou com a dose única da vacina da Janssen.

Nesse momento, a dose de reforço é recomendada apenas para populações vulneráveis com o sistema imunológico enfraquecido, como os mais idosos que tomaram sua segunda dose ou a dose única da Janssen há pelo menos 6 meses e para pessoas portadoras de comorbidades, que completaram seu esquema vacinal há pelo menos 28 dias. Essa dose de reforço ou dose adicional está sendo considerada como uma medida de precaução para os mais idosos e os imunossuprimidos.

Na cidade de São Paulo, a dose de reforço começou a ser aplicada a partir do dia 06/09/2021 para idosos acima de 90 anos. Os idosos com mais de 60 anos, que tomaram a segunda dose há mais seis meses na capital podem tentar se vacinar usando as doses da “xepa” das vacinas. Precisa levar o comprovante de vacinação, documento com foto e comprovante de residência.

Na página Vacina Sampa, você encontra informações sobre os locais de vacinação na cidade de São Paulo. Para informações sobre a vacinação no Estado de São Paulo, clique no site do VacinaJá. No site do LocalizaSUS, você encontra informações sobre a Campanha Nacional de Vacinação contra a covid-19.

SOBRE A VACINAÇÃO NO MUNDO

Vacinação em países de baixa renda e nas Américas

Há uma necessidade urgente de distribuição imediata de, pelo menos, um bilhão de doses de vacinas para 92 países de baixa renda, essencial para iniciar a proteção de cerca de 5 bilhões de pessoas com 15 anos ou mais. Esses 92 países receberam apenas 89 milhões de doses de vacinas até o momento.

Os países mais ricos compraram pouco mais que o dobro das doses necessárias para vacinar as suas populações, mas nesse momento, é hora de mostrar empatia e solidariedade para com as pessoas nos países de baixa renda, que não conseguiram vacinar nem seus profissionais de saúde atuando na linha de frente e nem os grupos mais vulneráveis. Apenas 1,9% das pessoas em países de baixa renda receberam pelo menos uma dose. Como o mundo vai sair da pandemia nesse ritmo?

Segundo o site Our World in Data, até o momento, cerca de 25% da população das Américas foi imunizada com as duas doses ou com a dose única da Janssen. Com o objetivo de aumentar a distribuição de vacinas na América Latina e no Caribe, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), lançou uma plataforma para receber doações de doses de vacinas e para comprar mais doses com o objetivo de suprir a falta de vacinas contra a covid-19.

Os países com menores taxas de vacinação são Haiti, Nicarágua, Jamaica, Guatemala, Venezuela e Honduras. Seriam necessárias pelo menos 550 milhões de doses de vacinas para garantir que todos os países da América Latina e do Caribe tenham 60% de suas populações vacinadas, o que pode até não ser suficiente para frear a disseminação da variante Delta. A situação é muito preocupante no Haiti, onde ocorreu um terremoto em meados de agosto e que começou a vacinar sua população apenas no mês passado, sendo que até o momento, apenas 0,3% de sua população recebeu uma dose da vacina. Os hospitais estão sobrecarregados e boa parte da população está sem atendimento médico porque não podem chegar aos hospitais. Na Nicarágua o percentual de pessoas que receberam uma dose é de 6,9%, na Jamaica é 14,7%, na Guatemala é 19,6%, na Venezuela é de 20,9%, e em Honduras é de 28,8%.

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SOBRE  IMUNIZAÇÃO

Imunização completa reduz casos de covid longa em infectados

Um estudo de pesquisadores britânicos, publicado na revista científica The Lancet no dia 01/09/2021, mostra que pessoas vacinadas com as duas doses das vacinas da Pfizer-Biontech, da Moderna e da AstraZeneca, que foram infectadas pelo Sars-CoV-2, além de apresentarem menor risco de contrair doença grave, têm 50% menos chance de ter covid-19 longa ou de registrar sintomas por mais de quatro semanas, quando comparados aos não vacinados que foram infectados. Cerca de 971,5 mil pessoas que receberam as duas doses foram acompanhadas através da inserção de dados no aplicativo Zoe e apenas 2.370 pessoas (0,2%) declararam terem sido infectadas.

A pesquisa também indicou que idosos com comorbidades estão mais suscetíveis, especialmente após receberem apenas a primeira dose. Um estudo recente da USP mostra que cerca de 60% de 750 pacientes internados no Hospital das Clínicas, que foram recuperados da covid-19, apresentam sequelas da doença como cansaço muscular, perda de memória, problemas cardiológicos, respiratórios e emocionais por períodos superiores há um ano.

Coronavac: Estudos em crianças, adolescentes e adultos com mais de 60 anos

No dia 28/06/2021, um ensaio clínico duplo-cego, randomizado, controlado, de fase 1/2, publicado no periódico científico The Lancet Infectious Diseases, mostrou a segurança, tolerabilidade e imunogenicidade da CoronaVac em 552 crianças e adolescentes saudáveis com idades entre 3 e 17 anos. O estudo testou duas doses da vacina, uma dose mais baixa, de 1,5mg e outra mais alta, de 3,0mg de vírus inativado.

A melhor resposta em termos de produção de anticorpos neutralizantes foi obtida com a maior concentração da vacina, que mostrou ser segura e bem tolerada, com reações adversas normais como dor no local da aplicação e um pouco de febre. Os resultados de eficácia para essa população só serão conhecidos após a conclusão do estudo de fase 3.

No dia 01/06/2021, um outro ensaio clínico de fase 1/2 randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, publicado no mesmo periódico, mostrou a segurança, tolerabilidade e imunogenicidade da CoronaVac em adultos saudáveis com 60 anos ou mais. A vacina foi aplicada em duas doses em intervalo de 28 dias e usou hidróxido de alumínio como adjuvante. Na fase 1, cada dose foi de 3 μg de vírus inativado em 0,5 mL de solução de hidróxido de alumínio.

Na fase 2, os participantes foram designados aleatoriamente (2:2:2:1) usando a randomização em bloco para receber CoronaVac a 1,5 μg, 3,0 μg ou 6,0 μg por dose, ou placebo. Os voluntários nos grupos placebo receberam apenas a solução com hidróxido de alumínio. Os resultados mostraram que a CoronaVac é segura e bem tolerada em adultos mais idosos. Os títulos de anticorpos neutralizantes induzidos pela dose de 3 μg foram semelhantes aos da dose de 6 μg e superiores aos da dose de 1,5 μg, apoiando o uso da dose de 3 μg de CoronaVac em outros ensaios de fase 3 para avaliar a proteção contra a covid-19.

Leia editorial sobre a vacina CoronaVac publicado no dia 02/09/2021 na revista The New England Journal of Medicine

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Lotes de CoronaVac suspensos pela Anvisa

Sobre a qualidade dos 25 lotes da vacina CoronaVac enviados ao PNI e interditados pela Anvisa (leia informações oficiais do Instituto Butantan). A Anvisa suspendeu a aplicação destes lotes pois o envase ocorreu em uma fábrica chinesa não inspecionada pela agência e nem aprovada na Autorização de Uso Emergencial no Brasil.

O Butantan garante a segurança dos lotes de imunizantes e que a qualidade das doses foi atestada pelo controle de qualidade bastante rigoroso do Instituto. O Butantan enviou a documentação para a Anvisa e a suspensão foi medida de precaução que não deve gerar alarmismo. Saiba mais informações

Novas pandemias com o desmatamento? Qual o futuro?

Um relatório elaborado pela força-tarefa científica sobre prevenção de pandemias, convocada pelo Harvard Global Health Institute e pelo Center for Climate, Health, and the Global Enviroment da escola de saúde pública da Universidade de Harvard, traz dados muito preocupantes de como o desmatamento pode aumentar a chance de novas pandemias. O relatório deixa claro que a conservação do meio ambiente é uma das estratégias mais importantes para evitar novas doenças. Há milhares de vírus em equilíbrio nesses ecossistemas.

O desmatamento leva a desequilíbrios no ecossistema, levando a alterações climáticas, que vão impactar no aparecimento de novas doenças. O documento enumera outras frentes como maior restrição ao consumo de animais selvagens e a criação de uma rede global de vigilância de patógenos em humanos, para identificar pontos críticos de emergência para zoonoses virais, incluindo avaliações das causas da pandemia, conservação das florestas tropicais, melhorar aspectos de biossegurança para gado e animais selvagens de criação, especialmente quando a criação de animais ocorre próximo a grandes ou populações humanas em rápida expansão.

Salve a Amazônia. Salve-se a selva ou não se salva o mundo. Antes que chegue a um ponto sem retorno.

Observação II: A palavra covid-19 foi incorporada como um novo substantivo feminino no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (ABL). A grafia correta da doença causada pela infecção do vírus Sars-CoV-2 é: covid-19, que não é mais considerada uma sigla, passando a ser um nome comum.

 

Observação III: Os artigos publicados não traduzem a opinião do Jornal da Unicamp. Sua publicação tem como objetivo estimular o debate de ideias no âmbito científico, cultural e social.