FEA lidera proteção à propriedade intelectual

A Faculdade de Engenharia de Alimentos é destaque no Prêmio Inventores 2022 pela segunda vez nessa categoria

A Faculdade de Engenharia de Alimentos se destacou no Prêmio Inventores da Unicamp pelos pedidos de proteção à propriedade intelectual. A premiação é organizada pela Agência de Inovação Inova Unicamp e reconheceu 15 projetos depositados entre janeiro e dezembro de 2021 envolvendo 31 inventores da unidade. Esta é a segunda vez que a faculdade é premiada nessa categoria (a primeira foi em 2019).

O prêmio busca valorizar os esforços de professores, pesquisadores, alunos e funcionários na proteção de conhecimentos que atendam a demandas da sociedade, gerem inovação e fomentem parcerias e novos negócios. A diretora da FEA, professora Mirna Gigante, celebrou a conquista.

“Esse prêmio é motivo de orgulho. A FEA nasceu junto com a Unicamp, por uma iniciativa do professor André Tosello, e mantém desde sua criação a busca pela excelência em pesquisa, ensino e inovação. A multidisciplinaridade da área de alimentos favorece a integração de conhecimentos de engenharia, tecnologia, ciências e nutrição, colaborando para a formação de um profissional preparado e trazendo desafios que movem a inovação”.

Destaque na Proteção à Propriedade Intelectual

Em 2021, com os laboratórios e salas de aula da Universidade ainda parcialmente fechados devido à pandemia da Covid-19, os pesquisadores da FEA foram responsáveis por 25% do total de 58 proteções de propriedades intelectuais da Unicamp protocoladas no ano. Entre elas, estão cinco pedidos internacionais de patente feitos com base no Tratado de Cooperação em Patentes (PCT), quatro patentes de invenção e quatro certificados de adição solicitados diretamente ao INPI, além de dois pedidos em fase nacional, com depósitos na Europa e Estados Unidos.

Legenda: A FEA teve 15 projetos depositados entre janeiro e dezembro de 2021 envolvendo 31 inventores da unidade. Esta é a segunda vez que a Faculdade é premiada nessa categoria (a primeira foi em 2019)
A FEA teve 15 projetos depositados entre janeiro e dezembro de 2021 envolvendo 31 inventores da unidade. Esta é a segunda vez que a Faculdade é premiada nessa categoria (a primeira foi em 2019).

Nesse caso, trata-se de uma tecnologia já licenciada da Unicamp, desenvolvida em cotitularidade com a S Cosméticos do Bem. O processo, que utiliza um vegetal com propriedades nutricionais e medicinais, chegou ao mercado brasileiro na forma de produtos dermocosméticos, mas também pode auxiliar no combate a doenças virais e parasitárias. A empresa foi fundada por Soraya El Khatib, ex-aluna da Unicamp. Em 2021, Soraya foi escolhida Empreendedora do Ano da Unicamp ao se destacar na categoria Impacto Socioambiental. Ela criou sete selos de qualidade que indicam o cuidado da startup com a cadeia produtiva. Essa preocupação é um dos pilares da inovação na FEA.

“A área de alimentos é dinâmica porque lida intimamente com os consumidores. A questão da sustentabilidade ambiental é forte hoje e pressiona a indústria a desenvolver processos mais eficientes, com menos poluentes e maior aproveitamento de resíduos. Essa demanda impulsiona o trabalho científico, tecnológico e inovativo da FEA”, explicou o diretor associado da FEA, Julian Martínez.

Planejamento estratégico

Neste ano, a Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp deu início à aplicação do novo planejamento estratégico, com a missão de formar profissionais e produzir ciência de alimentos de alto nível para o bem-estar social. Entre as metas, estão a maior interação com o setor privado e a gestão de pesquisa com incentivo ao empreendedorismo. 

“A FEA tem feito uma série de avanços em termos de gestão. O novo planejamento estratégico está alinhado aos desafios da pesquisa de excelência e à nossa expectativa em relação ao futuro", ressaltou Mirna.

No ano passado, a FEA estabeleceu uma parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) para educação e popularização da ciência. O projeto “Processamento de alimentos para curiosos” promoverá debates online liderados pelo corpo docente da Unidade com transmissão ao vivo.

A FEA é pioneira na América Latina. Quando foi criada, em 1966, a profissão de engenheiro de alimentos ainda não era regulamentada no país. A faculdade abasteceu a indústria brasileira nascente com profissionais altamente qualificados e produziu pesquisas que levaram a inovações como a carne de soja e a goma xantana nacional, usada na produção de pães sem glúten, por exemplo.

A diretora lembra que, em 1975, os jornais da cidade já noticiavam o papel da FEA no desenvolvimento do elemento base para produção da carne vegetal. Quase seis décadas depois, esses estudos continuam impactando diversas cadeias, e os conceitos desenvolvidos encontram um mercado em ascensão. “Atualmente, os produtos plant based constituem temática de inovação de muitas pesquisas correntes na Unidade, com foco em sustentabilidade e saúde”, cita a diretora.

Outro exemplo é o primeiro bioinseticida brasileiro para combate ao mosquito Aedes aegypti não-tóxico ao meio ambiente. A patente que descreve o processo com o Bacillus thurigiensis, depositada na década de 1980, foi a primeira com inventores da FEA. Ela permaneceu ativa até 2000, sendo ainda usada na indústria para controle biológico de pragas.

Aproximação com a indústria

Nas últimas três décadas, a FEA esteve envolvida em 187 pedidos de patentes depositados em nome da Unicamp. Desse total, mais de 80% continua ativo, representando 14% de todo o Portfólio de Patentes da Unicamp. Os ganhos financeiros associados aos royalties de patentes ativas licenciadas são uma importante fonte de recursos para a faculdade. “Esses recursos são reinvestidos na estrutura da própria FEA e nos permitem trabalhar com maior flexibilidade e eficiência”, conta Martínez.

Desde 2020, uma parceria entre a Inova e a FEA tem avaliado seu portfólio de proteções por meio de uma nova metodologia de análise estratégica, que auxilia na identificação de tecnologias com potencial para formação de empresas spin-offs e geração de negócios.

A diretora de Propriedade Intelectual da Inova Unicamp, Raquel Moutinho Barbosa, explica que o perfil da FEA favorece a aplicação da nova metodologia, porque a cultura da propriedade intelectual já é difundida entre seus docentes e pesquisadores. Uma prova disso é a baixa taxa de recusa dos depósitos de patentes da FEA, resultado de fatores como a força de pesquisa da unidade e o trabalho de análise da Inova.

“Desde a comunicação de invenção, temos um processo de análise integrado e focado em inovação, e um esforço de prospecção para que as tecnologias com esse potencial não sejam apenas números em nosso portfólio, mas de fato cheguem à sociedade”. Raquel também falou sobre as ações promovidas na Agência no último ano para fortalecer o trabalho junto aos professores, pesquisadores, alunos e funcionários da Unicamp. “A Inova, em parceria com os inventores, investe cada vez mais na qualidade desse processo”.

Prêmio Inventores 2022

Unidade premiada em proteção à propriedade intelectual: Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA Unicamp)

Diretores da Unidade: professora Mirna Gigante e professor Julian Martínez (associado).

PROGRAMAÇÃO DE HOMENAGENS

Essa matéria faz parte da série de reportagens produzida pela Inova Unicamp sobre algumas das tecnologias licenciadas, que podem ser lidas pelo site da Inova e também em formato e-book na Revista Prêmio Inventores, com lançamento previsto para junho. Também está agendado um webinar com conteúdo sobre propriedade intelectual e transferência de tecnologia para o dia 08 de junho, com inscrições abertas ao público em geral.

Confira todos os premiados no site do Prêmio Inventores da Unicamp.

Os patrocinadores do Prêmio Inventores 2022 são: Pulse HubClarkeModet,  3MNeger Telecom.

Este texto foi publicado originalmente no site da Inova Unicamp.

Imagem de capa JU-online

Mirna Gigante Julian Martínez, diretora e diretor associado da FEA Unicamp